30 abril 2008

Sobressalto contínuo

Não percebo muito bem se há algum objectivo maquiavélico escondido que faça com que as notícias sejam dadas da forma mais alarmista possível, que seja sempre o pior cenário a considerar, transformando-se rapidamente de previsível a certo.


 


Da insegurança com o carjacking , o assalto às lojas, o crime organizado e, ultimamente, o assalto às esquadras, do aumento contínuo do preço do petróleo, do preço dos cereais, dos alimentos e da fome que há-de vir, da crise mundial, do biocombustível e do aquecimento global, somos metralhados constantemente por frases feitas que nos levam a viver em permanente sobressalto.


 


Até o Presidente da República, ao escolher o tema da ignorância da juventude, embora não tenha mentido por acção mentiu por omissão, dando a entender um valor relativo do que foi estudado quando apenas falou do valor absoluto.


 


O problema é que acabamos por não dar atenção nem valor a nada, mesmo ao que, verdadeiramente, é importante e avassalador.

Cinema

De cada vez que vou ao cinema espanto-me por o fazer tão poucas vezes. Adoro ir ao cinema.


 



 


Caramel (Sukkar banat - 2007), de Nadine Labaki, é um excelente filme, que nos enche de ternura. Uma história de todos os dias, de mulheres, do amor, da solidão, do carinho, da irmandade e companheirismo, da difícil mudança de mentalidades, do que se altera e do que permanece.


 


O Amor e a vida real (Dan in Real Life - 2007), de Peter Hedges, é um filme leve e bem disposto, realista e sonhador, com rugas de envelhecimento e má educação adolescente quanto baste.


 



 


De cada vez que vou ao cinema prometo a mim mesma passar a fazê-lo todas as semanas.

27 abril 2008

Imagens de marca (2)

Por falar em estados de humor, caras e papéis dramáticos ou cómicos, aqui está um senhor cheio de vontade de ser Primeiro-Ministro do Continente (e da Madeira e dos Açores, presumo).


 


Imagens de marca (1)


 


É difícil confiar em alguém que tão artificialmente tenha tão extremados estados de humor.

26 abril 2008

O estado a que isto chegou


 


Gosto muito do Zeca Afonso, do José Mário Branco, do Sérgio Godinho. Gosto de Ary dos Santos, de Manuel Alegre, de Sophia de Mello Breyner . Está-nos no sangue e na alma sentirmos emoção e alegria ao evocarmos o 25 de Abril, ao relembrarmos as canções, as manifestações, os quadros de Vieira da Silva – a poesia está na rua – as palavras de ordem, a certeza da realização do impossível. Vivemos a solidariedade, o companheirismo, o “nosso”, o “nunca mais”, a “liberdade”, o “venceremos”, o “juntos”. Vivemos Vasco Gonçalves e Melo Antunes, Álvaro Cunhal e Mário Soares, os Capitães de Abril e Spínola, o PREC , Pinheiro de Azevedo, Ramalho Eanes, o 25 de Novembro, tudo, intensamente.

Passaram 34 anos. Estou 34 anos mais gorda, tenho mais 34 anos de cabelos brancos, ouvi mais 34 anos de canções excelentes, li mais 34 anos de poemas que me formam, vivi mais 34 anos de sonhos, de paixões, de desilusões, de filhos, de vidas, de mortes, de amigos, de traições, de eleições, de manifestações, de computadores, de notícias, de tudo.

Hoje, 34 anos depois do dia 25 de Abril de 1974, embora seja nossa obrigação mostrarmos e ensinarmos às gerações que já nasceram durante este 34 anos o que foi, o que era, o que passou a ser, tal como é nossa obrigação mantermos a ligação com os nossos pais, avós, histórias, passado, daquele que nos orgulhamos e daquele de que nos envergonhamos, não podemos pedir-lhes que sintam o mesmo que nós. Não podemos pedir-lhes que ouçam religiosamente as canções de Abril, que se foram transformando em rituais, ou assistir entusiasmados ao filme Capitães de Abril, que é mau, que não é credível, que não tem ritmo, que mostra criadas e soldados intelectuais de esquerda, ou que assistam aos discursos na Assembleia da República, mais velhos e ultrapassados que os que se ouvem a 5 de Outubro.

A juventude é ignorante em história, em política, em Matemática, em Português, mas sabe muito mais que nós algum dia saberemos de coisas que nem imaginamos que existem. A actuação política dos nossos representantes políticos, as suas mentiras, o seu alheamento da realidade, a nossa falta de interesse na leitura, na conversa, no pensar por nós próprios, no esforço de participar são algumas das explicações para o desinteresse dos nossos filhos pela causa pública.

