30 abril 2011

1 de Maio

 



Tarsila do Amaral: Operários


 


Não concordo com tolerâncias de ponto nem com pontes, por todos os motivos e a toda a hora, com os múltiplos feriados, com greves às 6ªs e às 2ªs feiras. Não concordo com a cultura de aproveitamento de todas as razões para não se trabalhar. Detesto aquela conversa de lamúria permanente contra a ideia do trabalho. Acho muito bem que se autorize a abertura de lojas, hipermercados ou outras, aos Domingos e Feriados.


 


Mas há alguns dias que, pelo forte simbolismo e pela importância deste devem ser respeitados como dias feriados, para todos. Um deles é o 1º de Maio. Todos os trabalhadores têm o direito de gozar esse feriado. A pressão que alguns empresários têm feito, em tempo de escassez de emprego, é inaceitável, é aproveitamento e exploração do mais fraco. Isso sim, é resquício do capitalismo selvagem.


 

Um dia como os outros (85)


(...) Quem vier dizer que consegue garantir o acesso sem restringir não está a falar verdade. É necessário fazer tudo para que nos próximos três, quatro anos a despesa se mantenha controlada (crescimento de zero ou um por cento, no máximo), o que implica um trabalho muito intenso na eficiência interna. Mas é importante que não sejam impostas mais medidas de carácter cego e que não se avance numa espiral de agravamento. Dois milhões de portugueses vivem abaixo do limiar de pobreza e quatro milhões não pagam IRS. São pessoas que dependem do sistema público. Entrar num processo de acionamento em saúde significa passar uma fronteira muito perigosa.


 


Adalberto Campos Fernandes


 


 


(...) O BE, o partido da grande esquerda, recusou-se a negociar o pacote de medidas com a UE e FMI, só para descobrir que continuava em queda nas sondagens, para além de ver aumentada a contestação interna a Louçã. De repente, quer saltar para dentro do comboio em andamento, perto da estação de chegada, para poder dizer que não negociou com os malandros mas tinha propostas magníficas que os malandros recusaram. (...)


 


Valupi


 

Separação de poderes

 


Ainda bem que algumas coisas vão encontrando a sua justa medida. A coligação negativa que decidiu suspender a avaliação de desempenho dos professores teve o seu epílogo com o chumbo do Tribunal Constitucional.


 


Outras continuam no descaminho do inenarrável, como a declaração de Eduardo Catroga, ao dizer que as gerações mais jovens deviam pôr este Governo em tribunal.


O nível da campanha eleitoral e de quem a faz é bem patente.


 


Também é interessante ouvir os vários porta-vozes do PSD a pedir ao país a responsabilização dos 6 anos de governo do PS, para além da exigência da prestação de contas por 6 anos de governação socialista.


 


Esquecem-se convenientemente que o PS já prestou contas em 2009, indo a eleições e tendo-as vencido. Prestá-las-á novamente a 5 de Junho. O programa que tem, bom, mau, assim-assim, com TGV ou sem ele, fora da realidade ou dentro dela, será sufragado pelos eleitores.


 


A democracia é assim. Os tribunais devem servir para julgar crimes. Seria bom que Eduardo Catroga e outros como ele se lembrem da separação de poderes e, já agora, da decência.


 

29 abril 2011

Mosto

  


 Kansuke Yamamoto: Cronicles of drifting


 


A um qualquer dia de uma qualquer noite


chegaremos ao mar


e o incêndio de quem caminha reduzirá a mosto


os frutos do tempo.


 


A uma qualquer noite de um qualquer dia


procuraremos desenhar


o que falta do navio as fogueiras dos instantes


que sabemos naufragar.


 

27 abril 2011

Dissolução inútil?

