30 setembro 2009

Do regular funcionamento das instituições

 



 


TÍTULO II

Presidente da República

CAPÍTULO I

Estatuto e eleição

Artigo 120.º

Definição

O Presidente da República representa a República Portuguesa, garante a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas e é, por inerência, Comandante Supremo das Forças Armadas.


 


 


Em Agosto do ano passado, a propósito do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores, Cavaco Silva abriu um conflito institucional com a Assembleia da República. Para quem ainda se lembra, o Presidente dirigiu-se ao país queixando-se de falta de lealdade para com ele, pelo facto dos partidos políticos (todos os partidos políticos) não terem feito as correcções que exigia para a sua promulgação.


 


Embora e Estatuto tenha sido aprovado por unanimidade, tudo se passou como se apenas o PS não tivesse acatado as orientações presidenciais. Significativamente, Cavaco Silva não tinha pedido a fiscalização, pelo Tribunal Constitucional, do artigo que o levou a vetar o Estatuto. Nessa altura sugeri que talvez Cavaco Silva tivesse agido propositadamente para obrigar o PS a defender a Assembleia sozinho, ficando com o ónus do início do fim da cooperação estratégica.


 


Neste momento as manobras, que as houve, de manipulação política foram, na minha opinião, engendradas pela Presidência da República com o objectivo, que vem desde essa altura, de intervir activamente no poder executivo, alicerçado ainda no facto de Manuela Ferreira Leite ter assumido a liderança do PSD.


 


Parece-me a única explicação possível para a atabalhoada e desconexa declaração de ontem, pois as manobras foram mal executadas e postas a público. E aquilo que seria uma fabricação de notícias que visavam fundamentar a tese da asfixia democrática e da censura à TVI, tese única e avassaladora da campanha do PSD, transformou-se num pesadelo quando foi publicado o e-mail no DN.


 


Não sei como tudo isto irá acabar. Mas os rumores que se começam a ouvir e as sugestões que já se lêem da hipótese de o Presidente favorecer a formação de um governo de coligação PSD-CDS, demonstram a vontade de alguns em que Cavaco Silva faça um golpe de estado palaciano.


 


Dizem-me que isto não tem importância. Pois a importância que lhe dou é que a definição constitucional de Presidente da República está totalmente desvirtuada. Neste momento o Presidente é o principal causador da desunião do Estado e do irregular funcionamento das instituições democráticas.


 


(É ou não uma excelente teoria da conspiração?)


 

7 comentários:

  1. É sim, Sofia.
    Infelizmente, começa-se a agora a perceber o porquê da atitude de Cavaco na altura, sobretudo ao não enviar o diploma para apreciação do TC.
    Ainda bem que a Sofia pegou no Estatuto e descodificou o esquema. Afinal, Cavaco ainda é mais maquiavélico do que eu pensava...
    Cumprimentos.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Qual teoria da conspiração? Assino por baixo tudo o que a Sofia escreveu.

      Eliminar
    2. Caro Lino, eu concordei com a Sofia. Quando disse que era uma excelente teoria da conspiração, foi no sentido de que mais ninguém tinha estabelecido a mesma relação (pelo menos nos blogues e jornais que li), relação que me parece certeira.

      Eliminar
  2. artesaoocioso00:19

    Permita-me que discorde da leitura sobre o Estatuado do Açores.
    Não tem sentido que o órgão Presidente, independentemente de quem ocupa o lugar, tenha menos poderes para dissolver um governo Regional do que o governo da nação.
    Alias o Tribunal Constitucional deu-lhe razão.
    Pessoalmente, acho que a guerrilha institucional tem outras motivações e que não há inocentes.
    Todos os Presidentes meteram o nariz na luta partidária; Eanes até criou um partido e Soares fez a vida negra a Cavaco.
    Sampaio, foi talves o que conseguiu ser mais neutral.
    Cavaco deu um tiro no pé e há muita coisa que ainda não sabemos.
    Cumprimentos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não está em causa a opinião que Cavaco tem sobre o Estatuto dos Açores. Está em causa a forma que escolheu para mostrar que não concordava.

      Todos os Presidentes entraram na luta partidária. Nenhum o fez como este.

      Eliminar
    2. artesaoocioso23:38

      Quanto à forma, não podia ser mais desastrada e grave.
      O que eu gostava de saber é quando começou a guerrilha institucional entre Cavaco e Sócrates.
      Não acredito que tenho sido por causa do Estatuto dos Açores. Acho que é mais antiga e por outros motivos.
      Os meus cumprimentos

      Eliminar

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...