Não é num dia por ano que lhes vamos ensinar o que não vivemos todos os dias. Não é um Presidente da República que hipoteca a dignidade do seu cargo numa visita protocolar à Madeira, não é um Primeiro-Ministro que não cumpre os compromissos eleitorais, nomeadamente no que diz respeito ao Tratado de Lisboa, não é uma oposição de direita que se digladia e se faz representar por personagens como Alberto João Jardim, Santana Lopes, Luís Filipe Menezes ou Paulo Portas, ou uma oposição de esquerda arcaica, demagógica e anacrónica cujos porta-vozes são Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã, não são sindicalistas militantes desde há 34 anos que defendem o mesmo que defendiam em 1975 que lhes dão exemplos de participação cívica.

A cidadania constrói-se todos os dias e dentro das nossas casas, para fazer parte da nossa vida, não em liturgias e avaliações cíclicas e anuais do estado a que isto chegou.

25 abril 2008

25 de Abril


 


Já passaram 34 anos desde o 25 de Abril e a nossa democracia é uma realidade. Tem defeitos? Pois tem, defeitos de uma sociedade que é feita por pessoas, que vive e se transforma diariamente.

Era uma miúda em 1974 mas absorvi aqueles tempos como uma esponja e a alegria, o voluntarismo, o optimismo, a irrealidade que se vive nos sonhos tocou-me profundamente. Não há nada que se consiga sem a ingenuidade e a utopia de quem começa. E o país começou, ou recomeçou muita coisa.

O coro de vozes soturnas e azedas que se lamentam todos os anos e que vaticinam o pior para o que há-de vir é cansativo e enervante. Só quem não quer ver é que pode sequer comparar a qualidade de vida, o desenvolvimento económico, a prosperidade de Portugal antes e depois do 25 de Abril.

Ao fim de 3 décadas muito mudou e muito há para mudar. A celebração deste dia renova-nos a esperança pois podemos ter a certeza de que a democracia, o bem-estar e a liberdade são possíveis, são alcançáveis e estão nas nossas mãos.

Que se façam sessões solenes na Assembleia da República, que se façam manifestações e marchas, que se façam concertos, exposições, piqueniques, manhãs de praia ou na cama, que cada um celebre o dia à sua medida, nunca esquecendo que desconhecer o passado é comprometer o futuro.

Este é um dia de festa para todos. Não há mais ou menos democratas, não há melhores ou piores herdeiros da revolução. Somos todos filhos da madrugada.

23 abril 2008

Filme de terror

Há um bocado passou um filme de terror na televisão, mais precisamente na RTP-N , sem avisos nem bolas vermelhas.

De uma assentada desfilaram Patinha Antão, Mendes Bota, Ribau Esteves, alguns discorrendo sobre a maravilha de uma hipotética candidatura de Alberto João Jardim à liderança do PSD.

Como me dizia alguém: mas ele tem tropas no Contnente?

Pelos vistos está a arregimentá-las a uma velocidade vertiginosa. Deve ser por isso que estou meio zonza, até um pouco nauseada.


 


Não me importa


 


(pintura de Carole B.Perret: Tourbillon Automnal )


 


 


 


Não me importo de escrever e falar, de ouvir e perguntar 
de gostar e saborear, de rir e de chorar 
de te ver, de te beijar 
não me importo de me importar.

Mas já me importa o ter que haver, que somar
que guardar, que reter, que empacotar
que segredar, que esconder, que suspirar
pelo gosto que tenho em viver e tudo dar.


 


 


E então, depois deste desafio, a que espero ter conseguido responder, lá terei que o estender a outros lados:


 


Amigos de Peniche


Cuaoleu


Grama a Grama


o enigma e o espelho


bonstempos hein?


Astro Que Flameja


cocó na fralda


 


Pois é, e assim será.

Seriedade

Ouvi, muito de raspão, S. José Almeida, no Rádio Clube Português, defender que Sócrates não teria maioria absoluta, facto que se depreendia por existirem muitíssimos insultos ao Primeiro-Ministro, na forma de cartazes, assobios, manifestações e urros (a forma pela qual se processavam os insultos são uma adenda minha).

Gostava de saber quais foram os Primeiros-ministros , das Finanças, da Saúde, da Educação, do Trabalho, da Agricultura, de tudo o resto, que não foram insultados, apelidados de gatunos, vigaristas, incompetentes e outros mimos, por anónimos cidadãos e por digníssimos representantes da Nação, desde a alvorada da liberdade.

