31 julho 2006

Hackers

Não sei o que se passa com o meu blogue. Estou fora e, quando "postei" o último post, deparei com um blogue totalmente diferente do meu. Modificou-se o template. Será que me está a acontecer o mesmo que ao Abrupto????

Investigarei, logo a partir de amanhã!

Este não é o meu template!

Sinto-me muito irritada!

29 julho 2006

Gaivotas



Gritos urgentes das gaivotas,
nas madrugadas
de sono e calor.


Vozes vorazes e abruptas
decapitam o silêncio.


(fotografia de Noah Grey: seagulls)

21 julho 2006

Antecipação


Fecho a porta
às persianas descidas,
ao pó que se acumula,
à caneta destapada,
à cama por fazer,
ao gelo que se derrete.

Ligo o meu motor,
foco os olhos na paisagem,
permito-me antecipar
o mar.

Risível

Depois de reler alguns dos meus posts e vários outros posts que se escrevem por aí, vem-me um cansaço enorme perante a nossa puerilidade.

Será que a figura que fazemos, brandindo argumentos, puxando razões, esgrimindo princípios, tão certeiros e comprometidos como missionários da fé, não é a figura das crianças que se tomam a sério no meio de velhos cínicos que se riem?

E tem tudo isto algum sentido, ou apenas um encolher de ombros na desesperança?

Viagem



O frio especial das manhãs de viagem,
a angústia da partida, carnal no arrepanhar
que vai do coração à pele,
que chora virtualmente embora alegre.

(poema de Álvaro de Campos; fotografia de Amy Kumler: early morning)

Jornalismo


Quem tenha visto ontem, na RTP1, a peça sobre o debate parlamentar com a Ministra da Educação teria ficado exactamente na mesma no que diz respeito às razões pelas quais tinha decidido repetir duas provas. Teria visto que a justificação seria a existência de péssimos resultados e teria ouvido excertos das intervenções dos deputados da oposição que lhe chamaram incompetente e arrogante.

Não tive oportunidade de ver as reportagens dos outros canais generalistas, mas deduzo que devem ter sido semelhantes, pois na maioria dos casos assim é. Há uma espécie de cartelização dos telejornais.

Quem, como eu, viu as duas coisas, não pode deixar de ficar perplexa e muito preocupada com a forma como a informação é manipulada.

A omissão de informação é tanto ou mais grave que a sua deturpação pura e simples. Os jornalistas têm a função de servir informação para que quem a lê possa cruzar dados e pensar com e sobre eles. O poder dos media é enorme e exige uma enorme responsabilidade assim como um enorme profissionalismo.

Neste momento o que interessa ao jornalismo televisivo é o aproveitamento de alguns momentos histriónicos, cómicos ou trágicos que prendam a atenção dos espectadores, sem qualquer preocupação de rigor, explicação ou esclarecimento. O tempo disponível para debitar frases ou imagens é curto, e de uma notícia salta-se para outra, mais espectacular que a primeira.

O que mais me impressiona é que esta manipulação de informação não é ditada por qualquer ideologia. É apenas ditada pelo imediatismo, pelo controlo de audiências e pela tentativa de cativar novos espectadores.

Os partidos políticos e os governantes já se habituaram a esta ditadura comunicacional e tendem a governar, não com programas e objectivos, mas com aquilo que fica bem no telejornal das 20:00, para quem os julga de imediato, ou seja, os vários jornalistas / comentadores que se passeiam de um para outro canal, explicando a quem ouve o que deve pensar.

Isto é menos verdade no jornalismo escrito, em que a escolha é maior. No entanto, conforme alerta Fernanda Câncio no seu
artigo de hoje, a imprensa escrita está a cair no mesmo erro, reduzindo as notícias a alguns títulos, servindo-as sem peles nem caroço para melhor serem deglutidas.

A informação livre é um dos pilares da democracia. Que liberdade de informação é esta se temos um filtro ditado pelas leis das audiências e do espectáculo? Como se pode assegurar que o que vemos e ouvimos corresponde, de facto, ao que se passa? Quais são os deveres profissionais e éticos dos jornalistas, quem os regula e controla?

Como em todas as profissões há bons e maus profissionais. Como todas as corporações, esta assume a defesa de atitudes e situações indefensáveis, considerando-se acima de qualquer crítica. Como noutras profissões, a auto regulação não funciona, sindicatos, ordens e outros organismos perpetuam e amplificam o autismo corporativo.

20 julho 2006

Explicações


Finalmente ouvi as explicações da Sra. Ministra da Educação.

Ouvi e percebi muitas coisas:

  • que, ao contrário da generalidade da população que genuinamente queria perceber esta insólita e polémica decisão, os nossos representantes na Assembleia da República, nomeadamente os pertencentes aos partidos que tinham pedido os esclarecimentos urgentes (PSD e PCP), estavam apenas interessados em destruir politicamente a ministra (nada que me espante);
  • que, ao contrário dos deputados do PS, nomeadamente de Manuela de Melo, os deputados do PSD e do CDS não percebiam nada do assunto que tinham pedido para discutir;
  • que, ao contrário da Ministra, os deputados têm uma forma de falar muito pouco civilizada, ou seja mal educada, com especial ênfase para a deputada do PCP, Luísa Mesquita, que sabe do que está a falar mas tem uma atitude histérica e descabelada;
  • que, ao contrário do seu colega Augusto Santos Silva, a Sra. Ministra não percebe nada de chicana parlamentar e está mal preparada para enfrentar este tipo de debates;
  • que as coisas no ensino estão muito mais embrulhadas do que qualquer um de nós poderia imaginar;
  • que o PSD é um dos principais responsáveis por toda esta trapalhada.
  • as razões que levaram à decisão de repetir os exames de Química e Física e porque foram escolhidas apenas essas duas disciplinas (embora não concorde com a decisão);
  • que os nossos deputados ou são burros ou fingem que o são, visto não terem percebido as explicações;
  • que convém perguntar aos jovens, que estão no 11º e 12º anos se o que a ministra disse é verdade, pois qualquer deles está mais bem informado que os Srs. Deputados; eu perguntei e foi-me respondido afirmativamente;
  • que a actuação teatral de indignação de Paulo Portas estava muito exagerada. Convém controlar os ímpetos pois nenhuma companhia de teatro lhe daria emprego.
  • que aos ministros competem as decisões políticas, as fáceis e as difíceis, as certas e as erradas, e que por isso, pelas decisões políticas, são julgados nas urnas;
  • que, apesar de continuar a pensar que a possibilidade de repetição dos exames apenas a alguns alunos, embora compreenda a situação excepcional dos mesmos, seja uma decisão errada e que abre um precedente perigoso, agradeço o facto de haver uma ministra que decida;
  • que o maior erro político da ministra foi o não ter acompanhado o despacho em que propunha a repetição das provas das explicações que deu, só hoje, na Assembleia;
  • que não consigo descortinar as razões da demora das explicações;
  • que espero que a ministra se aguente e continue.