 


Se o resultado eleitoral destas legislativas for idêntico ao quadro parlamentar existente – maioria simples do PS - esta pode ser a única das dissoluções da Assembleia da República em que a leitura da realidade feita pelo Presidente Cavaco Silva não terá sido a mais apropriada, ao contrário do que aconteceu nas anteriores dissoluções protagonizadas pelos outros Presidentes da República: 



  • Ramalho Eanes – dissolução em 1979 – parlamento com maioria simples do PS para maioria absoluta da AD

  • Ramalho Eanes – dissolução em 1983 – parlamento com maioria absoluta da AD para maioria simples PS

  • Mário Soares – dissolução em 1987 - parlamento com maioria simples do PSD para maioria absoluta do PSD (embora o partido maioritário seja o mesmo, o quadro parlamentar é muito diferente pois confere maioria absoluta)

  • Jorge Sampaio - dissolução em 2001 – parlamento com maioria simples do PS para maioria simples do PSD

  • Jorge Sampaio - dissolução em 2004 – parlamento com maioria simples do PSD para maioria absoluta do PS


 

O voto dos portugueses

 


A noção de democracia de alguns dos nossos representantes partidários é estranha. Não entendo como é possível dizer-se com quem vai e com quem não vai negociar antes de conhecer os resultados das eleições.


 


Quem for a votos terá, obrigatoriamente, de respeitar o resultado das eleições, quer as ganhe quer as perca.


 

26 abril 2011

Onde está?

 



 


As notícias que dão como provável o pagamento dos 13º e 14º mês em títulos do tesouro (manobra de desinformação?) não são surpresa, mas são mais uma certeza de que os salários vão continuar a reduzir-se, que temos que saber olhar para prioridades nos gastos, nos investimentos, nos valores e naquilo que consideramos profundamente importante e necessário.


 


Começa a ser intolerável assistir à vergonha de acusações, propaganda, cartas escritas a representantes políticos que são enviadas à comunicação social, grandiloquências retrógradas, justificações disparatadas e oportunismos vários da parte de quem, por obrigação de função e moral, deveria ter respeito por aqueles que votaram.


 


A personalização das frustrações, das incapacidades e dos erros, em vez da discussão de verdadeiras opções políticas apenas aumenta a impossibilidade da resolução dos problemas. As figuras que representam os partidos e as várias facções políticas são importantes, como é óbvio, mas não são donas dos partidos nem dos votos de quem os elege. É absolutamente indispensável, tanto como a participação maciça dos cidadãos nas próximas eleições, que Sócrates e Passos Coelho entendam que não são os seus egos, as suas vitórias e as suas derrotas que importam. É imperioso que as principais figuras do Estado se respeitem. A linguagem da taberna é para a taberna, não para a Assembleia da República.


 


Não é admissível que se chame foleiro ao Presidente da República, ter na lista de candidatos a deputados pessoas que roubam microfones aos jornalistas, ministros que usam a televisão para enviar recados a outros, cartas e mensagens de políticos uns aos outros na comunicação social, que o Primeiro-ministro e o líder o principal partido da oposição não se cumprimentem em cerimónias públicas.


 


Basta da falta de decoro generalizada, da inenarrável má educação, grosseria e incompetência na resolução dos problemas que todos temos que resolver. Quero votar em gente que tenha como principal preocupação o país. Onde está?


 

25 abril 2011

Milonga de Abril

 



Tenho a dizer-te que tudo me incomoda. A roupa demasiado justa por sobre o corpo molhado, sempre a enrolar-se de um calor súbito e preciso, distribuído pela ansiedade de quem personifica a revolta contra o tempo. O peso que já não se reparte pelas várias zonas que ocupa, mas que se fixa inexoravelmente no apoio que falta. O cansaço mole dos movimentos presos, das noites em claro, dos pensamentos em círculos contínuos e fechados.


 


Tenho a dizer-te que a Primavera não está apenas nos perfumes que se misturam, nas ervas que crescem, no azul e verde que desponta a cada manhã. Não está ainda no caminho que faço junto ao mar, nas mãos que vou apertando e sentindo frias, nas portas teimosamente entreabertas. Sempre um biombo invisível.


 


Tenho a dizer-te que tardam os sinais da mudança, que desmaia o vermelho das flores, que se calam os filhos, que desistem os velhos, que se entulham as vontades, que se somam os silêncios, que arrefecem as bandeiras.