Também ouvi, boquiaberta, que o tema do fórum TSF de hoje era a reforma das relações laborais, documento de trabalho apresentado ontem aos parceiros sociais. É claro que todo o povo passou a noite de ontem a estudar e a digerir o dito documento e está apta a declamar opiniões avisadas numa rádio perto de si.

Seriedade, é o que é, seriedade nos debates e nas opiniões, para que todos lucremos com o espectáculo a que temos direito.


 


(Link disponibilizado aqui.)

Frei Tomás


Tem que se retirar a demagogia da discussão da área da Saúde e transformá-la num compromisso sério e solidário para que todos os portugueses tenham acesso ao sistema nacional - Pedro Nunes, Bastonário da Ordem dos Médicos


 


Bem prega Frei Tomás: faz o que ele diz, não faças o que ele faz.


 


Ratificação



Será hoje ratificado, na Assembleia da República, o Tratado de Lisboa.

Não foi referendado nem discutido. Ninguém sabe o que vai acontecer depois da ratificação. Ninguém se deu ao trabalho, muito menos o governo ou o PS, de promover a discussão pública do documento, de promover a discussão na Assembleia, de informar.

Nem os pensadores, nem os jornalistas, nem os comentadores, nem os analistas, e muito menos os partidos que nos deveriam representar, do CDS ao PCP.

Somos todos europeus, mas alguns são menos europeus que outros.



Adenda: Este tipo de afirmações são absolutamente lamentáveis.


Outra adenda: é verdade. Mas não altera nada.

22 abril 2008

Preocupações (III)

Ao organizarmos uma sociedade que confia em grupos para lhe providenciar apoio social, segurança, educação, justiça, o que é que esses grupos quererão em troca desse tipo de serviços?

Para quem não tem poder económico para os comprar, esses serviços passam a ser encarados como dádivas de alguns, sendo o preço a pagar por eles a fidelidade e a clientelização, mesmo que os que provêm às necessidades sejam movidos por algo como a noção religiosa e moral do bem e do mal.

Se a sociedade encarar esses serviços como um direito dos cidadãos, tenderá a criar organismos que os assegurem, sem ser em troca de gratidão ou de dinheiro (utilizador/pagador) com a contribuição obrigatória de todos os cidadãos. Ou seja é um dever quando chega a hora de pagar e é um direito quando chega a hora de receber. É pedida a solidariedade de todos para todos, através dos impostos, não dependendo ninguém da bondade ou da caridade cristã de qualquer dos seus concidadãos.

O Estado não é uma entidade abstracta e não serve apenas para assegurar a existência de um país. Tem outros deveres e outras obrigações. Ao querermos esvaziar as funções do Estado, retirando-lhe o dever de prover determinados serviços aos cidadãos, chamando-lhe estado regulador e não prestador, estamos a correr o risco de passarmos a depender totalmente dos detentores do poder económico e/ou religioso.

Será que não aprendemos nada?

21 abril 2008

Há um lago na infância


 


Há sempre uma casa antiga na infância


lá para cima


um passo de desarmonia


um vestígio de escadas retiradas


na primeira oportunidade


um lago, há também um lago


na infância sem barco que o possa


atravessar e uma pedreira branca


ambos sem utilidade


e algumas crianças


que pintam a vaga pocilga de pedra


e riem e apanham rãs em vez de fruta


e apanham uvas, também apanham uvas


de outra nacionalidade


e antes de se escrever durante a noite


contra o sono


havia um caminho de terra


incerto apenas nas suas pedras


na útil ambiguidade do solo


 


(poema de Filipa Leal)

de raiz


 


abraçar mesmo o mundo


o mesmo que trepar a um cedro


solto como destino a pulso


à força dos braços por dentro


 


amar a sério o centro o corpo


sério como coração e nervo


se abrirem ao tempo incerto


que passa o tempo entretanto


 


querer viver a vida no entanto


sem vivê-la instante a momento


é declarar morto o que está vivo


 


esperar pela morte como o vento


esperar que tudo passe ao lado


sem vivos nos termos sentido


 


(poema de Joaquim Castro Caldas)

Segue a dinastia

Bem, parece que a fama que vem de longe sempre avança. Acho bem, quantos mais melhor. Mas penso que as grandes esperanças vão ser defraudadas. Nem sequer é justo para a própria Manuela Ferreira Leite. Mas pode ser que se clarifique o partido, ou que se parta em mil pedacinhos até não ficar nenhum.