Declaração de interesses (está na moda!) - tenho um filho que fez exames do 11º ano, mas NÃO fez exame a Química nem a Física. Para além disso tenho uma enorme simpatia e respeito pela Ministra.

Nanotecnologia

Vale a pena ler devagar, com atenção: "O futuro chega mais depressa do que pensamos".

"Algoritmo Portalegre"


Eis um bom argumento para um filme da moda: números e relações cabalísticas, códigos políticos encriptados, tudo misturado com organizações mais ou menos extremistas, que gostam de passar uma imagem de purismo quase religioso, em que o grande sacerdote dá pelo nome de Francisco Louça.

Mas o mais divertido é o investigador contratado ser Ruben de Carvalho, o velho e irredutível detective, ex-polícia, que ainda acredita nas virtudes da máquina de escrever e, à noite, fuma cigarros de fumo negro com o chapéu enterrado na cabeça.

Crónica brilhante.

19 julho 2006

Alerta!


Já não se aguentam mais os alertas vermelhos e amarelos (nunca há alertas verdes! Também se fossem verdes não eram alertas…) às ondas de calor, às ondas de frio, às verdadeiras ondas, às tempestades, aos vendavais, às cheias, aos incêndios, aos raios ultravioletas, aos pólenes, à desidratação, à congestão, à água do mar, à água do rio, à velocidade, ao álcool, ao tabaco, ao pé de atleta, ao melanoma, à sífilis, à obesidade, à anorexia, ao sentir-se-bem-consigo-próprio, ao tenho-que-gostar-de-mim-em-primeiro-lugar-senão-não-posso-gostar-dos-outros, à SIDA, ao RESPIRAR!!!!!!!!

Deixem-nos viver em paz!

Carolices

Causa-me grande espanto a polémica à volta das férias judiciais.

Em primeiro lugar estranho o próprio conceito de férias em determinados serviços públicos. As pessoas adoecem todos os dias assim como há assaltos, homicídios, cheques "carecas" e burlas todos os dias, porque nem as doenças nem os malfeitores fazem férias.

Assim, existem determinados serviços que não devem fechar para férias. É claro que quem presta esses serviços deve ter férias. Só que o próprio serviço não pode ser afectado. Portanto não percebo porque é que os juízes, magistrados, etc, não podem marcar férias, como o comum dos mortais, ao longo do ano, e de acordo com o interesse do próprio serviço.

Porque o direito a fazer 22 dias seguidos de férias não se pode sobrepor ao dever que os funcionários têm de assegurar a manutenção em funções de um determinado serviço. Por isso é que os mapas de férias dos funcionários são primeiro combinados entre eles e posteriormente têm que ser aprovados pelas chefias.

Quanto à carolice dos magistrados, ela é igual à carolice de todos os profissionais que gostam de trabalhar bem e que têm gosto na sua profissão. Mas se não podemos esperar isso dos magistrados, esperemos, pelo menos, que cumpram as funções pelas quais são pagos. E essas são, tal como em todas as profissões, trabalhar o melhor que sabem e podem, em todas as circunstâncias.

É isso que os Srs. Magistrados exigem das equipas de saúde que, durante as suas (dos Magistrados) férias, estão nos hospitais para os atenderem, ou às suas famílias, com profissionalismo, boa vontade e, quem sabe, até carolice

Café e jornal


A vida durante as férias é um acontecimento inesperado, porque as ruas, as casa, as lojas, as passadeiras, os condutores, os fumos, o calor e as sombras, se vêem do lado de fora do carro.

As lojas que abrem, a fruta a ser disposta de uma forma atraente, os apressados para o café matinal.

Eu posso saborear o jornal do dia, vagarosamente, olhar para o relógio e ver tanta tempo pela frente, ainda por preencher.


(pintura de Anthony Ulinski: cereal bowl and newspaper)

Teatros

Sinto-me um bocado desconfortável quando, mais ou menos inflamada, me insurjo contra acontecimentos ou declarações que são camuflagens dissimuladas para objectivos opacos.

Quando falo de Israel, Líbano, Palestina, das guerras e das encenações em que todos colaboram, dos actores principais aos directores artísticos e às produções, sinto-me uma tola espectadora, que está ainda à espera de Godot.

18 julho 2006

Adão e Eva


Deitados lado a lado
no ar amarfanhado do quarto,
silenciosamente abandonados,
paralelos na doçura
das roupas despidas.

Sem adornos nem palavras
nesta grandeza única
do acto de nos vestirmos
um do outro.



(Pintura de Christina Saj: Adam and Eve)

À espera


Continuamos todos à espera de um esclarecimento por parte da Sra. Ministra da Educação, sobre as razões da repetição das provas de exame a Química e a Física.