 


Tenho a dizer-te que Abril está mas não chegou, que Abril ainda não chega, que Abril congela nos abraços adiados, que Abril semeou mas não colheu, fartura de esperança sem Maio à vista.


 


em Revista-Me nº 01


 

Raízes

 



 


 



1.


Se olhares por fora


dissecares os hábitos de quem vive


neste pequeno centro sem cor,


se olhares para o negro


que afunda de maré vaza


as nossas praias


se olhares de dentro


fechas definitivamente a fronteira.


 


 



2.


Raízes de sal e algas sem terra firme


construímos as pontes do mundo.


Barcos e cruzes devotos de horizontes


Misturas e raças que nos entranham


sempre em busca do que não temos.


Em frente ao mar o desespero não tem lei.


 

24 abril 2011

Um dia como os outros (84)

 



(...) Amanhã, gostava de regressar à Avenida da Liberdade. De levar os meus filhos e com eles me sentir próximo de gente - estarão poucos ou nenhum - que ainda se lembra dos verdadeiros valores de Abril. Sobretudo da tal sensação de tudo ser possível, de sermos capazes, do futuro ser nosso. Não me lembro doutra ocasião, em trinta e sete anos, em que fosse tão necessário relembrarmos o que sentimos no dia 25 de Abril de 1974.


 


Pedro Marques Lopes


 


(...) Talvez tenha precisado de 37 anos inteirinhos para perceber que é meu dever lá estar, que não chega saber para comigo que foi um dos melhores, maiores dias da minha vida, mesmo se tinha só 10 anos, mesmo se o que vi da revolução ao vivo foram soldados na ponte Marechal Carmona (que ainda se chama assim, já agora), e que o que sou, como o que somos, as escolhas que pudemos e podemos fazer, o que podemos e pudemos sonhar e rejeitar, se fundou aí, se iniciou aí, se ancora aí. Que é altura de engrossar o número dos que celebram e não capitular na entrega disto a seja quem for, e muito menos ao olvido. Coincidência que seja este o ano em que se tornou comum, banal, quase normal ouvir e ler que “antes era melhor” ou que “não valeu a pena”. Coincidência que seja este o ano em que a Assembleia da República não festeja. Coincidência, sem dúvida, mas feliz, digo eu: é agora que é mais preciso, e é agora que faz mais falta. Fazer a marcha do orgulho do 25 de Abril. Embora.


 


Fernanda Câncio


 

Farófias e bel-canto

 



 


As farófias tomam conta da vida política. Por um lado, ficamos mais leves e mais doces. Tal como as farófias, as ideias derretem-se e é como se nunca tivessem existido. Ocupam o lugar do ar batido entre as claras, fofas, leves, como espuma.


 


Ao lado das farófias só o canto, o bel-canto, para ser mais precisa, a voz funda e vibrante, a postura da boca e das cordas vocais, os olhos que sonham o horizonte, enquanto o som treinado de uma laringe educada se faz ouvir aos ouvidos das gentes simples. Lá lá lá lá lá lá…


 


Ao lado das farófias e do bel-canto soa a família, a que se tem e a que se queria ter, os filhos, os cães, os periquitos, as tartarugas, os beijos, as mãos dadas, o eu amo-o profundamente, o ser brincalhão, os romances e os pastéis de nata.


 


E assim vamos nós, das farófias para o bel-canto, da mensagem pascal para as cadelas, do cor-de-rosa para o cor-de-laranja, do que não interessa nada para o que não tem interesse nenhum.


 

Inclinação

 

Cheryl H. Hahn: Incline

 


A tarde com as mãos na terra


ervas e aromas acalmam o dia.


Lá fora os ruídos do mundo sem chão


e as palavras sem rega nem regras


sem perdão.


 

Música Pascal


Take the A train


Michel Petrucciani


Steve Gadd


Anthony Jackson


 

Cabrito Pascal

 



(fotos da internet)


 


A melhor das receitas é mesmo a que é improvisada… e sai bem.