Manuela Ferreira Leite é histórica, pertence a um Cavaquismo que se reduziu a Barrosismo e encolheu em Mendismo.

Avançará o PSD para o Leitismo?


 


Preocupações (II)

Qual a noção que temos da organização da sociedade como um bem colectivo, que existe para o bem-estar colectivo, para que se possa assegurar a todos uma vivência digna, em segurança, com igualdade de oportunidades e acesso à saúde, à justiça, à educação, a um apoio social para que todos melhorem as suas condições de vida?

E se não apetecer à sociedade civil tratar os doentes que não têm dinheiro, os que estão desempregados, os velhos que não têm família? E se a sociedade civil não estiver para a filantropia?

Que acontece se a sociedade civil só quiser ensinar os filhos dos seus mais dilectos representantes? E se a sociedade civil se estiver nas tintas para os imigrantes?


 


Que acontecerá a uma sociedade civil tão desagregada, compartimentada, espartilhada? Não será a perpetuação das desigualdades sociais, dos desequilíbrios? Não será a negação da próprio Estado? Ou será o Mercado que virá substituir o Estado?

Preocupações (I)

Preocupamo-nos todos os dias com os mercados, o preço do petróleo, o crescimento económico, o aumento das taxas de juro, o endividamento das famílias, a desvalorização do dólar, a insegurança, o desemprego.

Preocupamo-nos todos os dias com a qualidade da democracia. Parte do discurso político, se é que se lhe pode chamar assim, tem a ver com a descredibilização da classe política, com a promiscuidade entre os cargos públicos e privados, numa verve demagógica ela própria geradora de desinteresse e afastamento dos cidadãos da vivência política.


 


A qualidade da democracia está intrinsecamente ligada ao desenvolvimento económico de um país. Quando a taxa de desemprego é tão alta como agora está, não há verdadeira liberdade de expressão de pensamento, não há verdadeira liberdade de associação sindical, não há verdadeira liberdade de reivindicação de direitos e de salários.


 


A ausência de trabalho e a inflação do trabalho precário reduz a capacidade de intervenção cívica dos cidadãos. Ao ouvir Pedro Passos Coelho dizer que o Estado se deve retirar das empresas e que deveria ser a sociedade civil a substituí-lo pergunto-me o que fazer quando a sociedade civil não quiser resolver os assuntos, porque não lhe interessa, porque não lhe dá lucro, porque não está para aí virada.

20 abril 2008

Corações (coeurs)


 


Neva sempre, nos ombros, nos casacos, nos gorros, nos olhos, nas almas, nos corações cobertos de branco.


 


Alguns cenários com poucos adereços, em tons de cinzento, branco e azul, com excepção do bar, que tem tons vibrantes, feéricos, tão tristes como a imobiliária, a casa de Lionel , e as casas que Dan e Nicole visitam, a pedido dela, para viverem uma vida a dois que sabem que nunca acontecerá.


As vidas de algumas pessoas, solitárias e carentes, de Thierry , esperançosamente espantado com a luxúria da sua colega de trabalho, de Gaëlle , que todas as noites se transforma numa secreta heroína de flor na lapela, ao encontro do amor que tarda, de Charlotte , que se purifica com a Bíblia, todos com alguns apontamentos de loucura mansa, quase burlesca, de desejos reprimidos e penitências repetidas.


 


É um filme docemente triste, com o realismo das relações trocadas, dos desencontros que parecem planeados, do abandono, da solidão. É um filme sobre nós, o mais íntimo e absoluto de nós, o que somos e o que desejaríamos ser.


 


De Alain Resnais , claro, numa adaptação da peça de Alan Ayckbourn : Private Fears in Public Places .

19 abril 2008

Ponto de Mira

Ponto de Mira (Vantage Point) é um filme frustrante, que defrauda as  expectativas de quem se envolve totalmente nos primeiros 2/3 do filme. Magistralmente filmado, mostrando uma cena observada por várias personagens, cada uma juntando um pouco mais de mistério, mas também descobrindo um pouco mais o mistério. Uma ideia brilhante com excelentes actores, uma Plaza Mayor de Salamanca credível, turistas, profissionais de segurança e dos média, terroristas e um Presidente bem americano.


