
Muito se fala da discriminação a que são sujeitas certas minorias, pelo facto de o serem. Apela-se ao direito à diferença, ao direito de ser diferente, de se afirmar livremente a diferença, de viver plenamente sem preconceitos.
Não podia estar mais de acordo. Todos temos direito a sermos quem somos, sem por isso sermos discriminados.
Mas o que me parece é que, em muitas circunstâncias, são as próprias minorias que se marginalizam, pela agressiva afirmação e ostentação da suposta diferença.
Falemos da discriminação de que se queixam os homossexuais. A opção sexual é um assunto individual e do foro privado. Não entendo a necessidade de se afirmar o orgulho em ser homossexual, heterossexual, bissexual, assexual, ou outras variações que, eventualmente, possa desconhecer. Tanto me faz que se seja gay, lésbica ou hetero, é com cada um (a) e com os seus (uas) parceiros (as). Ninguém mais tem a ver com isso!
Mesmo quando se fala dos filhos de casais que se assumiram homossexuais. As crianças, filhos de casais homo, hetero, nsexuais não gostam de ser diferentes, pelo contrário, gostam de ser iguais às outras todas. Se as mães vestem calças de ganga e sapatões, elas querem é que se vistam de saia-casaco e saltos altos, que se pintem e usem cabelos compridos. Se os pais usam barba e têm barriga, elas sonham com distintos senhores de óculos e gravatas. Não gostam de nomes originais, pois são um excelente motivo para serem gozadas pelas outras crianças. Portanto, se os casais são formados por pessoas do mesmo sexo, de sexos diferentes ou se só há um progenitor, as mães (ou pais) não precisam de o esconder, mas também não percebo porque é que têm de o proclamar!
Do mesmo se queixam os doentes com SIDA, havendo inclusivamente grandes preocupações com a informatização de processos clínicos, pela hipótese de quebra da confidencialidade.
Assim é, o acesso à informação deve ser restrito, mas não só para os doentes com SIDA. Esse acesso deve ser restrito para TODOS os doentes, quer tenham cancro, sarna, sífilis, hepatite, SIDA, hemofilia ou unhas encravadas.
A confidencialidade é um direito que abrange todos os cidadãos. No entanto há cidadãos (ou cidadãs) que prescindem do seu direito à privacidade e proclamam as suas opções políticas, éticas, estéticas, sexuais, religiosas, etc. Desde esse momento essas opções passam a ser do domínio público e logo sujeitas aos comentários, apreciações e opiniões de todos os outros cidadãos. Não podem por isso, se forem criticados, queixar-se de discriminação. Os que criticam (palavra usada em sentido lato) estão a exercer um direito exactamente igual e tão respeitável como os que são criticados.
A auto-marginalização e a vitimização são dois excelentes ingredientes para o sucesso da discriminação.
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