31 dezembro 2008

Celebremos os dias


(pintura de David R. Darrow: celebrate life)


 


Há muita gente a acotovelar-se e a competir nas horríveis previsões para o ano que vem. Pois eu espero que consigamos todos demonstrar que estão erradíssimos.


 


A todos desejo força e vontade para reverter os maus agoiros. Podemos começar por ter boa disposição, que não tem abundado, pelo menos por estas bandas. A partir de agora, sorriso de orelha a orelha que o riso e o amor fazem bem à saúde. Os inevitáveis balanços pesam sempre muito e hoje quer-se leveza.


 


Para todos, espero que 2009 seja melhor que 2008.


 

29 dezembro 2008

Gaza

Assistimos, mais uma vez, a uma escalada de violência israelo-palestiniana e, como é habitual, esgrimen-se argumentos a favor e contra cada uma das partes.


 


Tenho muita dificuldade em escolher um lado, em saber ou acreditar de que lado está a razão. Se Israel parece reagir exageradamente aos ataques do Hamas, matando civis, em que medida isso não acontece porque há mistura entre militares e civis? Se é verdade que o Hamas não cumpriu o cessar-fogo, até que ponto isso não foi apenas usado como desculpa para Israel atacar a Faixa de Gaza, ataque esse que já estaria a ser preparado há vários meses?


 


Os únicos inocentes neste conflito são aqueles que tentam viver a sua vida o melhor possível, em condições dramáticas, que gostariam de viver em paz, de alimentar e educar as suas crianças e de poder dormir sem medo de morrer. Palestinianos ou israelitas.


 

A derrota do Presidente

A maior parte dos comentadores olha para a situação criada pelo conflito entre o Presidente e a Assembleia da República como um braço de ferro alimentado por Sócrates e pelo PS, não se sabe exactamente com que objectivo.


 


Como já aqui defendi, eu penso exactamente o contrário. Houve uma aposta política de Cavaco Silva que resolveu, a propósito da aprovação do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores, independentemente das razões que lhe possam assistir, criar um incidente institucional, querendo forçar a Assembleia da República a rever uma lei que tinha sido aprovada por unanimidade. Não tendo pedido a fiscalização do artigo que motivou o veto político, Cavaco Silva arriscou e perdeu.


 


Perdeu não por causa de Sócrates e do PS. Perdeu por causa de toda a Assembleia da República. Os partidos com representação parlamentar, embora protestando o seu acordo com o Presidente, votaram outra vez favoravelmente o Estatuto, com excepção do PSD. Este , com a incrível falta de credibilidade e de senso a que nos tem habituado, falou muito, muito, muito, a favor do Sr. Presidente, que tinha toda a razão, mas absteve-se na votação e deu liberdade de voto para votar a favor, mas não contra.


 


Ou seja, Cavaco Silva jogou politicamente e perdeu. Ao dramatizar a situação como o fez, na primeira comunicação e nesta última, falando inclusivamente do irregular funcionamento das Instituições, de grave revés para a democracia, de falta de lealdade institucional, e não tendo levado até ao fim essa posição com a dissolução da Assembleia da República, o Presidente prestou um mau serviço ao país.


 


Adenda: não deixa de ser interessante o afã de Santana Lopes em comentar...


 

28 dezembro 2008

Sem dimensão

A crise instalou-se mais nos nossos hábitos e consciências do que na nossa realidade, pelo menos naqueles que, como eu, são privilegiados.


 


Em vez dos lamentos e dos agoiros, dos sustos e dos discursos, deveríamos perguntar-nos o que poderá cada um de nós fazer para que os serviços públicos sejam melhores e mais eficientes, para que usemos mas não abusemos do estado, para que o nosso esforço possa dar oportunidade a quem ainda a não teve. Em vez de olharmos as nossas supérfluas necessidades como essenciais, deveríamos perguntar-nos como poderemos empregar esses recursos em prol de quem luta todos os dias para ter o mínimo.


 


Tanta roupa dentro dos armários, tantos sapatos, malas, agasalhos, tantos telemóveis que se substituíram porque há uns que fazem mais um trilião de coisas que desconhecemos e nunca vamos usar, tantos brinquedos amontoados com que ninguém brinca, tantos papéis, tantos sacos, tanta gasolina desperdiçada, tantos doces, tantas lautas refeições que nos amolecem e aumentam, à volta das quais tecemos aturados comentários sobre a crise que aí vem.


 


Estamos em crise dentro de nós próprios porque não vemos aqueles que precisam ser vistos, nem usamos a nossa sorte para melhorar a sorte daqueles que a não têm. E esta é uma crise que não tem dimensão nem previsão de término.

Passam


(pintura de Zoltan Szabo: wind dancers)


 


Passam vertiginosos rios espadas

arcos de vento

passam rasgando estradas desaparecidas

depressa

sem riscos nem vazios

passam vertiginosos rios de nada.


 

Indisciplina vs criminalidade

São graves a indisciplina e o sentimento de impunidade na Escola. Não se admite que alunos com 16 e 17 anos considerem uma brincadeira ameaçar a professora com uma pistola de plástico. Mais grave ainda é o sentimento de que, na realidade, foi um incidente apenas, desvalorizado por quem tem responsabilidades na Direcção Regional de Educação.


 


Mas a ideia de que todos estamos sob a ameaça da espionagem dos telemóveis, de que o que dizemos ou fazemos numa sala de aula, num consultório médico, numa conversa de amigos, num gabinete de advogados pode vir a ser transmitido no You Tube, que situações mais ou menos graves, cujas circunstâncias são desconhecidas pois só se discutem partes muito escolhidas de um todo, serão julgadas em praça pública, é assustadora e muito perigosa.


 


Não sei onde tudo isto poderá levar. Mas a mediatização de excertos de situações pode levar a histerias e distorções se calhar ainda mais graves do que os actos em si. É bom que não se confundam criminosos com jovens mal-educados e indisciplinados. É bom que as escolas não se transformem em prisões vigiadas nem as aulas em palcos de chantagens inqualificáveis.


 


A autonomia e a autoridade dos professores não se restabelecem transferindo essas competências para as polícias e para os tribunais.

Gripe

A afluência às urgências nesta altura do ano, por causa da gripe e de resfriados, causa o colapso da resposta hospitalar qualquer que seja o número de urgências e a quantidade de profissionais que as servem.


 


É uma questão de cidadania usar os serviços públicos com sensatez e sentido de oportunidade. Estas situações devem ser diagnosticadas e tratadas nos Centros de Saúde e em casa, deixando as urgências hospitalares desimpedidas para os casos de facto graves, como as complicações da gripe, traumatismos, enfartes, etc.


 


Vale a pena seguir as informações e orientações da Cristina, cujo blogue está a ser um verdadeiro serviço público.


 



 


 


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...