Entretanto afiam-se as facas há muito desembainhadas e aperta-se o cerco: providências cautelares (as sempre eternas) contra o Ministério da Educação, abaixo-assinados de milhares de professores, manifestações e protestos das Associações de Pais, e o que mais se verá!

Metamorfoses


Por este andar, Vítor Constâncio começa a parecer-se perigosamente com Santana Lopes. A retoma cada vez mais anunciada por eles, mas nós não vemos nada!

Será que Vítor Constâncio não precisa de mudar de lentes? As dele devem ser de aumentar!

17 julho 2006

Sem fronteiras


Por aqui vamo-nos entretendo com o calor, os exames, as férias, os incêndios. Levando a nossa vidinha, mais ou menos inha, lendo e vendo imagens de destruição a que já nos habituámos.

A banalização do terror e da violência deixa-nos quase indiferentes ao horror de se viver permanentemente ameaçado, fisicamente ameaçado.

Dentro das nossas casas com ventoinhas ou ar condicionado, persianas e cortinas, água canalizada e frigoríficos, é-nos totalmente impossível a abstracção do que será um bairro estilhaçado, a família e os vizinhos mortos, escombros em vez de ruas, sem padaria para comprar pão, sem cama para dormir, sem casa de banho, sem água, sem medicamentos.

À mesa de jantar estremecemos com as imagens, enquanto bebemos uma coca-cola, aplaudimos as declarações dos representantes dos governos, com ar condoído e preocupado, sem nos apercebermos das mães a quem morreram filhos, dos filhos a quem morreram mães, das vítimas desta e de outras guerras, das bombas e dos fanatismos, dos crimes em nome de deus, qualquer que ele seja.

A morte não respeita fronteiras e os filhos de Israel têm intestinos, cérebros e mãos como os filhos de Alá, de Jesus, ou dos homens apenas. Têm medo, e choram, amam e odeiam, adoecem e nascem da mesma forma, têm o sangue da mesma cor e a vida a uma distância de milisegundos de uma bala, de uma pedra, de uma bomba.

(Des)Informar

Vamos habituando os olhos a ler reportagens enviesadas, supostamente mostrando todos os ângulos da questão mas, mais ou menos subtilmente, manipulando, omitindo, dando realce ao que interessa a alguns.

É verdade que os jornalistas são pessoas e, portanto, com toda a legitimidade a defender um ponto de vista, uma ideia, uma fé. Até têm o direito de o fazer em editoriais.

O que já me parece menos claro é que todo um jornal defenda a mesma ideia ou, pelo menos, não publique artigos de opinião, não faça reportagens isentas, não mostre fotografias, não informe.

Vem isto a propósito da informação disponível no Público sobre o recente conflito entre Israel, a Palestina e o Líbano. É absolutamente avassalador o engajamento de José Manuel Fernandes a um dos lados (Israel), de tal forma que títulos, subtítulos e textos estejam compostos com o objectivo de formatar a reacção de quem lê.

Os israelitas matam, os libaneses (ou palestinianos) chacinam. Num dos títulos fala-se da cidade mais tolerante de Israel (Haifa) mas, se lermos o texto, não conseguimos perceber a que tolerância se refere o articulista nem em que critérios se baseia para o afirmar nem, tão pouco, o nome do próprio autor.

Ontem ouvi de passagem, num dos noticiários televisivos, uma intervenção de Zapatero condenando a atitude desmesuradamente bélica de Israel. O Público não se digna, sequer, referir estas declarações.

Melhor que eu, este post demonstra o que quero dizer. De facto ninguém é inocente.

16 julho 2006

Terrorismo de estado


Tenho, e sempre tive, um irresistível fascínio pelos judeus, pela sua diáspora, pelo seu martírio e pela capacidade de sofrer e regenerar que têm.

A sua chegada à Palestina e a fundação de Israel foi dolorosa, para eles e para os palestinianos, que se viram invadidos e espoliados da sua terra.

Nada justifica o terrorismo. Os palestinianos elegeram através de eleições livres, o Hamas. Por muito que doa, são eles, os terroristas, que representam o povo palestiniano.

Depois de declarações inflamadas a afirmar o contrário, o Hamas implicitamente reconheceu o direito à existência de Israel. Quando o mundo parecia respirar de alívio os israelitas, utilizando o pretexto do rapto de 1 soldado, resolveram deitar por terra todas as esperanças e, de uma forma totalmente descabida, desatam a bombardear a faixa de Gaza e agora o Líbano.

Qualquer tentativa de compreensão sobre esta escalada de violência, totalmente protagonizada por Israel, e que pateticamente algumas pessoas tentam justificar, como aconteceu no último “Expresso da meia-noite” (da SIC), é infrutífera.

Israel continua a fazer ouvidos de mercador ao coro internacional que, titubeantemente, o condena. Mas, o que fazer? Israel continua a contar com o apoio incondicional do EUA, naquilo que dizem ser a defesa contra o terrorismo. E como se defendem os palestinianos do terrorismo de estado praticado por Israel?

Politicas

Se António Borges pensa que é assim que se faz caminho para a tão almejada (por si) liderança do PSD, acho que está muito enganado. Ficam-lhe mal estas entrevistas, em que se distancia deselegantemente de Marques Mendes. Já perdeu o barco!

Pelo contrário, Paula Teixeira da Cruz vai tecendo a chegada ao poder e, quanto a mim, lá chegará!

Receita para uma família feliz


Calor, calor, muitíssimo calor. Não apetece fazer nada, muito menos o almoço. Convocam-se todos os membros familiares dispersos pela casa, por mais relutantes que venham, para preparar o cozinhado.

Palavra de ordem: Gaspacho!



