24 setembro 2009

Náusea

 



pintura de N.S. Harsha: náusea


 


Move os dedos com a lentidão com que pensa, com que sente, com que mente. Junta pequenos esgares de falta de jeito, de falta de senso.


 


Não sabe se falta o Outono ou se sobra o Verão. O cansaço faz-se da viagem que nunca acaba.


 


Reestrutura e recomeça e refaz, num ciclo infinito de entusiasmos e desesperos, num tempo imerecido de muito e de pouco. Não se basta nem se gosta nem se acha capaz de seguir.


 


Para quê e para quem, porque sim e porque não, eternamente insatisfeita e descontente, com arroubos apaixonados de vícios e virtudes. Larga máscaras e peles, mas não a larga a vida assim, pesada e sem brio, que arrasta até à náusea.


 


Ausência congénita de se sentir amada. Até à náusea.


 

1 comentário:

  1. Que bem Sofia. Texto intenso, veemente, quase "nauseante" de bom.Só espero que não espelhe nada...

    beijos

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