30 setembro 2009

Do regular funcionamento das instituições

 



 


TÍTULO II

Presidente da República

CAPÍTULO I

Estatuto e eleição

Artigo 120.º

Definição

O Presidente da República representa a República Portuguesa, garante a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas e é, por inerência, Comandante Supremo das Forças Armadas.


 


 


Em Agosto do ano passado, a propósito do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores, Cavaco Silva abriu um conflito institucional com a Assembleia da República. Para quem ainda se lembra, o Presidente dirigiu-se ao país queixando-se de falta de lealdade para com ele, pelo facto dos partidos políticos (todos os partidos políticos) não terem feito as correcções que exigia para a sua promulgação.


 


Embora e Estatuto tenha sido aprovado por unanimidade, tudo se passou como se apenas o PS não tivesse acatado as orientações presidenciais. Significativamente, Cavaco Silva não tinha pedido a fiscalização, pelo Tribunal Constitucional, do artigo que o levou a vetar o Estatuto. Nessa altura sugeri que talvez Cavaco Silva tivesse agido propositadamente para obrigar o PS a defender a Assembleia sozinho, ficando com o ónus do início do fim da cooperação estratégica.


 


Neste momento as manobras, que as houve, de manipulação política foram, na minha opinião, engendradas pela Presidência da República com o objectivo, que vem desde essa altura, de intervir activamente no poder executivo, alicerçado ainda no facto de Manuela Ferreira Leite ter assumido a liderança do PSD.


 


Parece-me a única explicação possível para a atabalhoada e desconexa declaração de ontem, pois as manobras foram mal executadas e postas a público. E aquilo que seria uma fabricação de notícias que visavam fundamentar a tese da asfixia democrática e da censura à TVI, tese única e avassaladora da campanha do PSD, transformou-se num pesadelo quando foi publicado o e-mail no DN.


 


Não sei como tudo isto irá acabar. Mas os rumores que se começam a ouvir e as sugestões que já se lêem da hipótese de o Presidente favorecer a formação de um governo de coligação PSD-CDS, demonstram a vontade de alguns em que Cavaco Silva faça um golpe de estado palaciano.


 


Dizem-me que isto não tem importância. Pois a importância que lhe dou é que a definição constitucional de Presidente da República está totalmente desvirtuada. Neste momento o Presidente é o principal causador da desunião do Estado e do irregular funcionamento das instituições democráticas.


 


(É ou não uma excelente teoria da conspiração?)


 

29 setembro 2009

Ressuscitou

 



 


Pacheco Pereira ressuscitou.


 

Dos medos presidenciais

 


Cavaco Silva falou ao país, depois de semanas de silêncio, para dizer que se tinham ultrapassado limites e decência.


 


De facto eu estou de acordo.


 


A declaração do Presidente começou em Agosto deste ano quando o e-email, do qual tem dúvidas da veracidade, tem a data de Abril de 2008.


 


A declaração do Presidente começa pelas acusações de Vitalino Canas em como os seus assessores ajudavam o PSD e de como teria tido o PS acesso a essas informações, quando as mesmas já tinham sido noticiadas no Semanário e no blogue de campanha de Manuela Ferreira Leite.


 


A declaração do Presidente continua pela tese da manipulação não desmentindo categoricamente nem o conteúdo do email nem as suas desconfianças de vigilância.


 


A declaração do Presidente acaba pateticamente com a dúvida da segurança das redes informáticas.


 


Cavaco Silva não está à altura de exercer o seu cargo.


 


Aguardamos penosamente o desenvolvimento dos próximos capítulos.


 

Das explicações presidenciais

 


O Presidente da República fala hoje ao país. Todos estamos ansiosos perante a eventual gravidade de que se revestem as explicações atrasadas do mais alto magistrado da nação.


 


Temos a tese de Pacheco Pereira, em como os assessores do Primeiro-ministro montaram a operação Diário de Notícias, que nuca foi bem explicada até porque a história começou no Público.


 


Cavaco Silva fala hoje ao país. Esperemos que diga alguma coisa.


 

Quino

 


A Mafalda faz 45 anos.


 



 

28 setembro 2009

SIMpleX

 



 


Apesar de tardarem os prometidos cargos, as devidas prebendas e os mais que certos ganhos, sabe-se lá em que géneros ou moeda, que muitos bloguers e comentadores afirmaram que estariam à minha espera, não me arrependo de ter feito parte deste projecto SIMpleX.


 


Aqui nos cruzámos provenientes de várias profissões e áreas políticas com um objecto: intervir civicamente na campanha eleitoral de forma a motivar as pessoas a votarem no Partido Socialista.


 


O PS ganhou esta batalha e muitas outras se avizinham. Desde a constituição do governo às difíceis negociações parlamentares que se adivinham nesta próxima legislatura, os tempos que aí vêm pronunciam-se difíceis, exigentes, mas muito interessantes.


 


Às vezes com dificuldade, porque a revolta perante comentários abjectos e provocações estúpidas era impetuosa, este foi um espaço de liberdade e de discussão de políticas, ideias, defesa da governação anterior e exposição de alternativas pouco credíveis ou mesmo inexistentes que, espero, tenha contribuído para o esclarecimento de quem nos leu.


 


A todos os colegas do SIMpleX agradeço esta partilha e, quem sabe, talvez nos encontremos noutras lutas.


 


Nota: Também aqui.


 

27 setembro 2009

Rescaldo

 



 


Ao contrário do que algumas pessoas querem fazer crer, como Francisco Louçã, o PS ganhou as eleições e ganhou-as com bastante folga, a confirmarem-se as projecções eleitorais. Não vale a pena vir agora tentar minorar essa realidade pelo facto de o PS ter perdido a maioria absoluta.


 


O PS ganhou e inequivocamente, com uma maioria que lhe permite formar um governo minoritário.


 


O PSD perdeu irremediavelmente as eleições. Tudo calhou mal, desde a famigerada asfixia democrática, até aos debates perdidos e à falta de discussão política, culminando no desastroso caso das escutas, Manuela Ferreira Leite perdeu as eleições.


 


Francisco Loução e Paulo Portas saem vencedores, aumentando ambos em número de votos e de deputados, capitalizaram os votos dos descontentes do PS e do PSD.


 


Outro derrotado da noite foi o PCP. Não pelo número de votos mas pelo facto de ter sido ultrapassado pelo BE e pelo PP.