  • 8 tomates bem maduros, melhor grandes que pequenos

  • ½ pepino

  • 1 cebola normal

  • ½ pimento verde

  • 1 dente de alho


Descascam-se os tomates, partem-se aos bocados e deitam-se para um copo misturador, ou para um recipiente qualquer onde se possa triturar com varinha mágica, partem-se os restantes legumes da mesma forma (não esquecer de tirar as sementes ao pimento, nem de lavar tudo bem lavado).

Tritura-se tudo bem triturado, papa, juntando água até ficar mais ou menos cremoso, conforme o gosto pessoal. Passa-se o creme por um passador gigante, para tirar os restos de sementes e cascas indesejáveis. Frigorífico ou, se há muita pressa, vários cubos de gelo a substituir a água. Tempera-se como se tempera a salada, com sal (grosso), azeite e vinagre.

Cozem-se ovos (1 por pessoa) e partem-se aos bocadinhos; também se partem aos bocadinhos presunto, cebola, pão, pepino, melão, o que quiserem – é a guarnição.

Serve-se frio numa malga e junta-se uma mistura da guarnição. Come-se e agradece-se aos nossos irmãos ibéricos – OLÉ!

Famílias

Acabei de ler o excelente (como sempre) artigo do Frei Bento Domingues, no Público de hoje, sobre a família, os seus modelos e a sua suposta crise, acabando com uma citação de Laura Ferreira dos Santos, católica e casada há 24 anos com um agnóstico, sem filhos, docente da Universidade do Minho:

  • O meu desejo. Gostava muito que um ou vários dos nossos “dons” bispos casasse, tivesse até um casamento impossível que levasse ao divórcio, que o casal se enchesse de filhos com o mau funcionamento do método das temperaturas, que uma filha “saísse” lésbica, um filho gay e outro transsexual, que uma filha “hetero” abortasse e fosse encarcerada e que uma outra se divorciasse e o pai das crianças não pagasse a pensão. Se, no fim disto tudo, o “dom” anterior não tivesse mudado, ou pelo menos flexibilizado, a sua opinião sobre a família, proporia que fosse estudado pelo António Damásio.

Frei Bento Domingues remata: “Se deixarem as mulheres falar, terão muito que ouvir!”

Brilhante!

15 julho 2006

Avisos

O Sr. Presidente da República, enquanto cumpre zelosamente o seu “roteiro para a inclusão” (quem terá tido a brilhante ideia de pôr Cavaco Silva a condoer-se das criancinhas e das mulheres maltratadas?), vai deixando escapar que o TGV deve ser objecto de GGGRRRAAANNNDDDEEE debate nacional (porque será que me lembro do Jorge Coelho?) sobre o custo/benefício deste projecto.

Muito interessante. Sobretudo porque o Sr. Ministro dos transportes tornou a anunciar o início breve da referida obra...

Calor


Tenho as janelas escancaradas.

Lá fora, junto ao candeeiro da rua, vê-se um leve estremecimento das folhas das árvores.

Nem elas se mexem, para reduzir a produção de calor.


(fotografia de Scott S. De Matteo: street lamp)

14 julho 2006

Exames


Gostava de ouvir a Ministra de Educação, séria e serenamente, explicar as verdadeiras razões da repetição dos exames de Química e Física do 12º ano.

Os maus resultados não podem ser a razão, porque maus resultados também os ouve noutras disciplinas. Assim está a dar-se razão à petição dos encarregados de educação que já clamam por anulação dos exames, possibilidade de repetição dos mesmos na época de Setembro, para todos os alunos e para todas as disciplinas!!! Para além disso, e comparando 2005 com 2006, não me parece que os resultados tenham sido tão assustadoramente diferentes.

Se houve erros nos enunciados das provas de Química e Física, então justifica-se a repetição dos exames apenas naquelas disciplinas. Espero a explicação do ministério, com a respectiva assumpção de responsabilidades e actuação em conformidade.

Mas também gostaria que se olhasse o assunto por outro ângulo: como é possível a enorme discrepância entre as notas dadas durante o ano e as notas conseguidas em exames nacionais? Não será de concluir que as classificações obtidas no final do ano estão super inflacionadas?

Como se compreende que alunos que acabam o ano com notas de 18, 19 e 20 tenham classificações inferiores em 5 valores nas provas de exame? Ou alunos do 9º ano que vão a exame com 4 (escala de 1 a 5) e obtém 2?

Sugiro que o acesso à Universidade seja feito apenas com a nota dos exames às disciplinas específicas. Desconfio muito das médias astronómicas que tantos jovens têm, por exemplo para entrarem em Medicina. Quanto destas médias não é fabricado nas escolas secundárias? Porque não colocar todos os candidatos em pé de igualdade para a admissão à Faculdade?

É essencial que haja exames nacionais para aferir critérios de classificação, avaliar performances de escolas, professores, alunos, manuais e ministério. Sim porque quem faz as provas também tem que ser avaliado. E pela amostra desta época, a classificação também não é brilhante!

Ir sendo (não ser)


Saber gerir as expectativas.

É melhor não querer ser feliz, livre, bela, inteligente, ter uma vida cheia de venturas e de gente boa, tão generosa no dar como no receber.

É melhor saborear um bocadinho de luz, um bocadinho da tua pele, umas flores abertas, um céu clemente. É melhor ir rompendo que romper.

É o que está ao meu alcance, ir vivendo em vez de viver. E talvez ir morrendo em vez de morrer.


(fotografia de Jorge Tutor: nubes)

De férias


Aproveitar os raios de sol, a frescura da penumbra, as horas bem dormidas, os refrescos na esplanada, os livros pela noite fora, a música em concerto, os passeios a pé, as blusas sem mangas, andar descalça, a areia da praia e o mar, o mar, o mar…


(pintura de Isabel Martínez Ferrero (2005): bien estar)

12 julho 2006

Reduziram-se a quatro...

Alguém me saberá explicar porquê o prazo de 5 semanas pedido pelo governo (Sócrates) para o anúncio do fecho da Opel da Azambuja? Qual era a brilhante ideia??? Que por artes mágicas (ou do futebol) as pessoas se esquecessem de mais 1500 desempregados?

