21 abril 2008

Há um lago na infância


 


Há sempre uma casa antiga na infância


lá para cima


um passo de desarmonia


um vestígio de escadas retiradas


na primeira oportunidade


um lago, há também um lago


na infância sem barco que o possa


atravessar e uma pedreira branca


ambos sem utilidade


e algumas crianças


que pintam a vaga pocilga de pedra


e riem e apanham rãs em vez de fruta


e apanham uvas, também apanham uvas


de outra nacionalidade


e antes de se escrever durante a noite


contra o sono


havia um caminho de terra


incerto apenas nas suas pedras


na útil ambiguidade do solo


 


(poema de Filipa Leal)

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