04 julho 2006

Reorientar

O objectivo anunciado pelo governo em tentar que 2500 professores que não podem exercer a sua profissão, pelo menos a componente lectiva, de forma definitiva, possam reformular a sua carreira profissional noutros serviços da função pública, parece-me razoável e meritório.

Não acho bem que professores que, por razões de saúde, estejam incapacitados de dar aulas, sejam considerados incapazes. Por isso devem fazer-se todos os esforços para que esses profissionais se integrem nas escolas, noutras componentes que não a lectiva, de apoio a alunos com dificuldades de aprendizagem, de avaliação e orientação de profissionais menos diferenciados, em bibliotecas e clubes, etc.

Mas também compreendo que, como ainda se têm que somar os 3000 professores que também não podem leccionar, mas ainda de uma forma temporária, seja muito complicado encontrar trabalho efectivo, verdadeiro e necessário, para 5500 profissionais!

É claro que a requalificação profissional é imprescindível. Não é possível ao estado ter nos seus quadros 5500 profissionais que não estão capazes para o trabalho que é suposto fazerem. Nos casos em que não é possível a recolocação, parece-me evidente que terá de haver reformas antecipadas.

Espero que se faça o mesmo noutros quadros profissionais do estado, nomeadamente médicos, enfermeiros, polícias, juízes e outros. Os serviços públicos têm que ser redimensionados na exacta medida em que servem os cidadãos, mesmo que esta atitude, em certas circunstâncias, pareça uma desumanidade.

Mais uma vez os sindicatos não estão a servir os seus associados. Deveriam negociar, com realismo e em defesa dos professores, uma recolocação digna, de acordo com as capacidades e currículos individuais, dando aos profissionais a alegria de se sentirem úteis e realizados.

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