14 julho 2006

Exames


Gostava de ouvir a Ministra de Educação, séria e serenamente, explicar as verdadeiras razões da repetição dos exames de Química e Física do 12º ano.

Os maus resultados não podem ser a razão, porque maus resultados também os ouve noutras disciplinas. Assim está a dar-se razão à petição dos encarregados de educação que já clamam por anulação dos exames, possibilidade de repetição dos mesmos na época de Setembro, para todos os alunos e para todas as disciplinas!!! Para além disso, e comparando 2005 com 2006, não me parece que os resultados tenham sido tão assustadoramente diferentes.

Se houve erros nos enunciados das provas de Química e Física, então justifica-se a repetição dos exames apenas naquelas disciplinas. Espero a explicação do ministério, com a respectiva assumpção de responsabilidades e actuação em conformidade.

Mas também gostaria que se olhasse o assunto por outro ângulo: como é possível a enorme discrepância entre as notas dadas durante o ano e as notas conseguidas em exames nacionais? Não será de concluir que as classificações obtidas no final do ano estão super inflacionadas?

Como se compreende que alunos que acabam o ano com notas de 18, 19 e 20 tenham classificações inferiores em 5 valores nas provas de exame? Ou alunos do 9º ano que vão a exame com 4 (escala de 1 a 5) e obtém 2?

Sugiro que o acesso à Universidade seja feito apenas com a nota dos exames às disciplinas específicas. Desconfio muito das médias astronómicas que tantos jovens têm, por exemplo para entrarem em Medicina. Quanto destas médias não é fabricado nas escolas secundárias? Porque não colocar todos os candidatos em pé de igualdade para a admissão à Faculdade?

É essencial que haja exames nacionais para aferir critérios de classificação, avaliar performances de escolas, professores, alunos, manuais e ministério. Sim porque quem faz as provas também tem que ser avaliado. E pela amostra desta época, a classificação também não é brilhante!

2 comentários:

  1. Silvares00:38

    Quanto às diferenças entre as avaliações do final do ano e as dos exames talvez seja bom recordar que os critérios de avaliação utilizados na escola são os impostos pelo "eduquês".
    A nota final de um aluno tem em consideração "atitudes e valores", trabalhos de aula e trabalhos de casa, etc., etc. Essa nota resulta de uma verdadeira engenharia!
    Além do mais a nota com que um aluno vai a exame, vulgo CIF (Classificação Interna Final), é a média obtida nos 3 anos do Secundário. O aluno pode ter negativa no 12º ano e conseguir um CIF bem interessante apesar disso. Daí que grande parte das diferenças verificadas
    são perfeitamente aceitáveis. Sei que pode parecer bizarro mas é o sistema que temos.

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  2. Sofia Loureiro dos Santos15:34

    Infelizmente o eduquês alastrou e inunda o nosso sistema educativo. E mesmo que se vá mudando, o que não sei se está a contecer, ainda vai demorar muito tempo até reverter a catástofre. Porque o que é catastrófico não são os resultados dos exames, é o que isso significa de ignorância e impreparação.

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