 


Depois estraga-se tudo. Perseguições disparatadíssimas, por estradas tão depressa urbanas, com viadutos e trânsito, como marroquinas, pela confusão, pelos mercados e pelos mercadores. Chega-se ao fim e não se percebe o enredo, não se entende quais as motivações dos terroristas, porque é que há polícias na tramóia, que entretanto são aldrabados, outros que são mortos mas estão por dentro, enfim, acabou aquilo que era uma promessa de uma excelente história, a correr e à pressa. Como disse o meu companheiro de filme, parece ter havido dois argumentistas : o da primeira parte do filme, muito bom; o da segunda parte do filme, muito mau. Mas no guião vem apenas o nome de Barry Levy.


 


Que pena.


 


Ciclo


(árvore da vida céltica)


 


Se morrer antes de me entregar
total e absolutamente
a tudo a todos
se morrer antes de me desintegrar
cíclica e metodicamente
por tudo por todos
se morrer antes de me inventar
de novo e repetidamente
em tudo em todos

soprarei os despojos pelo ar
antes de me acabar.

Prémio


 


Pois é, gostaria de saber que raio acertou na cabeça do JF para se lembrar de me distinguir com este prémio. Para nossa tranquilidade e saúde, continuo a corrente com todo o gosto, agradecendo-lhe a leitura deste blogue.

E lá vão alguns dos blogues que, para além do que raio de saúde a nossa, saboreio diariamente:



Covém lembrar as regras:




  1. Este prémio deve ser atribuído aos blogs que gostamos e visitamos regularmente postando comentários



  2. Ao receber o selo é um blog bom sim senhora!! devemos escrever um post incluindo: o nome de quem nos deu o prémio com o respectivo link de acesso, a tag do prémio, a indicação de outros 7 blogs



  3. A tag do prémio deve ser exibida no blog



E pronto, segue mais esta dança. Obrigada a todos os que me visitam.

Voltar atrás

De novo o país entretém-se a apostar nas várias figuras emblemáticas do PSD, os D. Sebastião do costume, para as novas eleições no maior partido da oposição, que tinha encontrado o seu líder, de novo, há cerca de 7 meses.

Independentemente do valor que essas gratas figuras terão, intrínseco e simbólico, o PSD continua a viver das glórias do passado, mais precisamente do período áureo do cavaquismo.

O PSD deveria ser essencial ao debate político e ao país, pois as maiorias absolutas sem oposição ou alternativa credíveis empobrecem e descredibilizam a própria essência da vivência democrática.

Mas o recurso cíclico a figuras do passado é uma falsa fuga em frente. Não se volta atrás no tempo, nunca. A situação do país é diferente, as circunstâncias internacionais são diferentes, os protagonistas têm que ser diferentes. Parece a repetição de um erro clamoroso de José Sócrates ao lançar a candidatura de Mário Soares à Presidência da República.

Por outro lado, se é necessário que o PSD enfrente os seus mitos e os seus fantasmas, talvez seja indispensável que todas essas figuras finalmente se arrisquem a perder. Talvez assim surja algo de novo, refrescante e acutilante.


 


É urgente que algo aconteça.

17 abril 2008

O tempo dos abutres


 


Sete meses, foram só sete meses. O desmoronamento é total.


 


Alinham-se os eternos candidatos de bicos longos e curvos: António Borges, Mota Amaral, Santana Lopes, Passos Coelho, Aguiar Branco, Rui Rio, Manuela Ferreira Leite, Ângelo Correia.


 


A direita alimenta-se de si própria . E de vez em quando dá um ar a sua graça, ouvindo-se Paulo Portas com um ar sério e distinto, a dizer que o CDS quer tirar a maioria ao PS.


 


É risível e tristíssimo, o nosso quadro político , à direita e à esquerda.


 


Sócrates está para lavar e durar.


 


Luís Delgado, na SIC notícias, tenta transformar Luís Filipe Menezes num Cristo crucificado. Continua, de há 3 anos para cá, a dizer que quando a classe media estiver de rastos, quando perceber a horrível crise que aí vem, visto que está muito fragilizado, e todos perceberem quão mal está a situação económica, então aí sim, Sócrates começará a cair.

16 abril 2008

Algumas notas

Algumas notas sobre a face
pequeno rascunho entre dentes
gramática esquecida pelas rugas
rimas por dentro do olhar.


 



(pintura de Vincent Romaniello : untitle 714)

15 abril 2008

Sisters of mercy


 


Oh the sisters of mercy, they are not departed or gone.
They were waiting for me when I thought that I just can't go on.
And they brought me their comfort and later they brought me this song.
Oh I hope you run into them, you who've been travelling so long.