 


O último grande derrotado da noite foi Cavaco Silva. Aguardamos impacientes a famosa declaração de esclarecimento dos enredos em que se enredou.


 


E agora Sr. Primeiro-ministro? Vamos ao trabalho, todos, o mais que pudermos, vamos ao diálogo e a determinação, vamos avançar. Foi para isso que lhe demos, de novo, a nossa confiança.


 


Nota: Também aqui.


 

With or without you

 



U2


 


 


See the stone set in your eyes

See the thorn twist in your side

I wait for you


 


Sleight of hand and twist of fate

On a bed of nails she makes me wait

And I wait without you


 


With or without you

With or without you


 


Through the storm we reach the shore

You give it all but I want more

And Im waiting for you


 


With or without you

With or without you

I cant live

With or without you


 


And you give yourself away

And you give yourself away

And you give

And you give

And you give yourself away


 


My hands are tied

My body bruised, shes got me with

Nothing to win and

Nothing left to lose


 


And you give yourself away

And you give yourself away

And you give

And you give

And you give yourself away


 


With or without you

With or without you

I cant live

With or without you


 


With or without you

With or without you

I cant live

With or without you

With or without you

 

Do desconserto

 



 


Seja qual for o resultado, este país não vai ter nem conserto nem saída e estou mais preocupado em ver como é que este pais sai da situação em que está mergulhado


 


Ora aqui está quem é um verdadeiro democrata e acredita no regime democrático.


 

O voto

 



Cartaz oficial para promover o voto para a Assembleia Cnstituinte - 1975 (CNE)


 

Multidão

 



Eleições para a Assembleia Constituinte, 1975 (CNE)


 


Na escola onde votei não estava exactamente assim, mas estava muita gente a entrar e a sair, muita gente em filas de espera, muita gente com ar alvoroçado e contente.


 

26 setembro 2009

Reflectir (2)

 



 


Cartaz oficial para promover o recenseamento eleitoral, antes das eleições para a Assembleia Cnstituinte - 1975 (CNE)


 

Estrada do Sol

 



canta Elis Regina


 


É de manhã, vem o sol

Mas os pingos da chuva que ontem caiu

Ainda estão a brilhar

Ainda estão a dançar

Ao vento alegre que me traz esta canção


 


Quero que você me dê a mão

Vamos sair por aí sem pensar

No que foi que sonhei

Que chorei, que sofri

Pois a nossa manhã

Já me fez esquecer

Me dê a mão vamos sair

Pra ver o sol


 

Reflectir (1)

 



desenho de Adam Grossi


 


Hoje, ao contrário dos outros dias, deve reflectir-se. Ninguém sabe exactamente em quê, como se faz para reservar um dia em que os nossos olhos, a nossa mente, o nosso corpo todo se inclina para o lado do pensamento.


 


Será de lado, de frente? Será às escuras, à janela, ao ar livre, na solidão das paredes do nosso cérebro, em silêncio ou a cantar?


 


Hoje, ao contrário dos outros dias, deve reflectir-se. Nos dias que passam tão iguais que praticamente não se distinguem (Não é o tempo que passa depressa, na pressa de nos esquecermos do que se passa. É o espaço onde acontece a vida que se repete, uma e outra vez, na voragem dos hábitos e das regras que espartilham a nossa sobrevivência.) apenas usamos a mecânica, o levanta e lava e escova dentes e engole comprimidos e engole café e liga a ignição e pára nos sinais e boceja e refaz os dias anteriores como um filme e faz malabarismos para adivinhar o que se vai seguir e lembra-se de que a casa pode não ser a mesma quando voltar, e acelera para chegar à rotunda e…


 


Mas hoje abre-se uma clareira e tudo se vê mais colorido, mais preto e branco, tudo se ouve com mais nitidez, tudo se descodifica e resolve.


 


Hoje, ao contrário dos outros dias, deve reflectir-se. Hibernamos na vida e reflectimos na inutilidade do dia-a-dia sem pensar e da existência de dias obrigatoriamente reflexivos, na inutilidade de suspender aquilo que nos encaminha para decisões minúsculas, minoritárias, caóticas, suaves, muitas erradas e poucas certas.


 


Reflictamos, pois.

 

25 setembro 2009

Declaração de voto

 


Pergunto-me muitas vezes a razão de ser da minha necessidade de intervenção cívica, nomeadamente política, sem que esteja nos meus horizontes algo mais do que isso mesmo: escrever. Talvez a noção de compromisso com o outro, da dependência e interligação entre os seres humanos, do sentido de obrigação que, como elo de uma cadeia das relações afectivas, profissionais e sociais, devemos à construção da nossa vida.


 


Ao contrário do que, para outros, se basta na manifestação de vontade no acto de votar, a troca e o debate de ideias são, para mim, muito apelativos. Por isso, embora tenha uma noção muito exacta da falta de alinhamento com muitas das práticas dos nossos representantes e responsáveis políticos, não me podia de todo alhear deste combate que é a campanha para as eleições legislativas, numa altura em que está em causa a continuação de um projecto globalmente reformador e renovador, em oposição a uma alternativa com contornos pouco definidos, que se afirma apenas por aquilo que não quer e que não sabe, por muito importante que a clareza do que se nega seja um factor fundamental para as opções que vamos fazendo.


 


Até domingo é preciso reunir todas as formas de intervenção, as mais opinativas, as mais contemplativas, as mais silenciosas, e motivá-las para a importância de exercerem o seu direito, que é também um dever, de participarem colectivamente na decisão do que vai ser este país nos próximos quatro anos. Porque é de uma legislatura de quatro anos que falamos, da governabilidade numa altura de grandes dificuldades económicas, de desânimo e desespero para muitos desempregados, de angústia para muitas famílias.


 


Ao contrário do que todos os partidos da oposição propagandeiam, não é a liberdade, a censura ou a falta de transparência democrática que está em causa. Quem for eleito sê-lo-á em eleições democráticas e assumirá o poder com toda a legitimidade. O que importa é o que se pode e se quer fazer com esse poder. E essa é a diferença que importa à vida do dia-a-dia, à perspectiva que temos do que podemos e queremos atingir.


 


A minha escolha é votar PS. Seja qual for a vossa não deixem de a expressar nas urnas.


