30 outubro 2010

O novo chefe do governo

 



 


Teixeira dos Santos é o homem forte do governo. Sócrates não falou, com excepção das declarações feitas quase a medo, em Bruxelas, em que oferecia mais um esforço, para se chegar a acordo no OE 2011.


 


A unanimidade internacional e o coro de vozes, lembrando o apocalipse se não houvesse aprovação orçamental, raiaram o disparate. Penso que todos percebemos que as decisões políticas e económicas no nosso país não têm nada a ver com as eleições. São o resultado daquilo que a Alemanha e "Os Mercados" querem que seja. A democracia representativa e a soberania nacional não existem, pelos menos nos moldes que ainda estão escritos na Constituição.


 


Fiquei ainda com a impressão de que a abrupta rotura das negociações, quando o governo levava um acordo pronto a assinar, foi uma tentativa de as fechar ao estilo de Sócrates, para tomar a dianteira na aprovação do OE. O reatar das negociações a pedido de Teixeira dos Santos mais faz desconfiar do incómodo do próprio Teixeira dos Santos e do governo. Especulação pura, o que escrevo, mas credível. Para os cidadãos comuns o chefe do governo é, neste momento, Teixeira dos Santos. Sócrates perdeu iniciativa, protagonismo e ficou com a imagem de ser um problema irresolúvel. Que diferença entre o primeiro-ministro decidido, seguro e voluntarioso do anterior governo.


 


Também a negação de Eduardo Catroga em aparecer ao lado de Teixeira dos Santos mostra a distância que o PSD quer mostrar da sua própria atitude. Isso vai ser mais difícil e soa a falso. Os 500 milhões de euros que faltam para atingir o défice prometido terão que ser encontrados.


 


A comunicação de Cavaco Silva de ontem foi tão inusitada como o seu discurso de candidatura. Precisamos muito da renovação geracional das nossas elites políticas.


 

All of You









 


Keith Jarrett Trio


 

Dúvida metódica

 


Se há acordo entre o PSD e o governo, o PSD vai votar a favor, ou abster-se?


 

27 outubro 2010

Justificações

 


Miguel Relvas foi à televisão explicar as razões do PSD para a rotura das negociações. Não explicou nada mas também não é de espantar. As negociações foram uma forma de os dois partidos se justificarem perante as populações. O PS quis passar a mensagem de que estava totalmente aberto às negociações. O PSD quis passar a ideia de que agora terá muitas razões para votar contra o OE de 2011. Mas também deixou a porta aberta, invocando as pressões internacionais e a crise, para se abster. Na verdade, o PSD nunca mostrou como seria possível atingir o défice de 4,6% com as medidas que propunha.


 


Isto é jogo político. Não me parece que ao PSD interesse ficar com o ónus de provocar uma crise política. Aguardará, em pose sacrificial, até que seja possível dissolver a de novo a Assembleia da República. Portanto a erosão do governo e do PS durante os próximos meses é-lhe favorável.


 


Penso que o OE será viabilizado. Além disso, a desesperança dos mercados só nestas alturas é noticiada. Porque quando o governo anunciou a austeridade, os mercados reagiram bem no primeiro dia e reagiram mal nos dias seguintes. As regras especulativas não são tão lineares.


 


Mas o mais interessante é ouvir Manuel Alegre vociferar contra a Europa e as regras do Tratado de Lisboa, como se só agora as tenha descoberto.


 

O próximo Presidente da República

 



 


Cavaco Silva anunciou a sua já anunciada recandidatura. Cavaco Silva ama a pátria, é sério, honesto e frugal, economista, sabe muito de finanças, estudou e avisou os políticos dos seus desvarios. Se não fosse ele, já tínhamos sido engolidos pelo FMI. Claro que já se esqueceu daquele outro político que há cerca de 30 anos atravessa gerações a fazer política. Mas não faz mal. Como ainda por cima vai ser poupado na campanha eleitoral, porque a democracia está cada vez mais cara, lavam-se as manchas passadas com o brilho das virtudes do presente.


 


Cavaco Silva será o próximo Presidente da República.


 

24 outubro 2010

Artesanato político

 



João Franco


 


Não é que seja novidade, mas é sempre importante assinalar: a esquerda parlamentar é composta por dois partidos que apenas servem para protestar. Quando é preciso assumir responsabilidades governativas, estes dois partidos excluem-se automaticamente.


 


A evidência a que nos rendemos, legislatura após legislatura, é que o BE e o PCP são uma espécie de artesanato parlamentar, uma representação popular tradicional, que preservamos como quem preserva as cavacas ou os bonecos de João Franco.


 

Rito da passagem

 



Leo Augustine: removed


 


Subimos a ladeira do cemitério. Vais a frente, o apoio do teu pai. Vejo-te de costas direitas, os músculos tensos, o cabelo arranjado e a roupa apropriada, nos ritos a que nos obrigamos. Sinto-te tão distante e tão perto, dentro da dor que só posso adivinhar e que temo, quando for a minha.


 


Percebo o esforço que fazem ao transportar o caixão. Como é possível se os ossos eram tão finos, a fragilidade tão evidente, o peso tão pouco? Olho para dentro e reconheço que estou a enterrar uma parte da minha juventude. Não lhe chamava tia, como agora é norma, mas de alguma forma, era mais que minha tia, porque era tua mãe.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...