22 abril 2008

Preocupações (III)

Ao organizarmos uma sociedade que confia em grupos para lhe providenciar apoio social, segurança, educação, justiça, o que é que esses grupos quererão em troca desse tipo de serviços?

Para quem não tem poder económico para os comprar, esses serviços passam a ser encarados como dádivas de alguns, sendo o preço a pagar por eles a fidelidade e a clientelização, mesmo que os que provêm às necessidades sejam movidos por algo como a noção religiosa e moral do bem e do mal.

Se a sociedade encarar esses serviços como um direito dos cidadãos, tenderá a criar organismos que os assegurem, sem ser em troca de gratidão ou de dinheiro (utilizador/pagador) com a contribuição obrigatória de todos os cidadãos. Ou seja é um dever quando chega a hora de pagar e é um direito quando chega a hora de receber. É pedida a solidariedade de todos para todos, através dos impostos, não dependendo ninguém da bondade ou da caridade cristã de qualquer dos seus concidadãos.

O Estado não é uma entidade abstracta e não serve apenas para assegurar a existência de um país. Tem outros deveres e outras obrigações. Ao querermos esvaziar as funções do Estado, retirando-lhe o dever de prover determinados serviços aos cidadãos, chamando-lhe estado regulador e não prestador, estamos a correr o risco de passarmos a depender totalmente dos detentores do poder económico e/ou religioso.

Será que não aprendemos nada?

3 comentários:

  1. Tudo o que é importante tem que ser constantemente reaprendido.

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  2. Preocupação muito sentida por quem sempre pagou os seus impostos durante quase 40 anos de trabalho e agora, que "já não é economicamente interessante" para fazer um seguro de saúde (com as suas inúmeras exclusões de especialidades), recebe em troca cuidados de saúde primários para indigentes.

    E ranger os dentes quando ontem ouvi a criatura Zita perorar sobre a reforma em 3 anos do serviço de saúde Holandês, onde a classe média não conta porque tem seguros.
    Não sei como funciona para os mais velhos que já não vão a tempo de aderir à moda.

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  3. impaciente23:24

    Quando se quer entregar a saúde às seguradoras (não sei com que contrapartidas!) e as reformas a quem quiser - bancos e seguradoras - temos um Estado com uma única função: cobrar impostos em proveito de quem o administra.
    Parece simples e, por acaso, é...

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