 


Nota: Também aqui.

 

Inadmissível

 


É inadmissível que continuem este tipo de comentários e mistérios. A manutenção deste clima de suspeição corrói qualquer resquício de confiança.


 

Falta de seriedade

 


A Quadratura do Círculo, ontem, mostrou um José Pacheco Pereira inacreditavelmente delirante.


 


O PS e o Engº Sócrates são capazes de tudo, tal como operação política que tem como o alvo o Presidente da República, a TVI e o jornal Público, leia-se a o mais alto magistrado da Nação  e a liberdade de imprensa, entrecortado pelo eu bem sei como é, foi verdadeiramente triste.


 


Mais triste ainda é a sensação que parece ficar, veiculada pelo PSD, de que Cavaco Silva desvendará o mistério, ou não, conforme quem ganhar as eleições.


 


Isto é tudo menos sério.


 

24 setembro 2009

Náusea

 



pintura de N.S. Harsha: náusea


 


Move os dedos com a lentidão com que pensa, com que sente, com que mente. Junta pequenos esgares de falta de jeito, de falta de senso.


 


Não sabe se falta o Outono ou se sobra o Verão. O cansaço faz-se da viagem que nunca acaba.


 


Reestrutura e recomeça e refaz, num ciclo infinito de entusiasmos e desesperos, num tempo imerecido de muito e de pouco. Não se basta nem se gosta nem se acha capaz de seguir.


 


Para quê e para quem, porque sim e porque não, eternamente insatisfeita e descontente, com arroubos apaixonados de vícios e virtudes. Larga máscaras e peles, mas não a larga a vida assim, pesada e sem brio, que arrasta até à náusea.


 


Ausência congénita de se sentir amada. Até à náusea.


 

23 setembro 2009

Escolher

 



 


Estamos a poucos dias das eleições legislativas. A pré-campanha iniciou-se sob o signo da vitória do PSD nas eleições para o parlamento europeu, em que Paulo Rangel, Aguiar-Branco e Pacheco Pereira, para só citar alguns, deram o tiro de arranque para a estratégia que Manuela Ferreira Leite iria seguir.


 


Essa estratégia seria baseada nas insinuações e suspeições sobre o carácter de Sócrates, a promiscuidade entre o PS e o estado, o autoritarismo, a apropriação dos meios de informação, e o intervencionismo na economia. Assim surgiu a superioridade moral da Verdade em oposição às mentiras de Sócrates e a asfixia democrática, sem que se pudesse compreender quais as propostas e alternativas de governo do PSD. O silêncio foi a arma da cuidadosa direcção do PSD.


 


Mas aquilo que é construído com pés de barro, com casos fabricados e a criação de factos políticos para lançar cortinas de fumo em relação ao verdadeiro vazio ideológico do maior partido da oposição, não se consegue manter durante muito tempo. E quando menos se esperava, a laboriosa teia de pseudo-censuras, de pseudo-verdades, de pseudo-alternativas, rompe-se com estrondo pela mão de quem menos se esperaria, o Presidente da República.


 


No dia 27 de Setembro temos que escolher entre um partido que teve a coragem de governar com o objectivo do bem comum e um partido que não tem nada para oferecer a não ser negar o óbvio, desdizer-se permanentemente, mostrar a irresponsabilidade que tem em assuntos sérios, desonrar os compromissos que assumiu, rasgar e não rasgar as políticas sociais, económicas, de educação e de saúde e, pior que isso, mostrar uma incrível falta de respeito pela própria democracia.


 


No dia 27 de Setembro temos que escolher entre um partido que teve a coragem de governar com o objectivo do bem comum e outros que acenam com políticas económicas e sociais que já provaram a sua incapacidade e iniquidade, num regresso a um passado que alguns tentam apagar, à esquerda e à direita.


 


No dia 27 de Setembro temos que escolher, temos que votar.


Nota: Também aqui.


 

22 setembro 2009

Réstia

 



 


Guardo a um canto a réstia

do que sobra de dias sem história

sem chama

sem glória.


 


Porque sou do mesmo molde

do mesmo sangue que nos acompanha.

 

21 setembro 2009

Conspirações (4)

 



 


Depois de ter dito em Agosto que havia manobras para distrair os portugueses da gravidade do desemprego e da crise, depois de ter falado na liberdade de expressão aquando do despedimento de Manuela Moura Guedes, depois de ter falado de segurança nas suas indagações futuras pós eleitorais e da não ingenuidade da jornalista e do Presidente, Cavaco Silva resolveu demitir Fernando Lima.


 


Será que Cavaco Silva estava à espera que saísse num jornal o nome do assessor para o demitir?


Será que Cavaco Silva está a tentar reduzir os danos?


Será que Fernando Lima extravasou os seus deveres e os seus temores?


Será que Fernando Lima agiu por conta própria?


Será que Cavaco Silva só soube que era Fernando Lima depois do famoso email ter sido publicado?


 


Este Presidente, a menos de uma semana de eleições legislativas, tem todos os holofotes em cima dele.


 

20 setembro 2009

Conspirações (3)

 



 


Todos estávamos impacientes à espera da continuação do artigo do Provedor do Leitor, Joaquim Vieira. O artigo publicado hoje - A questão principal - mostra como a liberdade de informação é apenas uma intenção mas que a claustrofobia democrática é uma realidade na redacção do Público.


 


Para além da questão da forma como José Manuel Fernandes, o Público e o grupo Sonae entendem ser o papel da imprensa livre num país democrático, bem patente na opinião de Belmiro de Azevedo em como alguns governantes (...) querem mandar no Público sem pôr lá dinheiro nenhum, há uma muito mais importante questão que é urgente clarificar:


 


O Presidente da República fabricou ou não um facto político para enfraquecer a imagem de Sócrates?


Porque quer o Presidente esperar pelas eleições? As suas explicações e os seus esclarecimentos dependem de quem vencer as eleições?


 

19 setembro 2009

Melhor com os dois olhos

 



 


A agitação política, eleitoral e laboral têm-me arredado de responder à Donagata, que tão amavelmente resolveu galardoar-me com o prémio Vale a pena ficar de olho nesse blog!


 


Ora muito agradeço a consideração, embora preferisse que fitassem o blogue com os dois olhos, pois é sempre melhor ver claramente visto, e a visão binocular ajuda a dar alguma noção de profundidade.