Yes you who must leave everything that you cannot control.
It begins with your family, but soon it comes around to your soul.
Well I've been where you're hanging, I think I can see how you're pinned:
When you're not feeling holy, your loneliness says that you've sinned.

Well they lay down beside me, I made my confession to them.
They touched both my eyes and I touched the dew on their hem.
If your life is a leaf that the seasons tear off and condemn
they will bind you with love that is graceful and green as a stem.

When I left they were sleeping, I hope you run into them soon.
Don't turn on the lights, you can read their address by the moon.
And you won't make me jealous if I hear that they sweetened your night:
We weren't lovers like that and besides it would still be all right,
We weren't lovers like that and besides it would still be all right.


 


(Leonard Cohen: sisters of mercy)

A Madeira e o Jardim

Alberto João Jardim soma e segue e continua. Mas isso já não me espanta. O desbocamento, a grosseria e o sentido de posse que tem do cargo que ocupa e para o qual tem sido sucessivamente eleito, valha a verdade, não é novidade. Mas ele ultrapassa-se sempre a si próprio.

O que também não é novo, embora não deixe de ser inédito, é o apoucamento que os mais altos representantes da nação aceitam desta personagem de opereta. Primeiro Jaime Gama, Presidente da Assembleia da República, depois os próprios deputados da Assembleia Regional da Madeira, que após um estremeção de ofensa não faltaram ao jantar solene oferecido ao Presidente, e por fim o Presidente da República que aceitou esta afronta ao país e a todos os cidadãos, ao regime democrático e à dignidade do cargo.

Alberto João Jardim recebeu na sua corte o Sr. Silva que, por acaso e lateralmente, é o Presidente desta República a que o Presidente Regional da Madeira transformou em bananas.

Adenda: vale a pena ler as declarações de Manuel Alegre e os posts de Medeiros Ferreira.

13 abril 2008

Dentro da vida

Não estamos preparados para nada:


certamente que não para viver


Dentro da vida vamos escolher


o erro certo ou a certeza errada


 


Que nos redime dessa magoada


agitação do amor em que prazer


nem sempre é o que fica de querer


ser o amador e ser a coisa amada?


 


Porque ninguém nos salva de não ser


também de ser já nada nos resgata


Não estamos preparados para o nada:


certamente que não para morrer


 


(poema de Gastão Cruz)


 



(pintura de Judith Goldstein: The Tree of Life and Death)

Campos

Os vivos sobrevivem, condição


simples de quem será sobrevivido


 


Olhando os campos verdes do inverno


é como se no escasso coração


 


da minha vida o sangue recebido


de quem antes viveu ficasse eterno


 


até à minha morte e, depois dela,


noutros sobreviventes esse rio,


 


não meu e meu ainda, perdurasse


E os campos, que não vela


 


nenhuma névoa humana, o mesmo rio


do meu sangue para sempre inundasse


 


(poema de Gastão Cruz)


 



(pintura de Carry Ackroid : Green Fields )

Enquanto

Enquanto não estamos preparados
para o canto da lareira
o adormecimento trôpego
de xailes e barbas brancas
enquanto não chegarmos à beira
do afundar das cadeiras
do ensurdecer de mudez
enquanto olharmos o tempo
de lado sacudindo inércias
saberemos atar as mãos
que manteremos apertadas
por sementes e ramos verdes
entre pássaros aninhados.


 



(pintura de Andrew Newman : Long House West of Lancaster , III)

Democracia individualizada

Tenho acompanhado, com alguma estupefacção, a polémica à volta da contratação de Fernanda Câncio para um programa da RTP2 .


 


O PSD, que tanto se preocupa com a qualidade desta democracia, com o medo instalado na sociedade portuguesa, com as perseguições por delito de opinião, empenha-se agora em desacreditar totalmente a função nobre de político.


 


Este PSD junta uma incompatibilidade: o ter relacionamentos pessoais com os detentores de cargos públicos.


 


Não se sabe exactamente até que tipo de relacionamento se deve estender a incompatibilidade: namorado (a)? Irmão (ã)? Pai (mãe)? Filho (a)? Primo (a), do 1º, do 2º grau? Ex-mulher (marido)?


 


Mais uma proposta de lei a apresentar na Assembleia da República: o melhor mesmo é os políticos serem ascetas, orfãos , solitários e autistas, totalmente consagrados à pátria.


 


Extraordinário.


 


Adenda: este post foi refeito pois tinha pressupostos errados. As minhas desculpas a quem já o tinha lido.

12 abril 2008

Andy Newman

Andrey Newman expõe de novo na galeria Arte Periférica. Dei com ele, literalmente, por acaso.


