Ao organizarmos uma sociedade que confia em grupos para lhe providenciar apoio social, segurança, educação, justiça, o que é que esses grupos quererão em troca desse tipo de serviços?
Para quem não tem poder económico para os comprar, esses serviços passam a ser encarados como dádivas de alguns, sendo o preço a pagar por eles a fidelidade e a clientelização, mesmo que os que provêm às necessidades sejam movidos por algo como a noção religiosa e moral do bem e do mal.
Se a sociedade encarar esses serviços como um direito dos cidadãos, tenderá a criar organismos que os assegurem, sem ser em troca de gratidão ou de dinheiro (utilizador/pagador) com a contribuição obrigatória de todos os cidadãos. Ou seja é um dever quando chega a hora de pagar e é um direito quando chega a hora de receber. É pedida a solidariedade de todos para todos, através dos impostos, não dependendo ninguém da bondade ou da caridade cristã de qualquer dos seus concidadãos.
O Estado não é uma entidade abstracta e não serve apenas para assegurar a existência de um país. Tem outros deveres e outras obrigações. Ao querermos esvaziar as funções do Estado, retirando-lhe o dever de prover determinados serviços aos cidadãos, chamando-lhe estado regulador e não prestador, estamos a correr o risco de passarmos a depender totalmente dos detentores do poder económico e/ou religioso.
Será que não aprendemos nada?
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
22 abril 2008
Preocupações (III)
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Tudo o que é importante tem que ser constantemente reaprendido.
ResponderEliminarPreocupação muito sentida por quem sempre pagou os seus impostos durante quase 40 anos de trabalho e agora, que "já não é economicamente interessante" para fazer um seguro de saúde (com as suas inúmeras exclusões de especialidades), recebe em troca cuidados de saúde primários para indigentes.
ResponderEliminarE ranger os dentes quando ontem ouvi a criatura Zita perorar sobre a reforma em 3 anos do serviço de saúde Holandês, onde a classe média não conta porque tem seguros.
Não sei como funciona para os mais velhos que já não vão a tempo de aderir à moda.
Quando se quer entregar a saúde às seguradoras (não sei com que contrapartidas!) e as reformas a quem quiser - bancos e seguradoras - temos um Estado com uma única função: cobrar impostos em proveito de quem o administra.
ResponderEliminarParece simples e, por acaso, é...