31 maio 2009

Subjectividade e meritocracia

 



 


No seguimento da entrevista de José Gil e da manifestação dos professores vi, de raspão, uma intervenção de Maria Filomena Mónica ontem, na RTPN, se não estou em erro.


 


Mas o que ouvi deixou-me perplexa. Dizia Maria Filomena Mónica que a avaliação tem de ser subjectiva, que tinha pedido a reforma antecipada porque o ministério queria que ela preenchesse uns formulários e que ela se recusava.


 


Não consigo perceber como é que Maria Filomena Mónica foi avaliada e avaliou ao longo destes anos todos, os conhecimentos, as publicações, os curricula de tantos quantos se cruzaram o seu caminho. Foi pela cor dos olhos, pelo que vestiam, pelo som dos apelidos? Como é que ela própria foi avaliada? Por testes, em que tinha que responder a perguntas iguais às dos seus colegas, que tinham uma grelha de avaliação e que, no fim, somavam um determinado valor? Ou pelos ares de inteligência ou de indigência mental que tinham?


 


Como se pode ser a favor da meritocracia se não há formas de comparar e avaliar? Como se comparam e avaliam procedimentos, atitudes, conhecimentos, aptidões, sem que se tende uma objectividade exemplar? Como se pode dar possibilidade a quem é avaliado de contestar a própria avaliação, se esta não seja o mais clara e transparente possível?


 


É claro que há, e deve haver, algum lugar para a subjectividade. Avaliar pressupõe responsabilidade do avaliador e, por muito que se seja objectivo, as pessoas não são computadores. Essa responsabilidade deve ser assumida e quem avalia deverá prestar contas da sua avaliação.


 


Como é possível alguém que se diz democrata e meritocrata defender uma forma de avaliação que permite um poder discricionário sobre quem está a ser avaliado?


 


Maria Filomena Mónica defende o indefensável, fala de uma escola que já não existe, se é que alguma vez existiu. E se o diagnóstico é que este é um problema que tem oitocentos anos, de certeza que não estaria à espera que alguém o resolvesse em quatro. Muito menos ela própria, cujas ideias não se percebem se são para este século ou para o XIX, onde ela confessa que vive na maior parte do tempo.

 

8 comentários:

  1. assis16:33

    aplica-se a mfm o mesmo que ao antónio barreto: estão obsecados com o sócrates. à mfm temos ainda que adicionar a seu pedantismo ilimitado (para quê e por quê?).

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  2. Boa tarde Sofia,
    Sempre atenta. Não vi a dita entrevista,mas pelo que diz vem na sequência do que tenho lido e ouvido de Maria Filomena Mónica nos últimos tempos ( anos ).
    Para mim o mais surpreendente é como alguém que é uma cientista consegue ser tão simplista e recusar a objectividade num processo de avaliação.
    Curiosamente aqueles que pretendem criticar muitas das medidas do actual governo "atiram" completamente ao lado. São incapazes de aceitar a necessidade de algumas medidas e proporem o seu seguimento ( follow-up ) para posteiormente se fazer a sintese e definir formas de melhorar.
    Sinceramente não consigo perceber esta cegueira.
    E ainda falam dos políticos !!??
    Cumprimentos

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  3. Sofia desculpe a grosseria:

    FM provavelmente foi avaliada, mesmo em Oxford , pelo seu bom aspecto físico

    Como diz o outro, só pode!

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    1. Aviador, estou em crer que Maria Filomena Mónica tinha e tem outros atributos. E de certeza que teve que se prestar a muitas avaliações mais objectivas do que as que, neste momento, defende.

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  4. Já deixei de tentar entender a MFM. Também já passou a fase em que me irritava. Agora deixei de ligar. Ontem só fez espavento. Misturou tudo e, se alguma coisa de interessante tinha para dizer, não se percebeu.

    :))

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  5. Cara Sofia

    Tem toda a razão.
    Foi uma pequena brincadeira.
    Na realidade, a senhora mudou.
    Gostaria de saber com e porquê.

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  6. A MFM sempre misturou análises muito lúcidas com alguns disparates. Há anos atrás analisou de modo muito certeiro os programas e exames de várias disciplinas e mostrou como estavam mal concebidos, como eram superficiais e reféns de modas pedagógicas e académicas pouco consistentes. Mas pelo meio disse algumas asneiras: por exemplo, declarou como sendo ridículo qualquer professor de línguas que levasse um gravador para a aula (por exemplo para ouvir uma canção).
    Parece óbvio que o que se tem de discutir não é a existência de formulários, mas sim o seu conteúdo e provavelmente o seu número.
    As pessoas que criticam o modelo de avaliação que o governo tem tentado impor por ser muito quantitativo erram o alvo. Ser quantitativo é bom. O que tem de se ver é o que é e o que não é possível de ser quantificado e o modo como a quantificação é feita (por exemplo, pretender quantificar a percentagem de positivas dadas por um professor e fazer com que isso tenha uma relação directa com a sua classificação profissional - como queria o governo - é um óbvio disparate, pois levaria em muitos casos à inflação das notas dos alunos).
    Um dos problemas desse modelo de avaliação é que apesar de ser quantitativo nalgumas coisas não evita a subjectividade e a arbitrariedade.
    Relativamente a isso é preciso dizer que os sindicatos e associações de professores não souberam apresentar alternativas: como avaliar a sério, mas de modo justo e objectivo? (Os relatórios defendidos pela Fenprof seriam também subjectivos.) Alguns professores a título individual fizeram propostas válidas mas ninguém quis analisá-las e discuti-las.
    Sou professor mas não me identifico com os sindicatos de professores. Por outro lado, creio que é esta foi a pior ministra da educação de que há memória. Desse meu ponto de vista, é interessante observar pessoas como a Sofia e alguns dos seus leitores - defensores quixotescos do indefensável. É uma atitude que não deixa de ter alguma nobreza, pois manifestamente resulta de convicções e não de interesses.
    Por falar nisso: como resistirão essas convicções às recentes declarações do Presidente do Conselho Científico para a Avaliação dos Professores? O homem foi nomeado pelo governo e aquilo que diz significa que a ministra e os seus secretários de estado só têm feito asneiras - mesmo quando têm objectivos correctos.
    Cumprimentos

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    1. Carlos Pires, obrigada pelo seu comentário. Não conheço as declarações do Presidente do Conselho Científico para a Avaliação dos Professores, mas vou tentar lê-las. O facto de ter sido nomeado pelo governo não o impede de fazer a avaliação que considera correcta.

      Mas, ao contrário do Carlos Pires, penso que esta Ministra foi das melhores ministras da educação que há memória.

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