16 setembro 2006

Liberdade

Tal como me indignei aquando da onda de violência que se seguiu à contestação da publicação das caricaturas sobre Maomé, não posso deixar de me indignar com a nova onda de violência que se está a levantar a propósito do discurso do Papa Bento XVI.

O que está em causa não é concordar ou discordar do que o Papa disse, de considerar que é radical ou não. O que está em causa é a liberdade de seja quem for poder dizer o que lhe apetecer, sem que com isso haja o perigo de desencadear ódios e violências.

Quando se ouvem ou lêem discursos dos líderes religiosos islâmicos, por muito indignados que alguns fiquem, não se vêem manifestações violentas, queimas de bandeiras e de fotografias de Maomé ou outros líderes políticos e religiosos, assaltos a embaixadas e ameaças de fim do mundo.

O valor da liberdade de expressão é tanto mais sagrado quanto menos concordamos com o que se diz.

3 comentários:

  1. A.Teixeira14:30

    Excelente!

    Vale a pena destacar também que, como prova da evidente motivação política que parece estar por detrás desta pretensa polémica, entre os que mais assumem o protagonismo na contestação ao discurso de Bento XVI são dirigentes ou orgãos políticos, como o primeiro ministro da Autoridade palestiniana ou a maioria do parlamento paquistanês.

    Pelos vistos, os teólogos muçulmanos reservam-se para coisas mais laicas como os discursos de George W. Bush...

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  2. António Rufino10:46

    Apesar de os posts que coloquei no Altermundo irem numa direcção diferente, não posso deixar de concordar contigo, Sofia. No fundo, o que eu penso desta polémica é o exacto paralelo do que eu pensei aquando da polémica dos cartoons. O Papa fez afirmações potencialmente incendiárias, e tinha obrigação de o saber (tenho a convicção de que o sabia), tal como os cartoonistas sabiam o risco que corriam. Bento XVI tem obviamente o direito de se expressar livremente (como os cartoonistas o tinham), e qualquer um, eu, tu, os muçulmanos, de se indignarem livremente (tal como com os cartoons). Até aqui isto é, ou devia ser, consensual. Onde a fronteira da liberdade de expressão é ultrapassada é no excesso da indignação islâmica - e aqui concordo com o a. teixeira quando diz que a histeria é politicamente motivada, como já o foi no caso dos cartoons. Aparentemente, há alguém muito interessado - mais interessado que o Papa - em provocar a cisão entre cristãos e muçulmanos... vamos reunir os suspeitos do costume?

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  3. João Moutinho11:07

    De acordo!

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