Mikhail Larionov: Mulher com leques
esboço de traje para o ballet Histórias Naturais (1916)
Enfrento o dia em que quase fecho a porta a meio século de vida. Tantos anos acompanhados de sabores e dissabores, amigos e inimigos, vitórias e derrotas, dias bons e dias maus. Já passei cabos de tormentas, cabos de esperança e estou a ultrapassar o cabo dos afrontamentos. Aviso quem ainda não chegou lá que a travessia é lenta e caprichosa, estando as munições secretas sempre no local errado da hora certa.
Festejei ao jantar n’A Tasca da Esquina. Fui lá parar através do blogue Mesa Marcada, ao qual fui parar a partir do Mainstreet, agradecendo a ambos.
É um local mesmo à esquina, como o próprio nome indica, quando se sai da Rua Ferreira Borges, (Campo de Ourique) e se vira imediatamente à direita, para a Rua Domingos Sequeira. Quem me conhece sabe que isto até parece ficção, mas decorei os nomes e o mapa, para além de ter um motorista com sentido de orientação.
A Tasca é pequena, com uma temperatura um pouco acima do confortável. Para isso também contribuiu a garrafa do excelente tinto alentejano Casa Santa Vitória de 2008, que nos foi aquecendo à justa medida do avançar dos pratos e da noite.
Escolhemos um menu de degustação composto por sopa e 4 pratinhos. Como é habitual nesta nova era culinária, os nomes dos pratos e a explicação do que vamos comer é muito maior e mais complicada do que a comida em si mesma. Mas estava tudo muito bom. A sopa de tomate com requeijão era deliciosa, nem quente de mais nem fria; a entrada de paté de caça com tostinhas besuntadas com azeite e alecrim, acompanhadas de picles de pêra, deliciosa; a seguir veio camarão com molho de pimentos, extraordinário; depois atum meio cru com molho de coentros, que era bom, mas nada de especial (atum não é prato da minha predilecção); por fim uns filetezinhos de vazia, também muito mal passados, com farófia de milho, batatas fritas e molho de manteiga de alho que sabia muitíssimo bem.
A meio da refeição fomos surpreendidos por um mini rancho folclórico da Casa do Minho, que estava com tanta vontade de acabar o ano que cantou as janeiras. Mas cantou-as muito bem!
Finalmente escolhemos creme queimado e farófias como sobremesa, rematando com café – divinal.
Bem reconfortada, o próximo ano será de lutas e desafios. De leque(s) em punho, com o vigor e a sapiência de uma verdadeira matrona, espero chegar aos cinquenta. E isto é mesmo uma ameaça.
Parabéns.
ResponderEliminarCom esse jantar, acabaria no Hospital de S. José, com uma glicémia de "morte"!!!!!
Saudações do
ACÁCIO LIMA
Obrigada, Acácio. Bom Ano.
EliminarMuitos parabéns, Sofia.
ResponderEliminar[Não resisto a um apontamento pessoal: o meu pai fazia anos neste dia.]
Embora com um dia de atraso, muitos parabéns!
ResponderEliminarBeijo