Arte


Que nos move, segundo após segundo, compassadamente, rítmica e repetidamente, em direcção ao fim? Que nos motiva, o que há no instante posterior ao de agora, de diferente, de melhor? Que pensamos poder alcançar?

Ou estamos programados, como máquinas cujo fim se desconhece, para ir metabolizando proteínas, gastando e produzindo energia, com efeitos, para nós, desconhecidos?

Que agrupamento de funções fazem com que olhemos e chamemos nomes às coisas, que conjunção de esforços para que transformemos as coisas em utensílios indispensáveis?

Que novas sinapses, que tipo de neurotransmissores, que quantidade de endorfinas fabricamos com a percepção dos outros, ou que os outros fazem estimular em nós a segregação?

Porque aceitamos a decadência progressiva das células, o embranquecimento do cabelo, os partos, a dor dos filhos que crescem, o abandono, o amor, as perdas somativas e inconsequentes e, mesmo assim, todos os dias abrimos os olhos e reiniciamos a indústria de sobreviver?

Que regeneração se opera nos músculos, que ciclo respiratório se mobiliza instantaneamente ao ouvir uma sequência de sons, ao absorver uma paleta de cores, ao viver vidas emprestadas, ao ler sentimentos inventados?

Será a arte que nos faz, uma e outra vez, e sempre, continuar? Em direcção ao absoluto, ao supremo prazer da beleza?

Entrevista (II)

Falou-se ainda da pintura no feminino. Embora seja muito politicamente correcto falar das diferenças entre o masculino e o feminino na política, na arte, no exercício do poder, habitualmente formas artificiais de se realçarem aspectos mais ou menos positivos, consoante o que interessa, não tenho dúvidas que homens e mulheres são diferentes e que por isso têm maneiras diferentes de se exprimirem.

Biologicamente as mulheres têm menos velocidade de ponta, mas têm mais resistência. Culturalmente sempre foram obrigadas a cumprir as tarefas de manutenção da vida, como nascer e ajudar a nascer, dar de comer, amamentando e providenciando a alimentação da família, tratar da casa, das roupas, dos afectos, dos homens, do velhos, compreender, abraçar, suster, amortalhar. Aprenderam a ser meigas e duras, generosas e avarentas, a seduzir, a usar, a dar. Para as mulheres a vida é feita de coisas palpáveis, porque é a elas que se pedem contas dos usos terrenos, dos corpos.

Como Ana Sousa Dias dizia, a vida, na pintura de Graça Morais assim como na de Paula Rego, não é só bonita, com flores e borboletas. É crua, agressiva, violenta.

Foi um gosto conhecer mais um bocadinho de Graça Morais.


(pintura de Graça Morais: Maria)

Entrevista (I)


Assisti ontem, na RTP2, a uma entrevista feita pela Ana Sousa Dias, naquele seu jeito manso e intimista, a Graça Morais, de que gostei imenso.

Graça Morais, com o seu sotaque, os seus cabelos brancos em carrapito, os seus lábios vermelhos e as suas mãos esvoaçantes, sem artifícios, como ela própria se define, é de uma claridade e de uma simplicidade exemplares.

Para os nossos estereótipos do que é uma artista, nomeadamente uma artista plástica, o pragmatismo, misturado com uma sabedoria de gente autêntica, da terra, talhada na pedra, como as mulheres ancestrais, nomeadamente a sua mãe, com quem ela se confunde nos retratos que faz, são um bálsamo e um orgulho.

Dizia ela, a certa altura, que pinta porque precisa, que pinta o que conhece, o que sabe, o que sente. Pergunto-me se, de facto, podemos conhecer os artistas, pintores, músicos, poetas, romancistas, por exemplo, por aquilo que produzem, pela sua faceta criadora.

Pergunto-me se os artistas não se transformam, se não há uma parcela de loucura, se não há outras pessoas, outros seres, outras almas dentro de uma mesma pessoa, e se a expressão de todas essas criaturas, tantas vezes conflituosas, não será a expressão da arte criadora, o retrato de tantas vidas sobrepostas e misturadas.
(pintura de Graça Morais: visitação)

11 julho 2006

Chuva de Verão


Gosto do cheiro a terra que se desprende das gotas de chuva, daquele arrepio fugaz quando se encontra o ar a refrescar, como se o céu precisasse de um pranto que lhe aliviasse a dor.

Caminhos de fim de tarde, mais um dia que se arrumou, no arquivos da nossa vida. Este ainda não tem assunto ou campo de pesquisa, ainda está à espera de catalogação.

Hoje não foram precisos óculos escuros. O sol gozou folga.

A Madeira é um Jardim

O Herdeiro de Aecio tirou-me as palavras da boca, ou melhor dizendo, os dedos do teclado!

Como sei


Amo-te com as mãos
com a boca com os olhos.

Amo-te como só eu
cansada livre imensa.

Amo-te como louca
como posso como quero.

Amo-te demasiado bem
demasiado pouco.

Amo-te como sempre
como sei como vivo.


(pintura de Chagall: lovers)

Prémios

Se partirmos do são princípio de que a lei é igual para todos, pobres, ricos, médicos, empregada(o)s domésticos, militares e futebolistas;

se continuarmos com outros não menos sãos princípios de que trabalhar bem é uma obrigação e de que trabalhar o melhor possível é um dever moral;

e se ainda pensarmos que honrar o nome do país é uma alegria e uma compensação em si mesmo;

então não podemos compreender como é que jogadores profissionais de futebol, que auferem ordenados elevadíssimos, por chegarem ao 4º lugar de um campeonato mundial (o que todos nós aplaudimos e agradecemos, e do qual todos nós nos orgulhamos), onde cumpriram a sua obrigação e pela qual são reconhecidos pelo país e não só, visto que agora podem chover contratos chorudos para muitos destes jogadores, em clubes de prestígio, têm a coragem de pedir isenção de IRS de um prémio de 50000 euros/jogador pela sua actuação!