 


O meio cabrito que hoje assámos ficou divinal, como é próprio de um almoço pascal. Foi comparado num hipermercado, não sei qual, já partido a preceito e bem embalado, ficou a marinar desde 5ª feira em várias ervas aromáticas – tomilho, rosmaninho, louro, vinho, sal e xarope do ácer. Bem acamado do tabuleiro do forno, em lume muito brando, demorou cerca de 1:30h a cozinhar. À parte cozeram batatas pequenas, com casca que, depois de peladas, mergulharam no molho do cabrito para tomar gosto. Acompanhado de esparregado e Chateauneuf du Pape, tinto, sacrificámos o cabrito resignada e gostosamente.


 


A outra experiência também não correu mal, mas precisa aperfeiçoamento.


 


É uma tarte. Como despachada matrona que sou, isto de fazer massas quebradas, areadas ou folhadas não é comigo. Há umas maravilhosas no Pingo-Doce que é só esticar nas formas e/ou tabuleiros e colocar a assar no forno. No entanto, quando as ditas massas quebradas quebram mesmo por ficarem esturricadas, negras, totalmente impróprias para consumo, a internet é um excelente auxílio para nos livrar de embaraços. E assim resolvi seguir as indicações de algumas almas caridosas, fazendo uma pasta de tarte com bolachas moídas (250g). A receita aponta para bolachas Maria mas como não as tinha em casa, usei uns borrachões que me tinham dado, bem moídos no copo misturador. Depois juntei 150g de margarina derretida (no microondas), 2 colheres de chá de açúcar e sumo de meia laranja. Tudo muito bem homogeneizado, espalhado na forma de tarte, no frigorífico durante 2 horas.


 


Para o recheio usei uma receita de doce que me ensinaram há muito pouco tempo e que é rapidíssima e facílima de fazer: mistura-se 1 lata de leite condensado com 1 pacote de natas e sumo de 3 limões. Já está. Coloquei o recheio na forma já forrada com a pasta de bolacha e frigorífico com ela. Antes de servir coloquei em cima doce de morango que fiz há uns dias.


 


Ficou maravilhosa, com o ligeiro problema do recheio ser um pouco líquido de mais. Por isso ainda precisa de algum trabalho de remodelação.


 


Enfim, um belo repasto de Domingo de Páscoa.

Imagem de Páscoa


Ilha de Páscoa

22 abril 2011

Quase lá...

Triturado

 



 


Fernando Teixeira dos Santos é mais um dos que são triturados pela política. Apesar do coro que, agora, põe nas mãos dele a iminente bancarrota do país, ele foi um dos responsáveis por muitos votos favoráveis ao PS, nas últimas eleições. Foi um dos ministros das finanças mais competentes e voluntariosos que tivemos. Tentou opor-se a Alberto João Jardim a propósito da lei das finanças regionais. Segurou o governo e Sócrates em várias circunstâncias.


 


Não tenho dúvidas que cometeu grandes erros, talvez o maior tenha sido a sua dedicação ao país e a sua lealdade ao Primeiro-ministro. Como é hábito passou de bestial a besta em pouco tempo. Neste momento o PS faz de conta que ele não existe e relegou-o ao anonimato e à transparência. Dura recompensa para quem tanto deu. Para quem foi segundo na lista de candidatos a deputados pelo círculo do Porto em 2009, nem sequer foi considerada a sua inclusão nas listas de deputados para estas eleições legislativas. Servir a causa pública não é compensador, a não ser para as consciências de quem o faz.


 

21 abril 2011

Vencer a crise (4)


 


Pode ser uma excelente forma de comemorar o Dia da Liberdade.


 

Suspeitas e certezas

 



 


A sondagem da Marktest é tão estranha que quase parece estapafúrdia. A da Eurosondagem é menos estranha e menos estapafúrdia. Tanto a Marktest como a Eurosondagem não têm dado grandes provas de resultados credíveis. É de suspeitar.


 


Do que tenho a certeza é da incapacidade, muitas e muitas vezes demonstrada, do BE e do PCP algum dia quererem fazer parte de uma solução governativa. A recusa de se reunirem com os representantes da União Europeia e do FMI é, mais uma vez, a recusa da responsabilidade, do compromisso a propor soluções, os chavões cansados e cansativos de uma pseudo esquerda velha e esgotada.


