Brian Kershisnik - Nativity
Nunca percebi porque se deseja um Santo Natal. Mesmo quem é cristão, quem acredite que Jesus é filho de Deus, que veio ao mundo para nos salvar, como santifica o Natal?
Que faz um Natal mais santificado que outro? A quantidade ou qualidade das iguarias, o número de presentes que se espalham pelo chão, as horas que se passam na cozinha, o desperdício e a gula frenética que varre todas as almas e, principalmente todos os corpos?
O que é um Natal Santo? A pobreza a que não chega a roupa, a comida, o carinho? A solidão, a tristeza, o desespero? Os ódios e os ressentimentos familiares, os velhos que adormecem isolados, as carrinhas das boas vontades, aquelas que têm dias e horas marcadas?
Todos os anos me pergunto o que é um Santo Natal, quando as pessoas mo desejam, eu que não sou mesmo nada santa, que vejo esta época como um hino à hipocrisia generalizada, como a festa de tudo o que é contrário aos sentimentos e actos de solidariedade descomprometida, de genuína vontade de abrir os braços e tentar abraçar o mundo.
Pois eu desejo que neste Natal todos os que vivem de incertezas práticas e objectivas ou apenas de sentimentos contraditórios, aqueles escuros e pesados que tantas vezes nos assaltam, possam olhar para si e encontrar forças para se animar, ou ao seu amigo, ao seu vizinho, ao seu familiar e, ao acordar no dia seguinte, naquele dia em que já se esqueceram os votos de paz e felicidade, consigam procurar uma solução.
Pois eu espero que todos os que todas as noites de todo o ano velam silenciosamente pelo doce articulado da sociedade, tenham alguns momentos de calma e convívio. Eles é que são os Santos dos nossos Natais.
(Também aqui)
Assino por baixo.
ResponderEliminarComo ateu, não tenho nada para comemorar no Natal.
Santos à parte, há atavismos que por acaso até são pagãos, cuja comemoração não trás mal ao mundo e, muitas das vezes, constituem uma oportunidade para reencontros reais ou virtuais, "adiados pelas distâncias".
ResponderEliminarA vertente religiosa passa-me ao lado. A deriva consumista e a rábula hipócrita do costume, servem a quem servem, nada me dizem, para além da denúncia.
Boas festas se for o caso.
Um abraço
Além disso, parece-me que o emprego dessa expressão "Santo Natal" também serve para quem a usa, se posicionar social e ideologicamente - já em 1971, num famoso disco então enviado aos soldados no "Ultramar", se pode ouvir Cilinha Supico Pinto a desejar aos soldados um "Santo Natal".
ResponderEliminarClaro que depois disso, a cópia da prática pelo "povão" leva à sua "proletarização" como aconteceu com o cumprimento com um só beijinho, o tratamento por "tia" ou o hábito de adicionar ao nome dos rapazes o nome feminino "Maria"...
Para mim, santo, só mesmo o santinho dirigido a quem acabou de espirrar...
:)
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