 


Incumbe-me agora a Donagata de premiar mais uns tantos blogues e eu, que sou cumpridora, assim o faço com todo o gosto.


 


Fiquem portanto de olho nestes blogues, que vale mesmo a pena.


 


ARdoTEmpo


correio preto


fado positivo


Garfadas on line


Herdeiro de Aécio


Léxico Familiar


Mainstreet


MÁTRIA MINHA


respirar o mesmo ar


Senhor Palomar


 


É só continuar.


 

Privado vs público

 


A vida privada dos políticos, a forma como se vestem, os filmes que vêem, as comoções que os comovem são matéria totalmente acessória, anedótica, frívola, que fica bem nas revistas cor-de-rosa ou em pequenos apontamentos humorísticos de pé de página.


 


A confusão entre o público e o privado, o julgamento da capacidade e competência dos políticos, a que se convencionou chamar figuras públicas para justificar a intrusão mais indecente numa informação a que temos direito, é a marca da mediatização e da ditadura da imagem.


 


São disso exemplos a forma como foram comentadas os programas a que os líderes partidários se sujeitaram Como nunca o viu, com excepção de Manuela Ferreira Leite, honra lhe seja feita, a importância e relevância da prestação dos mesmos líderes nos programas do Gato Fedorento, que quase suplantam e importância os debates eleitorais a que assistimos nas televisões, assim como as notícias das aplicações financeiras de Francisco Loução e outros militantes do BE.


 


Embora perceba que há declarações que abram a porta a este tipo de escrutínio, não me parece lícito nem relevante que os líderes partidários tenham que ver as suas vidas privadas expostas. Para isso eles próprios têm que a respeitar e não cederem à tentação de serem simpáticos, apelativos ou intelectuais. Todos sabemos que a política é um espectáculo, mas não precisa de ser um mau espectáculo.

 


Nota: Também aqui.


 

Decência democrática

 


A uma semana das eleições os dois maiores partidos mantém as hipóteses de as vencer. As últimas sondagens têm resultados algo díspares mas, no essencial, mostram o PS ligeiramente à frente do PSD e o BE como terceira força política.


 


A uma semana das eleições nota-se, no entanto, o desespero de quem não conseguiu aproveitar a onda dos resultados das europeias. A campanha a que assistimos, em que  todos os partidos se uniram com o objectivo de derrotar o PS e José Sócrates, tem penalizado predominantemente o PSD. Manuela Ferreira Leite e os seus conselheiros parecem não entender que as suspeições e as insinuações fazem pior à democracia e à credibilidade de quem as alimenta do que os melhores currículos académicos, as mais rígidas e austeras posturas, os maiores protestos de verdade e de rigor.


 


À falta de argumentos, de ideias e de alternativas, à falta de uma evidência clara de má governação, o PSD caiu no descrédito de que acusa o PS. As comparações deste governo com os governos anteriores são claramente desvantajosas para o PSD, a contínua tentativa de instrumentalização dos indicadores económicos e sociais existentes em 2005 e em 2008, desvalorizando a crise mundial que se iniciou em 2008, a vontade expressa de recuar no que se fez durante os últimos 4 anos não é séria e descredibiliza o discurso do PSD.


 


A uma semana das eleições os rumores, os boatos e a fabricação de factos políticos que parecem directamente patrocinados pela Presidência da República, se não mesmo pelo próprio Presidente, mostram até que ponto existe dentro do PSD o sentimento de uma derrota anunciada.


 


Os problemas do país não se compadecem com os truques do PSD, com a falta de isenção do Presidente, nem com os tiques sacerdotais e iluminados do BE, nova bengala da falta de soluções ideológicas e práticas de Manuela Ferreira Leite.


 


A vitória do PS, com todas as suas diferenças e idiossincrasias, com os seus erros e acertos, com todos os críticos e indefectíveis, defensor do pluralismo, da tolerância e da liberdade, aparece quase como um imperativo de decência e de saúde de uma democracia em que alguns actores, enredados nos seus labirintos, cegos para o futuro e para os interesses nacionais, tropeçam nos próprios passos e, afinal, pouco têm a oferecer ao país.


 


Nota: Também aqui.

 

Mistificação antidemocrática

 


É absolutamente inaceitável que Manuela Ferreira Leite lance a suspeição de que teme represálias, para ela ou para os seus companheiros de partido e de campanha, caso o PS ganhe as eleições.


 


É de uma irresponsabilidade e de uma baixeza política que não têm nome.


 


Se é esta a credibilidade que Manuela Ferreira Leite tem, não sabe o que isso é.


 


Este tipo de ameaças são perigosas e revelam o desespero de quem sabe que vai perder as eleições. Quem usa assim a noção de liberdade, como Manuela Ferreira Leite, Aguiar Branco, Pacheco Pereira e Paulo Rangel, não merece a confiança de ninguém.


 


Nota: Também aqui.


 

18 setembro 2009

Conspirações (2)

 



 


O DN trouxe a público mais elementos que, a serem verdade, configuram uma fabricação por parte do Presidente da República, de um facto político com o objectivo de denegrir a imagem do governo e de José Sócrates.


 


Mal posso esperar pelo Público de Domingo. A nota editorial do Público apenas confirma, nas entrelhinhas, a notícia do DN, levantada por Joaquim Vieira, no Domingo passado. Não se negam a existência ou os conteúdos do mail. O envolvimento do SIS por José Manuel Fernandes parece um disparar para todas as direcções, para ver se distrai alguém.


 


O Presidente da República deveria ser o garante do normal funcionamento das instituições democráticas.


 


Adenda: Há várias coisas estranhas em tudo isto. Como se tem acesso a um email? Como se publica um email pessoal, com mome de remetente, etc? Isso não é ilegal? Quem passou o email para os jornalistas do DN? Quais as fontes do DN? Como é possível José Manuel Ferandes ter acabado de afirmar que só em Agosto se assumiram as suspeitas de escutas quando Joaquim Vieira afirma que este assunto se iniciou há 1 ano?


 

17 setembro 2009

Desaperta

 


 


pintura de Teresa Dias Coelho


dor


 


Nem sempre a sombra se aperta

ao largo das pedras dos sinos

nem sempre o laço se solta

nos subúrbios do destino

nem sempre os corpos se moldam

nos meandros dos caminhos

mas sempre a dor desaperta

no gotejar da solidão.