 


Do que também tenho a certeza é da inacreditável figura de Passos Coelho na dita mensagem de Páscoa. Se o ridículo matasse…


 

A campanha contra o SNS

 


A campanha dos sectores de direita, que pretendem que se instale em toda a população a certeza de que o SNS é insustentável continua, recorrendo-se a todos os estratagemas (vale a pena ler o último artigo de António Correia de Campos).


 


O último foi a denúncia da incapacidade dos hospitais proverem aos doentes os medicamentos necessários, e a condenação das sugestões de ajuda à Maternidade Alfredo da Costa feita a quem a ela recorre ou recorreu.


 


As reportagens sobre os medicamentos em falta nos hospitais não são esclarecedoras, mas parece-me que é exactamente esse o objectivo. Em que circunstâncias foram pedidos medicamentos às famílias dos doentes? Ninguém sabe se é verdade nem em que condições acontecem ou aconteceram.


 


Em relação aos donativos à maternidade, não percebo o espanto e atrevo-me a dizer que acho muitíssimo bem. Porque é que a população não pode ajudar com donativos as maternidades, clínicas, creches, escolas, teatros, cinemas, bibliotecas, e outras instituições, públicas ou privadas? Em que é que isso reduz os direitos dos doentes ou dos familiares dos doentes? Em que medida prejudica quem quer que seja?


 


A consciência social, a cidadania e a solidariedade não são incompatíveis com um serviço público de saúde de qualidade e gratuito, ou tendencialmente gratuito. Dá a sensação que, em Portugal, há algumas entidades que têm obrigação de tudo: Deus e/ou o Estado. Os cidadãos só têm direitos, nunca deveres, éticos que sejam.


 

17 abril 2011

Um dia como os outros (83)

 



O DN publicou a 21 de Abril de 1940 um "bem haja" da Finlândia aos portugueses. Enviada pelo representante em Lisboa desse país nórdico, a nota diplomática agradece a Portugal a ajuda, tanto em víveres como em agasalhos, durante a guerra russo-finlandesa do Inverno de 1940-1941. "Nunca poderá o povo finlandês esquecer a nobreza de tal atitude", podia ler-se no pequeno texto publicado no nosso jornal há mais de 70 anos. (...)


Hoje boa parte da opinião pública finlandesa mostra não estar nada emocionada com a crise que afecta os portugueses. E se depender de vários partidos, alguns dos quais podem chegar ao Governo nas legislativas de hoje, não haverá solidariedade com Portugal. A ideia é mesmo não participar no resgate da dívida portuguesa e quem o defende parece ganhar votos. (...)


E bem haja aos eleitores finlandeses que percebam que todos, mas sobretudo os pequenos, ficam a ganhar quando existe solidariedade entre os países da velha Europa. (...)


 


Editorial DN


 

16 abril 2011

Um dia como os outros (82)

 



A companhia portuguesa de Teatro Meridional está em São Petersburgo para receber um prémio europeu e para apresentar três criações recentes, ao longo de uma semana que junta na cidade russa 471 convidados. (...)


O Teatro Meridional apresentará em São Petersburgo o seu espetáculo “Contos em Viagem – Cabo Verde”, um espetáculo premiado, que foi um êxito de público e da crítica, baseado em textos que, apesar de terem um contexto e uma geografia particulares, falam da universalidade das emoções, pela boca de uma atriz que, no enorme cais que o arquipélago representa, conta fragmentos de histórias e diz excertos de poemas, como quem reza ou canta.


Ao palco de um teatro russo subirá também “1974”, uma criação de Miguel Seabra e Natália Luiza, com base na dramaturgia de Francisco Luís Parreira e na música original de José Mário Branco, sobre a identidade portuguesa, partindo do discurso narrativo de três períodos da História de Portugal do último século: ditadura, Revolução de Abril e entrada na Comunidade Económica Europeia. (...)


 


Lusa


 

Depois da Páscoa...