 


A sua pintura é lindíssima.


 



(Acending Road, Carme)


 


(Back Street, St. Ives)                                           

Registos (2)

Em relação ao meu post anterior, já estão disponíveis, no site do Ministério da Educação, o Memorando de Entendimento entre o Ministério da Educação e a Plataforma Sindical dos Professores, datado de hoje, documento a que se chegou após uma longa maratona negocial e que motiva tanta satisfação a Mário Nogueira, e os títulos de recuo, cedência e etc da Ministra, que proliferam pelos media e pelos blogues. Vale a pena comparar a totalidade do texto com um outro, também disponível no mesmo site, Proposta do Ministério da Educação apresentada à Plataforma Sindical dos Professores, datado de ontem, e que foi o documento que serviu de base à tal maratona negocial.


 


Convém que nos apercebamos de que a manipulação das notícias é selvática e vergonhosa. A única diferença entre um documento e outro, para além da modificação das posições de alguns pontos e da ligeira diferença de palavreado, é a alínea e) do ponto1, em que se diz que a classificação dos professores avaliados na época de 2007/208 será baseada apenas nos pontos obrigatórios mínimos, especificados na alínea b), que têm uma redacção diferente do documento do ministério, mas que querem dizer praticamente a mesma coisa.


 


Ainda bem que há internet e que os cidadãos podem ajuizar por si e pensar por eles próprios.

Incompetência

Muitas vezes me interrogo sobre a competência dos colaboradores dos vários ministérios, dos servidores da administração pública, dos deputados, dos “rascunhadores “ de leis.

A quantidade de inconstitucionalidades, de disparates, de intenções que se manifestam para recuarem de imediato após as retumbantes reacções e os cabelos em pé da razoabilidade.

Mais do que um ataque à liberdade de expressão, de uma qualquer maquiavélica vontade de poder absoluto e de autoritarismo antidemocrático, a hipótese de aplicabilidade do RDM aos militares na reserva e na reforma é de tal modo disparatada que só pode ser por incompetência atroz.

Mas será que ninguém pensa?

E que tal uma avaliação de desempenho?

Registos (1)


 


Ouve-se e lê-se por todo o lado que a Ministra da Educação recuou até ao Inferno e que Mário Nogueira, porta-voz da plataforma sindical, subiu aos céus.

Pelos vistos interessa acentuar as cedências totais do governo, sejam ou não reais. Como não conheço o acordo só posso raciocinar com o que vou registando.

E o que registo é que, ao contrário do que os Sindicatos exigiam, chegando mesmo a fazer ultimatos, a avaliação do desempenho dos professores tornou-se numa realidade; que, ao contrário do que os Sindicatos proclamaram, a avaliação não foi suspensa e continua a ser implementada até ao fim de 2009, para todos os professores; que, ao contrário do que os Sindicatos esperavam, não há inconstitucionalidade nas quotas do estatuto da carreira docente.

Também registo que, ao contrário do que a Ministra planeou, há inconstitucionalidade no concurso para Professor Titular; que, ao contrário do que a Ministra resistiu, a avaliação do desempenho é uniformizada este ano, num padrão mínimo; que, ao contrário do que a Ministra se empenhou, as avaliações de insuficiente e regular podem ser repetidas, e não têm as consequências que estavam previstas, nomeadamente a não renovação dos contratos aos contratados.

O que considero mais grave no recuo da Ministra, caso seja exactamente como está noticiado, é a repetição das avaliações para quem não se saiu bem. É injusto e contraproducente. Para isso não vale a pena haver avaliações porque se transformam num mero pró-forma. De resto, ainda bem que há Tribunal Constitucional, para repor a legalidade onde ela foi atropelada.

Quanto ao Sindicato, não sei porque está tão contente. Na linha da defesa dos direitos das classes trabalhadoras e das conquistas inalienáveis do operariado, recuando de trincheira em trincheira, vão-se somando retumbantes vitórias até à derrota final.


 


Embalo

Acordei hoje com a impressão de que era semana e não fim de. Para saborear melhor o engano liguei o rádio na TSF do costume.


 


Hoje as notícias são só para embalar.

09 abril 2008

Aplicação


 


(pintura de Joel Robert Harris : I am )


 


Já repeti tantas vezes as palavras
que se gastaram as letras.

Só restam os sons
as cores breves dos sentidos
na aplicação de te inventar.

Sociedade civil


 


Fica-lhe mesmo muito bem.