Cinquenta mil euros significam um ordenado de 3571 euros em 14 meses!E isto foi só o prémio!

Foi tudo a bem da nação! Não havia necessidade…

10 julho 2006

Agradecimentos

Agradeço a todos os que gostaram do novo template. Dá-me imenso gozo remodelar o blogue, de vez em quando. As letras são ligeiramente mais pequenas, mas creio que se lêem bem. Já consegui pôr imagens, o sitemeter também já funciona (embora com algumas alterações, que não compreendo).

De facto, sou totalmente ignorante no que diz respeito a estas linguagens. Por isso ainda é mais divertido! Continuarei (promessa ou ameaça?).

Agosto em Lisboa


Agradecia muitííííssssiiimmmooo aos museus, livrarias, bibliotecas, parques, bares, restaurantes, miradouros, varandas e demais equipamentos lisboetas, que se mantenham a funcionar em Agosto, para que se possam aproveitar ao máximo nesta cidade deserta. Nós, os verdadeiros turistas e verdadeiros trabalhadores, seremos "dois em um" na cidade branca.

Agosto é o melhor mês em Lisboa!

Pessoa de bem

A Associação Nacional de Farmácias vai deixar de ter tanto poder sobre o governo e sobre as próprias farmácias. Aplaudo de pé esta iniciativa de Correia de Campos. O estado deve pagar a quem deve, a tempo e horas. E depois, lé diz o ditado: quem não deve não teme!

Sépia

Gosto das cores desmaiadas
de sépia quente,
papiros e rugas antigas.
Prefiro às cores desbotadas
de tanta luz em brasa,
mãos gastas
olhos baços e ressequidos.

Sou como as folhas
levemente acastanhadas
que murmuram pelo vento,
como sorrisos enfeitados
de puro encantamento.

(pintura de Diane Knight: autumn leaves)

09 julho 2006

De mim para mim


E assim passam as horas,
de mim comigo,
fazendo e desmanchando,
enrolando e desenrolando,
longas horas de silêncio
comigo mesma.

Mudar

Gosto mais deste template.

Tem sido uma verdadeira odisseia tentar perceber os códigos com que se escreve um template. Mas, de vez em quando, gosto de mudar o aspecto do blogue. Eu também mudo de humor…

Viva Zapatero!

Ao contrário dos nossos socialistas pouco ideológicos, Zapatero tem dado lições de coragem socialista e republicana. Na tão religiosa, apostólica e romana Espanha, há uma lufada, ou mesmo um vendaval, de ar fresco!

A verdadeira laicização do estado!

O nosso Partido Socialista, com os seus dirigentes tão pouco revolucionários, bem podiam olhar e seguir o exemplo de Zapatero.

08 julho 2006

Último jogo!



Para consolação dava jeito ganhar este jogo. Lá vamos nós sofrer outra vez!

Ganhe ou perca, a selecção fez um grande mundial!

Discriminações


Muito se fala da discriminação a que são sujeitas certas minorias, pelo facto de o serem. Apela-se ao direito à diferença, ao direito de ser diferente, de se afirmar livremente a diferença, de viver plenamente sem preconceitos.

Não podia estar mais de acordo. Todos temos direito a sermos quem somos, sem por isso sermos discriminados.

Mas o que me parece é que, em muitas circunstâncias, são as próprias minorias que se marginalizam, pela agressiva afirmação e ostentação da suposta diferença.

Falemos da discriminação de que se queixam os homossexuais. A opção sexual é um assunto individual e do foro privado. Não entendo a necessidade de se afirmar o orgulho em ser homossexual, heterossexual, bissexual, assexual, ou outras variações que, eventualmente, possa desconhecer. Tanto me faz que se seja gay, lésbica ou hetero, é com cada um (a) e com os seus (uas) parceiros (as). Ninguém mais tem a ver com isso!

Mesmo quando se fala dos filhos de casais que se assumiram homossexuais. As crianças, filhos de casais homo, hetero, nsexuais não gostam de ser diferentes, pelo contrário, gostam de ser iguais às outras todas. Se as mães vestem calças de ganga e sapatões, elas querem é que se vistam de saia-casaco e saltos altos, que se pintem e usem cabelos compridos. Se os pais usam barba e têm barriga, elas sonham com distintos senhores de óculos e gravatas. Não gostam de nomes originais, pois são um excelente motivo para serem gozadas pelas outras crianças. Portanto, se os casais são formados por pessoas do mesmo sexo, de sexos diferentes ou se só há um progenitor, as mães (ou pais) não precisam de o esconder, mas também não percebo porque é que têm de o proclamar!

Do mesmo se queixam os doentes com SIDA, havendo inclusivamente grandes preocupações com a informatização de processos clínicos, pela hipótese de quebra da confidencialidade.

Assim é, o acesso à informação deve ser restrito, mas não só para os doentes com SIDA. Esse acesso deve ser restrito para TODOS os doentes, quer tenham cancro, sarna, sífilis, hepatite, SIDA, hemofilia ou unhas encravadas.

A confidencialidade é um direito que abrange todos os cidadãos. No entanto há cidadãos (ou cidadãs) que prescindem do seu direito à privacidade e proclamam as suas opções políticas, éticas, estéticas, sexuais, religiosas, etc. Desde esse momento essas opções passam a ser do domínio público e logo sujeitas aos comentários, apreciações e opiniões de todos os outros cidadãos. Não podem por isso, se forem criticados, queixar-se de discriminação. Os que criticam (palavra usada em sentido lato) estão a exercer um direito exactamente igual e tão respeitável como os que são criticados.