Das notas que tomamos (4)

 



A pré campanha eleitoral desenrola-se perante os nossos olhos espantados, cheia de surpresas e truques de magia. O populismo é a moeda mais valiosa no vaivém entre os dois maiores partidos políticos. Imunes ao disparate, as personagens vão debitando as suas deixas, nesta tragicomédia em que somos actores e público.



  1. Fernando Nobre insiste em mostrar o seu desprezo pela Assembleia e pelos deputados. As eleições, para ele, são dispensáveis, pelo menos no que diz respeito ao lugar que negociou com Pedro Passos Coelho.

  2. Marinho e Pinto também dispensa o acto eleitoral. Faz lembrar a facção do MFA, nos bons velhos tempos do PREC, que instava o povo a votar em branco nas eleições para a Assembleia Constituinte.

  3. Basílio Horta é, no mínimo, uma figura polémica nas listas do PS nas próximas eleições legislativas. Independente? Arrependido? Convertido?

  4. Adensa-se o mistério - Pacheco Pereira, Miguel Relvas, Pedro Passos Coelho e José Sócrates em Entre Portugal e Bruxelas - os (2) dias de todas as perguntas.


 

A luz


Tiago Taron 


 


 


A luz que vem do lado


cegueira de luz e cinza


do meio da luz que se entrega


na escuridão que se cega.


 


A luz desmonta a cegueira


das noites acordadas


sem luz nem sombra


que se guardem.


 


A luz que encadeia


entre as noites apagadas


que da luz se escurecem


na solidão saciadas.


 

Vencer a crise (3)


 


 


No Centro Cultural de Belém - Entre a morte de Richard Wagner e o fim da Segunda Guerra Mundial, a música ocidental reinventa-se - Da Europa ao Novo Mundo (1883 - 1945).


 

Vencer a crise (2)


 


Exposição de desenhos de Tiago Taron, 20 de Abril às 20:00h (até 30 de Abril, às 23:00h), na Rua D. Pedro V, nº 81, Príncipe Real, Lisboa.


 

Vencer a crise (1)


 


Em cena, na Sala Vermelha do Teatro Aberto, uma peça de Rui Herbon - Grande Prémio de Teatro Português de 2010 (Teatro Aberto e Sociedade Portuguesa de Autores), com música original de Pedro Jóia.




13 abril 2011

Tempos confusos e perigosos

Desde a apresentação do PEC IV a Bruxelas, todos ouvimos várias vezes destacados membros do PSD acusarem Sócrates de desrespeito pelas instituições do país e de não ter negociado com o PSD, o maior partido da oposição e aquele que, em princípio, teria que dar o seu acordo parlamentar às medidas, para que estas fossem aplicadas.


 


Eu continuo a pensar que Sócrates desrespeitou o Parlamento. Mas o argumento de Passos Coelho foi o utilizado, em primeiro lugar, para a decisão que levaria à demissão do governo e à convocação de eleições antecipadas. Sabemos que, posteriormente, mais argumentos contraditórios foram avançados, mas a monumental ofensa do PSD à inaceitável arrogância governamental foi repetida até à exaustão.


 


Por isso o país deve ter ficado estupefacto, pelo menos eu fiquei, quando me apercebi de que Sócrates tinha tido uma reunião alongada com Passos Coelho, em que lhe tinha explicado as medidas que iria apresentar em Bruxelas no dia seguinte. Isto dito pelo próprio Passos Coelho na entrevista a Judite de Sousa.


 


É claro que, agora, a direita acha um disparate determo-nos em pormenores de forma, quando esses pormenores foram usados e abusados para insultar, mais uma vez, o governo como um todo e José Sócrates em particular.


 


Mas se ainda tínhamos alguma dúvida ficámos esclarecidos. A não aprovação do PEC IV, pelo PSD, prendeu-se pura e simplesmente com a resolução da luta interna pela liderança do PSD, obedeceu apenas ao calculismo irresponsável de quem precisa de alcançar o poder a todo o custo.


 


Tudo o que se vai sabendo do PSD e do seu mais recente líder aumenta o desconforto em relação a todo este processo. Ainda estou sem entender como é possível convidar alguém para ocupar o lugar de Presidente da Assembleia da República, quando este lugar é fruto de uma eleição pelos deputados. Será que Passos Coelho consegue adivinhar o sentido de voto dos deputados?


