04 outubro 2009

Um dia

 



 


Mercedes Sosa é uma das permanentes moradoras desta casa.


 


 


Um dia morreremos com o corpo todo


os olhos mais abertos do que em vida


o sangue pesado espesso lívido.


Um dia serão as pernas que esquecem os braços


será a boca que esquece a língua


será a palavra que esquece a memória.


 


 


Um dia olharemos este invólucro marmóreo e frio


por nós abandonado e esquecido


de feridas abertas extintas


nas cinzas exangues árduas secretas.


 

3 comentários:

  1. Belíssima homenagem...

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  2. Mais uma voz inteira que partiu.
    Palavras densas, Sofia.

    :)

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  3. Anónimo23:37

    Para vivir como vives, mejor no morir de viejo...

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