 


Trabalho ou política

A demagogia relativamente ao novo emprego de Jorge Coelho é impressionante. Jorge Coelho foi ministro há 7 anos. Vale a pena ler estes dois posts de Tiago Barbosa Ribeiro, do Kontratempos.

Previsões

Em relação às previsões pessimistas do FMI para o crescimento económico em Portugal, este ano, talvez nos devêssemos recordar do pessimismo das previsões para os 2 anos anteriores. Embora não saiba de cor os números, penso que estavam erradas.

06 abril 2008

Molde


(escultura de Phillip Hay: Garden Wren)


 


Seremos os dias que quisermos
os passos a brisa a chama
seremos o molde que fizermos
flores pássaros ou lama.

Terrorismo


 


É difícil dizer mais alguma coisa.


 


Resta juntar a minha voz à de tantos milhares, para que libertem os prisioneiros das FARC.

Claustrofobia democrática

Não percebo muito bem a agonia dos sociais democratas, a começar por Agostinho Branquinho, na sua reacção à contratação de Fernanda Câncio para um programa da RTP2 . Se fossem eles a governar ninguém poderia ter opiniões políticas, pois consideram a sua expressão pública, quaisquer que elas sejam, incompatíveis com exercício de um cargo profissional, qualquer que ele seja.


 


Alguém falou em claustrofobia democrática?

Manipulação

Vale a pena ouvir as frases com que se resume a entrevista a Ana Jorge: Urgências regressam a Anadia.


 


Até já há reacções de um autarca de Anadia, de seu nome Litério Marques, que se mostra muito contente com Ana Jorge.


 


É de bradar aos céus.

Rigor na avaliação


 


Já aqui defendi, mais de uma vez, que o governo deveria fazer uma avaliação séria do seu desempenho, pois uma coisa é prometer medidas, outra muito diferente é implementá-las e outra ainda é avaliar a repercussão das mesmas. Infelizmente temo que a avaliação seja feita com as premissas de Vitalino Canas.


 


Mas não deveria ser apenas o governo a ser submetido a avaliação do desempenho. Os partidos da oposição, os sindicatos e outras forças vivas da sociedade  civil também o deveriam fazer. Com o mesmo rigor com que a exigem, e bem, ao governo.

Que continuem as reformas


 


Vale a pena ouvir e ler a entrevista de Ana Jorge, Ministra da Saúde, à TSF e ao DN. Nomeadamente sobre a reforma do SNS, a requalificação dos Serviços de Urgência, com ênfase no "problema" de Anadia, e sobre a reforma dos cuidados primários e continuados de saúde.


 


Exactamente o mesmo que Correia de Campos, apenas com outro estilo. Pelos vistos o estilo pode marcar uma diferença. O que muda não é a política, com excepção das parcerias público-privadas , mas os seus protagonistas.


 


Se as reformas avançarem, então José Sócrates tinha razão. Correia de Campos não se mostrou hábil na sua função, tenho que o reconhecer.


 


Fico muito satisfeita com o que se diz nesta entrevista e espero que o clima de descompressão se mantenha. Espero que a Ministra alie a sua serenidade à sua determinação.


 


Também há uma frase interessante no meio da entrevista: Se houve viragem à esquerda não foi minha.

05 abril 2008

Dissidente e outras coisas mais


 


Lê-se a correr, de fio a pavio, e fica-se à espera da continuação. Uma história que tem de tudo, muito bem contada.

Agonias

Há realmente muitos assuntos agoniantes, em termos políticos, sociais, económicos e o mais que nos lembrarmos. Mas há aspectos que chegam a ser embaraçosos de tão humilhantes. E que tal esta agonia, Dr. Luís Filipe Menezes?

Guerra civil

Ainda ninguém sabe que Pinto da Costa decretou o início da guerra civil, entre os fundadores de Portugal e os centralistas?

Tapetes

Enrolo tapetes mas não sei por que porta entrar. Ou que porta abrir. Se fizer colecção de cabelos talvez previna os cinzentos, mais que os brancos.
Deveriam ser logo brancos, sem rituais de passagem por cinzento ou outras cores baças e imóveis.

Dia eterno e invencível, aquele em que não encontramos certezas, aconchegos chá morno e silêncio cúmplice. Lá fora as folhas rodopiam antes de nos bater na cara. É melhor cá dentro, antes que a porta se abra, atrás da porta bem fechada.

Enrolo os tapetes e sento-me sem decidir qual deve permanecer com as marcas de quem por cá passou.


 


Nova morada - do Sapo para o Blogger

Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...