 

One

   


 



 U2


 


 


Is it getting better?

Or do you feel the same?

Will it make it easier on you now?

You got someone to blame

You say

One love

One life

When it's one need

In the night

One love

We get to share it

Leaves you baby if you

Don't care for it


 


Did I disappoint you?

Or leave a bad taste in your mouth?

You act like you never had love

And you want me to go without

Well it's


 


Too late

Tonight

To drag the past out into the light

We're one, but we're not the same

We get to

carry each other

carry each other

One


 


Have you come here for forgiveness?

Have you come to raise the dead?

Have you come here to play Jesus?

To the lepers in your head


 


Did I ask too much?

More than a lot.

You gave me nothing,

Now it's all I got

We're one

But we're not the same

See we

Hurt each other

Then we do it again

You say

Love is a temple

Love a higher law

Love is a temple

Love is a higher law

You ask me to enter

But then you make me crawl

And I can't keep holding on

To what you got

When all you've got is hurt


 


One love

One blood

One life

You got to do what you should

One life

With each other

Sisters and my

Brothers

One life

But we're not the same

We get to

Carry each other

Carry each other


One...

One...


 


Can You hear us coming Lord

Can You hear us call

Feel us knocking

We're knocking at Your door


 

13 setembro 2009

Conspirações (1)
















 


Convém pararmos um pouco com a vertigem das campanhas e das sondagens, dos ganhadores e dos perdedores de debates e concentrarmo-nos no que rapidamente passa e parece que não tem importância.


 


O artigo do Provedor do leitor, Joaquim Vieira, no Público de hoje – Subitamente neste Verão - é a crónica de uma mistificação encenada e representada, ao que parece, por um Assessor do Presidente da República e por jornalistas do jornal Público. Esta mistificação estaria a ser preparada desde há cerca de 1 ano, não se percebendo porque é que apenas agora o Público decide publicar uma matéria que, segundo as informações relatadas por Joaquim Vieira, não têm qualquer fundo de verdade.


 


Ou seja, até se percebe – há que derrotar José Sócrates a todo o custo. O Freeport já deu o que tinha a dar, mas ainda há uma nova tentativa com a notícia de mais uma conveniente e oportuna carta anónima, cuja credibilidade não existe, portanto é preciso minar o mais que se pode o relacionamento institucional entre o Primeiro-ministro e o Presidente que é, aos olhos dos cidadãos, um garante da estabilidade e também um baluarte da Verdade, contra toda e qualquer Mentira.


 


Muitas dúvidas nos ficam mas há uma que me preocupa mais que todas as outras: se foi um Assessor do Presidente que montou esta peça de mau teatro porque é que o Presidente não agiu em conformidade? Não sabe? Se sabe, o que espera para agir?





 

Contra a abstenção

 



 


Ontem acabaram os debates televisivos entre os líderes dos principais partidos políticos. Ao contrário do que esperava, pelo espartilho, pela forma e pelo tipo, foram muitíssimo interessantes.


 


Descontando a promoção feita pelas estações televisivas e rádios, como se estivessem a motivar as claques para os vários jogos de futebol, houve uma grande atenção aos debates, o que demonstra que as pessoas estão interessadas e preocupadas com o desfecho destas eleições, que estas eleições são sentidas como muito importantes, que há um regresso à disputa ideológica entre direita e esquerda tendo todos os protagonistas procurado explorar e acentuar os pontos de divergência.


 


Outro aspecto muito importante que esteve presente em toda a pré-campanha, antecedendo até estes meses eleitorais, foi a discussão da honestidade, do carácter, da seriedade e da credibilidade política dos líderes partidários e da forma como os seus partidos se posicionam em termos éticos, acentuado pela direita, mais precisamente pelo PSD. O distanciamento que Manuela Ferreira Leite pretende associar à política e aos políticos, colocando-se para além de todos os outros, numa imagem cara a Cavaco Silva e a outras personagens da nossa vida política, que insinuam e estendem a noção populista da desconfiança nessa coisa podre que é a política, não augura nada de bom, caso venha a triunfar.


 


Mas esse populismo foi também experimentado em grande escala pelo BE. Até nesse aspecto esta pré-campanha tem sido esclarecedora, pois desmontou a pose de superioridade moral da esquerda pura, grande e verdadeira, apocalíptica e solidária, imagem que se tinha colado à liderança de Francisco Louçã. Os episódios de Joana Amaral Dias e da concessão da auto-estrada do centro à Mota-Engil são apenas dois exemplos da forma de estar na política de Francisco Louçã.


 


Torna-se crucial que os partidos consigam mobilizar os cidadãos contra a abstenção. É indispensável que a participação cívica seja cada vez maior, mais animada, mais viva, mais discutida. À esquerda e à direita há que apelar ao voto. Não votar é colocar em causa a essência da própria democracia representativa.


 


Nota: Também aqui.

 

Dúvidas blogosféricas

 



 


O exemplar e arguto João Gonçalves, que me brindou com a sua excelsa atenção por causa do meu embasbacamento com um mero produto televisivo, de tão certo das suas certezas, acabou por acordar algumas dúvidas no meu crédulo espírito:


 


Será que quem escreve os seus posts é mesmo o João Gonçalves?


Será que não tem um personal trainer, um assessor, cedido por Santana Lopes ou por Manuela Ferreira Leite, que lhe ajeita a prosa?


 


É que, a avaliar pela sua postura na blogo conferência com José Sócrates, ninguém diria que aquela pessoa de voz amável, a pedir desculpa e a justificar-se pelas suas discordâncias, demorando mais nestes prólogos do que na pergunta em si, ninguém imaginaria que ali estava o autor do portugal dos pequeninos, assim mesmo com letra pequena, como ele.


 

12 setembro 2009

Combate 10 - PSD contra PS - rescaldo

 


Na SIC-N estão vários comentadores a tentar convencer os espectadores de que não houve bem vencedores e vencidos, que afinal as coisas não correram assim tão mal a Manuela Ferreira Leite neste último debate.