 


Têm-se multiplicado as comparações absurdas entre a propaganda nazi e a propaganda protagonizada pelo PS. Quem assim fala só pode ser de uma ignorância confrangedora e perigosa. Andamos vertiginosamente a reboque de campanhas de desinformação, que inundam todos os espaços noticiosos e mediáticos. Estamos em vésperas de um processo eleitoral cujos fundamentos são falsos. E, de vez em quando, aparecem notícias que nos espantam por serem tão contrárias à maré de críticas e certezas sobre a incompetência do governo, para já não falar do ataque pessoal à honorabilidade das pessoas.


 


Vivemos tempos confusos e perigosos. Mas talvez haja quem se surpreenda e perceba que as pessoas não são totalmente manipuláveis.


 

11 abril 2011

Bye Bye Blackbird

 



canta Julie London


 


Pack up all my cares and woes,
Here I go,
Singing low,
Bye bye blackbird,
Where somebody waits for me,
Sugar's sweet, so is he,
Bye bye
Blackbird!

No one here can love or understand me,
Oh, what hard luck stories they all hand me,
Make my bed and light the light,
I'll arrive late tonight,
Blackbird bye bye.

No one here can love or understand me,
Oh, what hard luck stories they all hand me,
Make my bed, light that light,
I'll arrive late tonight,
Blackbird bye bye!
Blackbird bye bye!

10 abril 2011

Regresso

 



 


 


Eduardo Ferro Rodrigues regressa à vida partidária. Esta é uma boa notícia.


 

Não foi notícia

 



 


 


Entre 7 e 9 de Abril decorreu, no Porto, o XIV Congresso Nacional de Anatomia Patológica. Ao contrário de outros congressos de outras especialidades, não houve antes, nem depois, qualquer notícia sobre o assunto.


 


A Anatomia Patológica não é uma especialidade mediática, nem glamorosa. Os médicos de Anatomia Patológica praticam uma ciência quase invisível, mas absolutamente central em toda a actividade de diagnóstico, de decisão e monitorização terapêutica, de avaliação de factores prognósticos, de investigação e de ensino.


 


Um dos convidados foi Adalberto Campos Fernandes que, de uma forma simples e clara, discorreu sobre as várias ineficiências do nosso sistema de saúde, a necessidade de modificação da cultura de gestão, da aposta nos recursos humanos com a fidelização dos profissionais a tempo inteiro, uma remuneração condigna, exigência, rigor e avaliação de desempenho, reforço das lideranças intermédias e manutenção da universalidade do SNS, desmontando a argumentação crescente do paradigma do utilizador/pagador.


 


Rigor, trabalho, estudo e investigação, partilha de ideias e de experiências, formação contínua, a Anatomia Patológica é o paradigma da tradição que se alia à inovação, da responsabilidade que se junta à ousadia e enforma o verdadeiro núcleo da Medicina.


 


Nota ou declaração de interesses: sou Anatomopatologista.

05 abril 2011

Democracia enfraquecida

 


Vivemos em democracia, gostamos de acreditar que sim, que temos uma sociedade pluripartidária, que nos oferece opções de governo diferentes, sendo essas opções decididas pelo voto popular, em eleições livres.


 


Mas será mesmo assim?


 


Desde a aprovação do OE de 2011, pelo menos, tem havido pressões quase diárias para que Portugal peça ajuda financeira externa, tal como fez a Irlanda. Para isso têm trabalhado os partidos da oposição mas sobretudo e principalmente, a especulação que faz com que subam os juros da dívida, que faz com que desçam os ratings dos bancos, das empresas públicas e do país.


 


A luta política é lícita, independentemente das interpretações que possamos fazer, da escolha do partido A ou do partido B. Mas neste momento até a decisão de ir a eleições é penalizada. Já não basta não termos mecanismos de decisão económica e financeira, visto que os governos têm que obter o aval e a autorização da União Europeia, leia-se da Alemanha, como têm que prestar contas à União Europeia, leia-se à Alemanha, como ainda têm que ter eleições apenas quando e se a União Europeia e Os Mercados quiserem.


