Escritos de luz invadem a sombra, mais prodigiosos do que meteoros.A alta cidade irreconhecível avança sobre o campo.
Seguro da minha vida e da minha morte, contemplo os ambiciosos e desejo entendê-los.
O seu dia é ávido como o laço no ar.
A sua noite é a trégua da ira no ferro, pronto a acometer.
Falam de humanidade.
A minha humanidade está em sentir que somos vozes de uma mesma penúria.
Falam de pátria.
A minha pátria é um palpitar de guitarra, uns retratos e uma velha espada, a prece clara do salgueiral ao entardecer.
O tempo vive-me.
Mais silencioso do que a minha sombra, cruzo o tumulto da sua exaltada cobiça.
Eles são imprescindíveis, únicos, merecedores do amanhã.
O meu nome é alguém e qualquer um.
Caminho com lentidão, como quem vem de tão longe que não tem esperança de chegar.
(poema de Jorge Luis Borges)
Um poema que fala da verdade existencial, vista por quem era invisual.
ResponderEliminarUma pérola este poema que trouxeste aqui Sofia.
Um bom dia e um bom fim de semana Sofia
Fernando
Fernando, subscrevo o que diz. Foi-me dado a conhecer por uma muito querida amiga. Bom fim de semana.
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