 


Eu penso que as coisas correram muito mal a Manuela Ferreira Leite. A quantidade de vezes que disse e desdisse, a atrapalhação com os problemas da verdade, das listas, da Madeira, a mudança de posição entre a sua fase de governação e a sua fase de oposição, o TGV, os espanhóis, aquela inacreditável sugestão para Sócrates falar com os camaradas para pararem as manifestações, as SCUT, a sua opinião, que pelos vistos também se alterou, em relação às funções do Estado e, finalmente, o apoio declarado à política de Educação do governo em 2008, ameaçando Sócrates, caso recuasse, seguido da condenação da mesma política depois de assumir a liderança da oposição.


 


Sócrates exagerou nas SCUT e não respondeu a várias perguntas. Penso mesmo que Clara de Sousa, que esteve bem, foi um pouco mais tolerante para os tempos de Sócrates do que para os de Manuela Ferreira Leite.


 


Se este debate foi decisivo? Disso já duvido. Mas confirmou a melhor preparação de Sócrates e não fez muito pela credibilidade de Manuela Ferreira Leite.


 


Nota: Também aqui.


 

Combate 10 - PSD contra PS

 



 

Deles

 



 


O brilhozinho, os braços de aranhiço, o brilhozinho, o sorriso de esguelha, o brilhozinho, a velocidade dos dedos, o brilhozinho, a expectativa do recomeço.


 


Em todos os palcos, em todas as tintas, em todos os sons, por todas as letras e algarismos, são nossos e já não são, são deles e sempre serão, os dias de cinza e de glória, o aplauso e a demissão, o quarto escuro, a biblioteca, os transportes, as lágrimas e os suspiros, serão sempre deles e eternamente nossos.


 


O brilhozinho esparramado na cama, a acordar. O querer ao alcance da vontade.

 

11 setembro 2009

Estimativas eleitorais (3)









 



 


A Marktest também divulgou uma sondagem. Hoje é o dia de todas as sondagens.


 


Ao contrário dasanteriores, esta sondagem dá um grande aumento de intenções de voto ao BE o que, a confirmar-se, repetirá o fenómeno PRD. Ciclicamente aparecem os moralizadores da vida pública que, tão rapidamente aparecem como desaparecem. O BE não é novidade. A novidade é a capitalização do descontentamento de alguns sectores da sociedade, principalmente os ligados à função pública. Será muito interessante seguir o discurso de Francisco Louçã, pois a sua ambição é transparente e será difícil manter a atitude anti-poder. Será altura de renovação no BE?


 


Quanto aos grandes partidos, a sondagem não difere muito das outras duas. Mais uma vez, é entre estes dois partidos que se disputará a vitória.


 


Tempos muito interessantes e muito importantes se avizinham. É preciso que todos se mobilizem, é preciso que todos participem, é preciso que todos votem.


 


Nota: Também aqui.


 

Manifiesto

 


 



Victor Jara


 


 


Yo no canto por cantar

ni por tener buena voz,

canto porque la guitarra

tiene sentido y razón.


 


Tiene corazón de tierra

y alas de palomita,

es como el agua bendita

santigua glorias y penas.


 


Aquí se encajó mi canto

como dijera Violeta

guitarra trabajadora

con olor a primavera.


 


Que no es guitarra de ricos

ni cosa que se parezca

mi canto es de los andamios

para alcanzar las estrellas,

que el canto tiene sentido

cuando palpita en las venas

del que morirá cantando

las verdades verdaderas,

no las lisonjas fugaces

ni las famas extranjeras

sino el canto de una lonja

hasta el fondo de la tierra.


 


Ahí donde llega todo

y donde todo comienza

canto que ha sido valiente

siempre será canción nueva.


 

Combate 9 - CDS contra BE / BE contra CDS - rescaldo













 


O debate entre Paulo Portas e Francisco Louçã foi um autêntico espectáculo, a raiar o circense, com os gráficos que Paulo Portas exibe, com a rapidez e perícia de um prestidigitador.


 


Houve demagogia e populismo quanto baste mas a prestação de Paulo Portas foi de tal maneira exagerada, com a história do General sentado em frente dele e do bater de porta em porta para lutar de forma titânica pelos empregos das OGMA, e a enumeração das coisas maravilhosas que fez a favor da pobreza e dos pensionistas que quase ofuscou Francisco Louçã.


 


Este, no meio do espectáculo, deu uma nota de seriedade na discussão da política de segurança e na política de imigração.


 


Enfim, um combate de gigantes mas que, penso eu, não vai modificar muito o sentido de voto dos indecisos. Mas claro, convém ouvir os comentadores da SIC-N e da RTP-N para termos a certeza do que devemos pensar.


 


Nota: Também aqui. 


 

Estimativas eleitorais (2)









 


A Eurosondagem não tem uns resultados muito diferentes.


 




 


Os dois grandes partidos estão empatados. Os próximos dias serão muito importantes para mobilizar os abstencionistas ou aqueles que ainda poderão mudar o seu voto.


 


Nota: Também aqui.


 







Na mão, em dedos leves



 


Poema de Jorge de Sena


Escultura de Sassona Norton


To Whom Do I Pray


 


Na mão, em dedos leves e suspensos,

sentir o fluido peso que se esquiva.


 


Ou, com dedos recurvos que se tocam,

cingir musculaturas delicadas.


 


Ou, prolongando em dedos a mão toda,

medir quanto de carne ali se amplia.


 


A mão conhece o que mal olhos vêem.

 

My Immortal

 



Evanescence


 


 


I'm so tired of being here

Suppressed by all my childish fears

And if you have to leave

I wish that you would just leave

'Cause your presence still lingers here

And it won't leave me alone


 


These wounds won't seem to heal

This pain is just too real

There's just too much that time cannot erase


When you cried I'd wipe away all of your tears

When you'd scream I'd fight away all of your fears

And I held your hand through all of these years

But you still have

All of me


 


You used to captivate me

By your resonating life

Now I'm bound by the life you've left behind

Your face it haunts

My once pleasant dreams

Your voice it chased away

All the sanity in me


 


I've tried so hard to tell myself that you're gone

But though you're still with me

I've been alone all along

 

Onze do nove de dois mil e um

 



Escultura de Sassona Norton

9/11 Memorial


 

Estimativas eleitorais (1)













 



 


Esta estimativa da CESOP em relação às legislativas, em comparação com a de Abril, revela uma aproximação entre os 2 grandes partidos, um aumento do CDS, uma ligeira redução do BE e um ligeiro aumento da CDU.


 




É portanto entre o PS e o PSD, como é lógico, que há que fazer a grande escolha.