 


Os media não podem estar a soldo do poder político. Mas informarão melhor as populações se estiverem a soldo do poder económico?


 


Nesta Europa dos Cidadãos, como ouço tantas vezes dizer, nesta sociedade ocidental, moderna e democrática, a vivência do que é a democracia vai encolhendo e afastando-se cada vez mais do seu conceito.


 

04 abril 2011

Desligar a crise


 


Há sempre alguém que gostaríamos de igualar, nesses sonhos de grandeza da adolescência, heróis da ciência, das artes, gente que desafia o perigo, que se entrega à morte para salvar o próximo, enfim, daqueles seres que se nos apresentam em forma humana, mas são carne e sangue de deuses.


 


Pois eu sempre juntei à minha lista os detectives das histórias que vou lendo, mas não do tipo Sherlock Holmes ou Philo Vance. Os que eu aprecio são a Miss Marple, a Mma Ramotswe, o Poirot, o Foyle, o Jaime Ramos e o Maigret, ou aqueles seres anónimos e sem graça que se revelam nos policiais, cheios de defeitos e de vícios mas argutos e, bem lá no fundo, generosos e capazes de entregas totais, de renascimentos memoráveis.


 


Este fim-de-semana comecei a saborear uma das muitas séries já realizadas com base nos livros da Agatha Christie, em que a espertalhona e mexeriqueira Miss Marple observa as águas paradas da vida de todos os dias e descobre mundos invisíveis e inconfessáveis.


 


É uma boa maneira de vencer a crise. Pelo menos desligamo-la por algumas horas.


 

(Não) Somos todos Iguais


 


Há alguns dias, em acesa discussão com uma amiga, à volta de um jantar que tentava apagar a exaustão que nos acabrunhava, afirmava eu com toda a convicção que o povo somos nós, bons, maus, corruptos, rigorosos, iguais a todos os que tanto condenamos e desprezamos. Ouvi uma resposta meio azeda meio séria, de quem se sente mal pelo que diz, mas convencida da sua razão, de que não, não somos todos iguais, que ela não se sentia parte daquele povo mal educado e vigarista, oportunista e ronceiro.


 


Hoje, ao inteirar-me da forma como o Benfica reagiu à vitória do Futebol Clube do Porto, também eu afirmo que não faço parte do povo que mandou fechar as luzes e abrir a rega, não sou igual a quem atira pedras, a quem faz da selvajaria a relação com o seu pequeno mundo. De facto, ainda bem que não somos todos iguais.


 

03 abril 2011

De passagem


 Shinpei Kusanagi: grace


 


De passagem


sem palavras nem paisagem


corre o murmúrio da terra


o barco pela margem.


 


De passagem


percorro o sentido da mensagem


desfaço  o mapa


continuo de viagem.


 

01 abril 2011

A seguir à Páscoa...


 


Flores vermelhas na rua.


 

Das notas que tomamos (3)

 


 



Coerência e sentido de estado:



  • Cavaco Silva, no discurso de posse, deu o tiro de partida para eleições antecipadas.

  • O Presidente manteve um silêncio inaceitável e politicamente sepulcral nas vésperas da anunciada demissão do governo, dando total cobertura ao chumbo do PEC IV, esquecendo o que, para amedrontar os votantes avisou da irritação dos mercados se ele não fosse eleito à 1ª volta.

  • Passos Coelho não apoiou o PEC IV porque era quadro típico de ajuda externa que tinha medidas extremamente gravosas e injustas.

  • Há uns meses Passos Coelho avisava que se o governo pedisse a intervenção externa era a prova de que tinha falhado, no que foi secundado por Cavaco Silva.

  • Neste momento Passos Coelho diz que o PSD apoiará o governo se este pedir a intervenção externa. E afirma que não apoiou o PEC IV não por irem longe de mais, mas porque não iam suficientemente longe.

  • O Presidente acha que um governo de gestão pode pedir ajuda externa.

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