A auto-marginalização e a vitimização são dois excelentes ingredientes para o sucesso da discriminação.

07 julho 2006

Londres, 7 de Julho de 2005


A um deus menor.

Recomeço


Acordo para o dia, tropeço nos despojos
da noite intermitente,
olho demoradamente o contorno
da boca, o desgaste na face, a textura da pele,
memorizo minuciosamente
o espírito contemporâneo.

Depois de compor a figura
guardo-me no côncavo da tua mão,
ajusto a máscara que pendurei no espelho
e recomeço.


(pintura de Pascale Maguerez: masks)

06 julho 2006

Que se referende!


Esclareço desde já que sou a favor da despenalização do aborto, que acho bárbaro e selvagem haver julgamentos e condenações pela prática do mesmo.

Quando Marcelo Rebelo de Sousa propôs o referendo para mudar a lei, o PS, chefiado por António Guterres (católico) apoiou a ideia, retirando à Assembleia da República capacidade política para legislar.

Quanto a mim tratou-se de uma manobra para evitar que as facções mais conservadoras, mesmo dentro do PS, criticassem uma mudança da lei, sempre defendida pelo PCP e pela ala esquerda do PS. António Guterres comprometeu-se a aceitar o resultado do referendo, qualquer que fosse a afluência às urnas, talvez porque também estava convencido, como toda a esquerda, de que a vitória seria do “sim”.

Como todos sabemos, a afluência às urnas foi inferior a 50% o que, legalmente, não tornava o resultado vinculativo, e a vitória foi do “não”. Mas o PS estava amarrado à promessa prévia à consulta referendária, obrigando-se a mudar a lei apenas após novo referendo, pelo que o problema ficou adiado mais uns anos.

Veio Sócrates que, em manobras muito pouco dignas, fingindo que queria resolver o problema rapidamente, tentou obrigar o presidente a aprovar o agendamento de um referendo a correr e à pressa, solução que Jorge Sampaio, e muito bem, não aprovou. Penso que era mesmo essa a ideia: culpar o presidente por não haver referendo.

Quando o Bloco de Esquerda anda com falta de visibilidade, regressa à ribalta com temas “fracturantes”. Neste caso, e ajudado pelas condenações em Aveiro, volta a insistir com o aborto, depois do caso do “barco do aborto” ter ficado esquecido.

Por outro lado, quando se começa a ponderar a hipótese de despenalização do aborto, saltam de vários buracos múltiplas associações cristãs, de famílias numerosas, dos amigos das prostitutas e das fadas do lar, que adoram a educação sexual e ajudam imenso as pobres mulheres que tiveram a (in)felicidade de engravidar mas não têm apoios. Ficamos todos inundados por tão boas ideias e intenções, tantas almas generosas, que se escondem rapidamente logo que se acaba o zelo "fracturante" dos bloquistas.

Que se faça o referendo, depressa, que se motivem e esclareçam as pessoas, todas, que se mobilizem os dois campos opostos, que se vote maciçamente para que, sinceramente espero, se avance para uma sociedade mais justa e tolerante, mas sobretudo menos hipócrita!


(escultura de Colleen Madamombe: mother)

Inacreditex


Bem sei que D. Afonso Henriques já não pode protestar. Mas francamente, decidam-se: desenterram-no ou não?

Já pediram autorização ao D. Duarte Pio? Sim, na realidade ele deve ter uma palavra a dizer sobre este melindroso assunto, sempre é da família… afastada, é certo, mas da família! Se calhar também devia dar a sua autorização!

Tinha ouvido falar de um inovador programa governamental que se chamava simplex. Também ouvi dizer que estava muito complicado implementar esse programa nalguns ministérios.

Já sabemos que o ministério da cultura foi um deles, e que a Sra. Ministra é um bocado molenguex, burocratex e gosta de não ser desrespeitadex.

Que tristex!

Manhã de praia


Quando a sesta bate à porta insistentemente, lembrando tardes longas e solarengas, mar quieto e bem azul, livros saborosamente lidos, quando a languidez se apodera da vontade, todos os dias estão demasiado longínquos e nunca mais é manhã de praia!



(pintura de John Bonner: beach)

Portugal vs França



Tudo já foi dito. Perdemos o jogo, mas não é por isso que devemos estar menos orgulhosos da selecção. Ao contrário do que alguns comentam, até acho que Portugal jogou bem. Dispensava-se o penalti, que Ricardo Carvalho assumiu ter provocado. Enfim, paciência. É bastante irritante perder com a França (mais uma vez) e, ainda por cima, por causa de uma grande penalidade (que Ricardo quaaaassssseeeeee defendeu…).

Por um lado ainda bem. Já não se aguenta tanto futebol! Na televisão proliferam os intelectuais da bola, com ar circunspecto e palavreado florido, tecendo considerações cabalísticas e destilando veneno clubístico. É patético!

Parabéns aos jogadores e a Scolari.

Já só falta um jogo que, é claro, vamos ganhar! E depois, voltemos à nossa vida, por favor!

04 julho 2006

Férias


Às vezes sinto a espuma das ondas
nos pés, a areia morna que massaja,
o sol em brasa nos meus ombros.

Desejo de mar e de sal,
de carícias bem terrenas
e de divinas ternuras.


(pintura de William Berra: day at the beach)

Reorientar

O objectivo anunciado pelo governo em tentar que 2500 professores que não podem exercer a sua profissão, pelo menos a componente lectiva, de forma definitiva, possam reformular a sua carreira profissional noutros serviços da função pública, parece-me razoável e meritório.

Não acho bem que professores que, por razões de saúde, estejam incapacitados de dar aulas, sejam considerados incapazes. Por isso devem fazer-se todos os esforços para que esses profissionais se integrem nas escolas, noutras componentes que não a lectiva, de apoio a alunos com dificuldades de aprendizagem, de avaliação e orientação de profissionais menos diferenciados, em bibliotecas e clubes, etc.