 




O PSD, pela voz de Manuela Ferreira Leite e Pacheco Pereira nos caminhos da Verdade e pelos perigos da asfixia democrática, existente apenas nas cabeças de quem não conseguiu melhor slogan para disputar uma campanha eleitoral, é a alternativa anterior a 2005, pois os protagonistas não mudaram.


 




O PS é a continuação de uma política reformista e ambiciosa, que aposta na qualificação, no apoio social e no desenvolvimento tecnológico e científico.



 


É esta a decisão de 27 de Setembro.


 




Nota: Também aqui.


 

Mandatária para a juventude (2)

 


Carolina Patrocínio deu uma entrevista ao I.


 


Nela demonstra o que pensa sobre o mundo e a política, que tem preocupações de cidadania, que é corajosa em se expor e que não tem medo de dar a cara por aquilo em que acredita.


 


Ao contrário da minha perplexidade por esta escolha, declarada anteriormente neste blogue, tenho pena de que não tenhamos tido acesso a este tipo de intervenções e de entrevistas antes de e na altura em que Carolina Patrocínio foi escolhida para mandatária da juventude (embora continue a não perceber a vantagem, utilidade ou objectivo da existência de mandatários para a juventude). Fica outra perplexidade, aquela que estranha a pouca atenção que foi dada a este assunto, pela parte dos responsáveis pela campanha do PS.


 


Mas há uma coisa que me penaliza – o esquecimento da reserva e da prudência  na interpretação dos sinais e das imagens que nos inundam, que muitas vezes nos conduzem a raciocínios enviesados e preconceituosos.


 


Sugiro, portanto, que se leia a entrevista, que é excelente e que mostra uma jovem atenta ao que a rodeia e com a generosidade que, dentro das nossas certezas e seriedades, nos atinge e nos convoca.


 


Nota: Também aqui.


 

09 setembro 2009

Amarras

 



Escultura de Josephine Pryde

Chains


 


Da aridez se fez casa dentro do espaço do meu corpo.

Áridos os ventos nas janelas

as mãos escondidas as amarras.


 


Vou ficando cada vez mais eu na minha voz

ecos passados de aconchego abraços do mundo.


 


Gasto o tempo passeando pela solidão.




 

Saúde engripada













 









A pandemia de gripe A está a canibalizar toda a política de saúde. A 3 semanas das eleições legislativas a explicação do que foi feito durante 4 anos assim como o que ficou por fazer, a discussão das propostas para o futuro e as diferenças entre os programas deveriam estar na agenda do partido do governo.


 


Porque, ao contrário do que se tem repetido até à exaustão, mais uma vez pela santa aliança entre os partidos à direita e à esquerda do PS, foram iniciadas reformas importantíssimas na última legislatura.


 


A reforma dos cuidados primários é essencial para a reforma do SNS. Claro que todos os partidos estão de acordo em que se deveria ter feito mais. Mas a verdade é que foi feita alguma coisa com a criação das USF, que modifica a forma de organização existente nos Centros de Saúde, com aumento da multidisciplinaridade dos profissionais, alargamento de horários e de oferta de consultas, assistênca ao domicílio e exames complementares de diagnóstico, reduzindo significativamente o número de utentes sem médico de família.


 


Iniciou-se uma urgentíssima reorganização e referenciação da rede das urgências hospitalares, bandeira única da demagogia e da manipulação das populações, mas que melhora objectivamente a igualdade de acesso a verdadeiros serviços de urgência, com concentração de escassos recursos humanos e técnicos e melhoria da qualidade de assistência médica. O mesmo foi feito com o fechamento das maternidades que não cumpriam os requisitos mínimos internacionalmente aceites, garantindo que as grávidas e os recém-nascidos tivessem uma assistência de qualidade, independentemente do local de residência e da sua capacidade económica.


 


O problema da não rentabilização dos recursos instalados nos Hospitais, com a implementação do controlo de assiduidade, com a clarificação das incompatibilidades entre o serviço público e privado, problema recorrente e que levanta sempre grande celeuma, foi um passo importantíssimo para a melhor utilização daquilo que é a capacidade do SNS.


 


A importantíssima decisão de alterar o regime das farmácias hospitalares, investindo mais na generalização da prescrição de genéricos, deve ser continuada com a implementação da prescrição por DCI e com a possibilidade de despensa de unidose.


 


Há muito a fazer em todos estes sectores e noutros. Era importante que os responsáveis do PS valorizassem o seu Ministério e explicassem as suas propostas, pois urge perceber que há mais problemas e mais projectos para além da pandemia de gripe A e seu combate.


 


Nota: Também aqui.








 

08 setembro 2009

Auto-estradas do Centro

 


Afinal José Sócrates tinha razão.


 


Segundo o DE, a Estradas de Portugal recomendou a não adjudicação da concessão à Mota-Engil e à Edifer pelos grandes desvios (superiores em mais de 100%) entre os preços iniciais e os preços finais.


 


Francisco Louçã estava equivocado.


 


Nota: Também aqui.


 

Combate 6 - BE contra PS - rescaldo

 


Sócrates conseguiu desmontar a demagogia populista de esquerda de Francisco Louçã, não largando a perda dos benefícios fiscais, fazendo com que Francisco Loução perdesse um pouco o ar professoral, de superioridade moral que o caracteriza. O acenar de Sócrates com o aumento fiscal para a classe média foi arrasador, mas insistiu demasiado.


 


Louçã conseguiu atrapalhar Sócrates nas adjudicações das autoestradas e nos contentores.


 


Francisco Loução descompôs-se; Sócrates recompôs-se.


 


Judite de Sousa foi totalmente ignorada.


 


Penso que José Sócrates ultrapassou muito bem este debate.


 


Nota: Também aqui.


 

07 setembro 2009

O descrédito do PSD

 


É impossível não comentar a extraordinária afirmação de Manuela Ferreira Leite sobre a ausência de asfixia democrática na Madeira. Mas o mais fantástico foi a justificação:


 


"quem legitima o poder é o voto do povo e não está ninguém aqui por imposição, é em resultado dos votos"


 


Então Sócrates não foi eleito? Ou será que Manuela Ferreira Leite duvida das eleições de há 4 anos?


