As opiniões de aplauso e júbilo ao programa acordado com a Troika multiplicam-se. Na verdade, todos sabem e sabiam há muito tempo quais os problemas do país, as reformas estruturais (aquela fórmula linguística utilizada a propósito e a despropósito, principalmente por quem não as quer executar), as despesas a reduzir e as reestruturações e ganhos de eficiência possíveis.
O problema foi e é implementar as medidas que todos reputam indispensáveis e inadiáveis. O único governo que, nas últimas décadas, teve uma agenda verdadeira e assumidamente reformista, foi o primeiro governo liderado por Sócrates. Anunciou e iniciou reformas em várias frentes. O resultado foi uma enorme revolta de todas as corporações e de todos os grupos de pressão empresariais e políticos, do seu e dos outros partidos, que fizeram tudo para boicotar quaisquer sinais de mudança, da educação à saúde, das finanças regionais às locais, do sistema de justiça à auto-estrada tecnológica. Tudo foi pretexto para impedir, emperrar, denegrir, descredibilizar, qualquer assomo de iniciativa para a diferença.
Na última legislatura houve até convergência de forças políticas antagónicas, mas que concordaram em tentar desfazer o que, com muito esforço e trabalho, se tinha conseguido fazer anteriormente.
Quem tem que assumir a responsabilidade de cumprir as metas que nos são impostas (é claro que nos são impostas) somos nós,,cidadãos, que não queremos perceber que é preciso cumprir horários, controlar a qualidade do nosso trabalho, prestar contas e responsabilizamo-nos pelo pagamento dos impostos, pela educação dos filhos, pela avaliação do desempenho, pelo mérito, pela partilha e pela solidariedade, pelo cumprimento rigoroso de normas de trabalho e de conduta, pela exigência a nós mesmos e aos outros, pelo desfazer de clientelas, compadrios, amiguismos, negligências, oportunismos e vigarices.
Seja quem for que ganhe as eleições terá que conseguir que nos olhemos ao espelho. E, melhor ou pior, o único líder que tem créditos em termos de querer mudar, por ter assumido os riscos que isso importa, é José Sócrates.
Põe precisamente os pontos nos iis! É que mesmo com maioria absoluta viu-se quão dificil foi fazer - ou pelo menos iniciar - algumas das reformas que estavam propostas no programa...!
ResponderEliminarE agora só com uma nova maioria absoluta, pode o PS e o seu SG, José Sócrates, "impôr" - agora com o controlo externo - as reformas que ainda são necessárias, nomeadamente na Justiça!
Se perguntar a Durão, ele dirá que também queria aplicar reformas, Sofia. E que até o presidente esteve contra ele (Cavaco, nos primeiros anos, esteve claramente do lado de Sócrates). Quanto aos créditos de Sócrates, ficam muito aquém dos débitos de ter conduzido o país à bancarrota, apesar dos repetidos avisos. Já para não falar nas questões de autoritarismo, mas essas só preocupam meia dúzia de almas como eu...
ResponderEliminarChama-se a isso "Occam's razor":"Entre várias hipóteses (de solução...),tende a ACONTECER ...a mais simples":
ResponderEliminar...O Governo que está,...com maioria absoluta + personalidades.Eventualmente,ASSUMIDAMENTE de outras áreas...
Assumindo a BONDADE da "TENTATIVA E ERRO",um método operacional que até o FMI assumiu com a Grécia,Irlanda ...e Portugal.
(Versão livre da "lâmina de Occam...)
Cumprimentos..."kyaskyas"
ResponderEliminarBarreto quer castigo exemplar para Sócrates!
De preferência aplicado nos troncos das suas árvores altaneiras em suas quintas de duques e cratos, com cavacos a malhar...a troco de mais umas medalhas que da intragável lei da morte o vão libertando...eventualmente!
Mas foge a fazer parte de um futuro governo! Não tem uvas,só parra, diz o próprio! Pasmei! Pasmem comigo, que não aguento!
excelente, verdadeiro e constatavel artigo nos termos que o integram
ResponderEliminarObrigado!
abraço