Mas também compreendo que, como ainda se têm que somar os 3000 professores que também não podem leccionar, mas ainda de uma forma temporária, seja muito complicado encontrar trabalho efectivo, verdadeiro e necessário, para 5500 profissionais!

É claro que a requalificação profissional é imprescindível. Não é possível ao estado ter nos seus quadros 5500 profissionais que não estão capazes para o trabalho que é suposto fazerem. Nos casos em que não é possível a recolocação, parece-me evidente que terá de haver reformas antecipadas.

Espero que se faça o mesmo noutros quadros profissionais do estado, nomeadamente médicos, enfermeiros, polícias, juízes e outros. Os serviços públicos têm que ser redimensionados na exacta medida em que servem os cidadãos, mesmo que esta atitude, em certas circunstâncias, pareça uma desumanidade.

Mais uma vez os sindicatos não estão a servir os seus associados. Deveriam negociar, com realismo e em defesa dos professores, uma recolocação digna, de acordo com as capacidades e currículos individuais, dando aos profissionais a alegria de se sentirem úteis e realizados.

Mais Timor

Mesmo para quem ainda acreditava nas boas intenções de Xanana Gusmão, as notícias que se vão acumulando levam definitivamente à conclusão de que nada do que se passou foi inocente. E se a Austrália é um lobo com pele de cordeiro, ainda podemos admitir a desculpa de estar a defender os seus interesses.

Mas qual é a desculpa de Xanana Gusmão? Definitivamente, uma pedra aqui, outra acolá, tal como Medeiros Ferreira diz no seu artigo do DN, tudo foi movimentado com o objectivo de afastar Mari Alkatiri, primeiro-ministro indicado pelo partido maioritário eleito. Para que Xanana Gusmão assumisse o poder, juntamente com Ramos Horta e a Igreja, que abençoa esta democracia tutelada pela Austrália.

Parece que está a haver alguma dificuldade em formar governo porque Xanana está a impor algumas condições. Não lhe bastava já ter forçado a demissão do governo. Também se ouve Ramos Horta suspirar, temendo que o país não esteja tão cedo preparado para novas eleições…

Há sempre uma altura de cair na real.

02 julho 2006

Democracia e religião


Vários blogues se têm referido à discussão da lei do protocolo do estado, principalmente no que se refere aos lugares dos representantes da Igreja Católica em cerimónias oficiais.

O que, para mim, é extraordinário é que, passados tantos anos desde a implantação da República, depois de tanto se ter lutado pela laicização do estado, ainda não haja uma separação efectiva entre a Igreja e o Estado. Isto é por demais evidente na recente polémica do retirar de símbolos religiosos (cruzes) das escolas públicas, ou mesmo da existência de aulas de religião, mesmo que opcionais, seja qual for a confissão religiosa em causa, também em escolas públicas.

Vem isto a propósito de um excelente texto crítico ao artigo do Prof. Anselmo Borges, no DN de hoje.

Discreta e mansamente, o Prof. Anselmo Borges vai impregnando o leitor da indispensabilidade de reconhecer o cristianismo como um cimento, um molde, um modelo para a democratização das sociedades, esquecendo-se que as democracias são sistemas políticos, em que a presença ou ausência de religião dos seus cidadãos deve ser irrelevante na condução das políticas institucionais. A religião é um assunto privado, do for íntimo de cada cidadão. Não me parece que os anteriores séculos de cristianismo sejam um testemunho de incentivo democrático.

A igualdade entre os homens, tal como pregada por Jesus Cristo, estava para além da religião.
(pintura de Audrey Frank Anastasi: stations of the cross)

in memoriam


QUANDO

Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.

Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.

Será o mesmo brilho, a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.

(poema de Sophia de Mello Breyner Andresen; desenho de Arpad Szenes: Sophia)

Como todos os dias, as rotinas são as mesmas. Só o sol falhou, neste domingo de preguiça. Na qualquer superfície em que mentalmente me deito, volto-me para o outro lado, aconchegando virtualmente a manta. Hoje é um dia de memórias.

Quem era aquela mulher franzina, com o porte de uma deusa, tal como elas nos aparecem quando escrevemos poemas?

Quem era aquela musa, cuja voz planava pelos limites da música?

Sílaba a sílaba soletro o seu nome. Um vago murmúrio de ondas mergulha na minha paz.

01 julho 2006

Foi desta!

E foi um grande jogo, do princípio ao fim! Os ingleses jogaram muito bem, o que só dignifica a nossa vitória e a derrota deles. Não houve muita pantufada e o árbitro soube arbitrar.

Ricardo é mesmo o maior!

Parabéns

Através de “Um buraco na sombra” soube do aniversário de um blogue que tem alguns dos mais belos textos da blogosfera, para ler em qualquer domingo. Não posso deixar de o felicitar.

Será desta?



A batalha terá lugar às 16 horas (hora portuguesa), no Estádio da Copa do Mundo da FIFA, Gelsenkirchen, Alemanha.

Será desta que chegamos às meias-finais?

Uma questão de decência


Rui Rio tem dado vários exemplos de autoritarismo bacoco, a coberto de uma noção mais ou menos trauliteira do poder democrático.

Os subsídios devem ser dados se os projectos tiverem valor, independentemente do que os seus promotores pensem ou digam do poder público que lhos atribui – o poder autárquico não é pessoal – e têm todo o direito de criticar.

Rui Rio é que não tem o direito de chantagear a população.

Fim de tarde


Nestes momentos melancólicos de luz
desmaiada e em fogo, que se espraia
em pequenas amêndoas de persiana,
nestas horas de música langorosa,
sinto em todas as fibras um torpor
que não sei se é de ardor ou de lonjura,
pelo adeus a fragmentos de ternura.


(fotografia de Victor Zhang: afternoon sun)

Nova morada - do Sapo para o Blogger

Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...