Tal como me indignei aquando da onda de violência que se seguiu à contestação da publicação das caricaturas sobre Maomé, não posso deixar de me indignar com a nova onda de violência que se está a levantar a propósito do discurso do Papa Bento XVI.
O que está em causa não é concordar ou discordar do que o Papa disse, de considerar que é radical ou não. O que está em causa é a liberdade de seja quem for poder dizer o que lhe apetecer, sem que com isso haja o perigo de desencadear ódios e violências.
Quando se ouvem ou lêem discursos dos líderes religiosos islâmicos, por muito indignados que alguns fiquem, não se vêem manifestações violentas, queimas de bandeiras e de fotografias de Maomé ou outros líderes políticos e religiosos, assaltos a embaixadas e ameaças de fim do mundo.
O valor da liberdade de expressão é tanto mais sagrado quanto menos concordamos com o que se diz.
O que está em causa não é concordar ou discordar do que o Papa disse, de considerar que é radical ou não. O que está em causa é a liberdade de seja quem for poder dizer o que lhe apetecer, sem que com isso haja o perigo de desencadear ódios e violências.
Quando se ouvem ou lêem discursos dos líderes religiosos islâmicos, por muito indignados que alguns fiquem, não se vêem manifestações violentas, queimas de bandeiras e de fotografias de Maomé ou outros líderes políticos e religiosos, assaltos a embaixadas e ameaças de fim do mundo.
O valor da liberdade de expressão é tanto mais sagrado quanto menos concordamos com o que se diz.
Excelente!
ResponderEliminarVale a pena destacar também que, como prova da evidente motivação política que parece estar por detrás desta pretensa polémica, entre os que mais assumem o protagonismo na contestação ao discurso de Bento XVI são dirigentes ou orgãos políticos, como o primeiro ministro da Autoridade palestiniana ou a maioria do parlamento paquistanês.
Pelos vistos, os teólogos muçulmanos reservam-se para coisas mais laicas como os discursos de George W. Bush...
Apesar de os posts que coloquei no Altermundo irem numa direcção diferente, não posso deixar de concordar contigo, Sofia. No fundo, o que eu penso desta polémica é o exacto paralelo do que eu pensei aquando da polémica dos cartoons. O Papa fez afirmações potencialmente incendiárias, e tinha obrigação de o saber (tenho a convicção de que o sabia), tal como os cartoonistas sabiam o risco que corriam. Bento XVI tem obviamente o direito de se expressar livremente (como os cartoonistas o tinham), e qualquer um, eu, tu, os muçulmanos, de se indignarem livremente (tal como com os cartoons). Até aqui isto é, ou devia ser, consensual. Onde a fronteira da liberdade de expressão é ultrapassada é no excesso da indignação islâmica - e aqui concordo com o a. teixeira quando diz que a histeria é politicamente motivada, como já o foi no caso dos cartoons. Aparentemente, há alguém muito interessado - mais interessado que o Papa - em provocar a cisão entre cristãos e muçulmanos... vamos reunir os suspeitos do costume?
ResponderEliminarDe acordo!
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