 


A credibilidade de Manuela Ferreira Leite e do PSD acaba-se rapidamente com este tipo de declarações. O aproveitamento que fez do caso TVI, muito bem desmontado por Carlos Santos, resulta em reacções como a de Daniel Proença de Carvalho, que distingue entre liberdade de expressão e atentado ao bom nome, difamação e acusações na praça pública.


 


Saíram as primeiras sondagens para as legislativas. Há ainda muito para fazer.


 


Nota: Também aqui.


 

06 setembro 2009

Combate 4 - PSD contra BE / BE contra PSD - rescaldo

 


Mais um debate civilizado, o que é excelente, mais BE contra PSD.


 


Ficaram bem patentes as diferenças entre o BE e o PSD. Mas essas diferenças já eram conhecidas.


 


Aquilo que me espantou foi ter assistido ao arrasar do programa eleitoral (inexistente) do PSD, obrigando-se Manuela Ferreira Leite a concordar pontualmente com Francisco Louçã e a desdizer o pouco que lá está escrito, como por exemplo na segurança social, por um pregador que do seu púlpito falou da liberdade e da responsabilidade, da grandeza da democracia, da violência da insensibilidade, etc.


 


Na questão do emprego e do desemprego Francisco Louçã exibia o sorriso do vencedor. Na saúde Manuela Ferreira Leite acenou com as listas de espera para morrer mas foi de imediato cilindrada pela necessidade que o sistema privado tem de se socorrer do público, precisamente nas áreas mais críticas dos cuidados intensivos, da oncologia, etc. Manuela Ferreira Leite esteve bem quando apelidou as taxas moderadoras para os internamentos e cirurgias de um imposto.


 


Por fim, de uma maneira cordata e serena, Francisco Louçã conduziu Manuela Ferreira Leite para o cadafalso quando se falou do casamento entre homossexuais, uniões de facto e procriação medicamente assistida. Num frenesim, Francisco Louçã perorou sobre a felicidade e o direito de amar que o Estado deve garantir a todo o indivíduo, encurralando Manuela Ferreira Leite no reconhecimento da evolução da sociedade que já não considera isso um tabu, sem sabermos exactamente o que era isso.


 


Louçã esmagou.


 


Nota: Também aqui.

 

De mais ninguém

 



Canta Marisa Monte


 


 


Se ela me deixou a dor,

É minha só, não é de mais ninguém

Aos outros eu devolvo a dó

Eu tenho a minha dor

Se ela preferiu ficar sozinha,

Ou já tem um outro bem

Se ela me deixou,

A dor é minha,

A dor é de quem tem...

 


É meu troféu, é o que restou

É o que me aquece sem me dar calor

Se eu não tenho o meu amor,

Eu tenho a minha dor

A sala, o quarto,

A casa está vazia,

A cozinha, o corredor.

Se nos meus braços,

Ela não se aninha,

A dor é minha, a dor.

 


Se ela me deixou a dor,

É minha só, não é de mais ninguém

Aos outros eu devolvo a dó

Eu tenho a minha dor

Se ela preferiu ficar sozinha,

Ou já tem um outro bem

Se ela me deixou,

A dor é minha,

A dor é de quem tem

mmmh...mmmh...

 


É o meu lençol, é o cobertor

É o que me aquece sem me dar calor

Se eu não tenho o meu amor,

Eu tenho a minha dor

A sala, o quarto,

A casa está vazia,

A cozinha, o corredor.

Se nos meus braços,

Ela não se aninha,

A dor é minha, a dor.

mmmh mmmh...


 

Combate 4 - PSD contra BE / BE contra PSD

 



 

Campanha política e blogues

 


A blogosfera entrou definitivamente nos meios de debate, propaganda, informação e manipulação nas campanhas políticas. Individualmente ou em grupo, todos podemos opinar, ler outras opiniões, debater ideias e comentar as ideias diferentes.


 


Estas eleições são muito importantes pois está a discutir-se qual a estratégia para o futuro do país, com visões opostas em termos de desenvolvimento, modelos económico, de apoio social e de funções do estado, para citar alguns.


 


Por isso se assiste ao agrupamento de pessoas que apoiam campos opostos, na tentativa de fazer da união a força, de criar espaços de verdadeiro debate e esclarecimento de ideias.


 


Infelizmente as boas intenções são arrasadas com grande rapidez. Em contraponto a um blogue formado por um colectivo de pessoas com diferentes formações, formas de estar, posturas ideológicas, que têm como objectivo manifesto comum apoiar a votação no PS nas próximas eleições legislativas, formou-se outro blogue cujo objectivo é, em primeiro lugar, impedir que José Sócrates assuma de novo a função de Primeiro-ministro e, em segundo lugar, apoiar o PSD nas próximas eleições.


 


Sendo assim talvez se compreenda a necessidade que os bloguers do Jamais têm de linkar os posts escritos por intervenientes do SIMplex, tentando desmontá-los, assumindo uma posição de desconstrução em vez de construção. Esta abordagem é empobrecedora no que diz respeito à exposição das razões para se votar de determinada forma, defendendo ideias e programas de acção, mas até poderia servir para incentivar o debate.


 


Infelizmente não tem sido o caso. Aquilo a que se tem assistido é a uma actuação verdadeiramente provocatória, pegando em frases e textos retorcendo-os, transformando ideias em afirmações grotescas, é aproveitar análises transparentes e óbvias para lançar suspeições, uma das estratégias que tem sido mais usada por apoiantes dos partidos da direita, é o achincalhamento de pessoas invocando a despropósito e de forma insultuosa laços familiares, é aceitando comentários vergonhosos, como tem acontecido.


 


É lamentável que uma ferramenta como esta, que é acessível a todos e uma excelente forma dos cidadãos poderem discutir e expor as suas ideias, exercendo a cidadania e fortalecendo a democracia, seja utilizada por pessoas que menorizam a própria ideia de intervenção cívica, transformando-a em negócio e insinuações de tráfico de influências e de futuras benesses, numa claque clubística acéfala e insultuosa.


 


Com a certeza de que esta postura tende a piorar com a aproximação do dia das eleições, fica-se com a sensação de que o deserto de ideias é tal que a única hipótese para alguns está precisamente na criação de factos e de suspeições, discutindo o carácter em vez das pessoas.


 


É esse o espelho em que se revêem.


 


Nota: Também aqui.

 

Nova morada - do Sapo para o Blogger

Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...