31 janeiro 2026

Ninguém se pode abster

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Portugal está a uma semana de eleger o próximo Presidente da República.

Para quem a democracia, a liberdade, a defesa dos direitos humanos, do humanismo, da solidariedade, da decência, não há hesitação: António José Seguro deverá ser o eleito.

A decisão de Luís Montenegro e de Nuno Melo em equivaler Seguro a Ventura apenas significa que os líderes da maioria governamental não têm coragem nem os valores de um regime democrático, pois acabam por aceitar a retórica fascista, odienta, violenta, racista e xenófoba, oportunista e populista do partido de extrema-direita e do seu líder.

Não há engano possível. Votar Trump ou Kamala Harris não era a mesma coisa; votar Ventura ou Seguro também não é.

Após o temporal que varreu parte do país, colocando milhares de pessoas numa situação terrível, sem água, sem luz, sem mantimentos e sem aquilo por que lutaram toda a vida, é natural que a revolta das populações atingidas desmobilize o eleitorado. É obviamente compreensível que as prioridades não coloquem a eleição presidencial nos primeiros lugares.

Mas não nos enganemos. A eleição do Presidente da República é efetiva apenas e só após a contagem dos votos. E as democracias não se podem distrair, não podem deixar que os extremismos de direita que continuam a aumentar pelo mundo, iluminados pela perigosa e destrutiva inanidade de Trump, vençam os valores que nos têm guiado durante os anos que se seguiram à II Guerra Mundial.

A democracia está em risco e a responsabilidade é nossa.

Não pode haver cedências. No próximo domingo é essencial que, com alegria e confiança, votemos no candidato que representa esses valores – António José Seguro.

Ninguém se pode abster.

16 janeiro 2026

Presidenciais - o que está em jogo

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A nossa votação no domingo, que tudo indica ser a primeira volta das presidenciais, deve ser feita a pensar na segunda volta.

Para quem é democrata, de direita, esquerda ou centro, a hipótese André Ventura não se coloca, pois defesa maior de tudo o que é indecente, rasca, antidemocrático, xenófobo, racista, etc, está aí concentrado.

Cotrim de Figueiredo, por muito bem apessoado e moderno que seja, não excluiu a indicação de voto precisamente em André Ventura, à segunda volta. Para quem tem dúvidas, basta ouvir estas declarações. Não foram impensadas, até porque afirma que André Ventura parece outro político. É o mesmo que dizer, como disse Hugo Soares, que não sabia escolher entre Trump e Kamala Harris. Há momentos que definem uma pessoa, e este é um deles. Para não falar da sua opinião sobre a IGV que, quanto a mim, é uma opinião salazarenta disfarçada, significando um retrocesso civilizacional.

Gouveia e Melo não desiste de se mostrar como alguém asséptico e puro no que diz respeito à política e aos partidos políticos. Custa-me a entender que se queira ser eleito numa democracia representativa, em que os partidos políticos são indispensáveis, adotando este discurso populista e perigoso. Além disso, Portugal não é um imenso exército e a Presidência não é um lugar de chefia militar, mesmo que o Presidente seja o Comandante Supremo das Forças Armadas. Saberá Gouveia e Melo distinguir ambas as funções?

Restam Marques Mendes e Seguro. São candidatos democratas.

A presença de Seguro na segunda volta é uma garantia de haver alguém que defenda o Regime e a Constituição. Marques Mendes não parece ter hipóteses de lá chegar, a não ser que todos os democratas de direita nele votem. Infelizmente, parece que a nossa direita está engolida pela extrema-direita e pelos seus satélites.

Interessante será ver, caso Seguro passe à segunda volta com Cotrim ou Ventura, quem será o escolhido por Luís Montenegro, ou por Marques Mendes. Será mais um momento definidor.

Por último, não consigo entender a razão da manutenção das candidaturas de Catarina Martins, António Filipe e Jorge Pinto, com resultados irrelevantes para cada um deles (total de 4,7%), mas que poderão fazer toda a diferença na hipótese de Seguro passar à segunda volta.

A evolução das sondagens, tracking polls, barómetros, etc., não deve desviar ninguém da importância do voto. É preciso que todos os democratas de mobilizem, que ninguém fique em casa.

Atravessamos uma época muito perigosa. Que ninguém se distraia. Que ninguém se demita da sua responsabilidade.

O meu voto será Seguro.

14 janeiro 2026

Escolhas Presidenciais

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Na nossa sociedade da pós verdade, as eleições deixam quase de fazer sentido, até porque a manipulação dos factos e das próprias eleições nos deixam um gosto amargo a fraudes.

Talvez até por isso seja cada vez mais importante votar, aproveitar estes dias para reafirmar o poder da democracia, do voto livre e universal.

Nestes tempos de incertezas e de ameaças dos abutres que, de novo, estão a tomar conta do mundo, teremos que pensar em quem será a pessoa que, para além de nos representar condignamente, dentro e fora do país, terá a honestidade e a capacidade de ser um árbitro político, sem deixar de parte as suas convicções.

O próximo domingo poderá ficar para a História como aquele em que alguém que defende a xenofobia e o racismo, que quer alterar a Constituição e o Regime e que abomina a democracia, será eleito Presidente da República ou, pelo menos, que chegará à segunda volta das eleições presidenciais. E é bom que acreditemos no que diz, pois a extrema-direita faz mesmo o que promete. 

Cumprir e fazer cumprir a Constituição – parece tão simples e é tão difícil.

António José Seguro pode não ser o candidato ideal, pode até nem ser aquele que, se fossemos nós a decidir, nunca indicaríamos para candidato presidencial. Fui muitíssimo crítica da sua prestação como líder do PS e apoiei António Costa nas primárias. O mundo mudou e eu também. A democracia é a arte do possível, do confronto democrático e tolerante de ideias e de consensos.

De entre os candidatos que se apresentam, António José Seguro é aquele que, para mim, dá mais garantias de ser um Presidente democrático e respeitador das Instituições.

Será para ele o meu voto.

12 janeiro 2026

Os nossos oráculos

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Esta ideia de silêncio quando ouço pessoas como Lídia Jorge. Uma ideia de serenidade e respeito, de comunhão entre quem não se conhece.

A palavra, as histórias, os contadores de histórias são os nossos oráculos.

Perdemos a capacidade de ouvir, pela cacofonia que criamos. Ouvir alguém que inspira, que fala baixinho, com uma voz doce e segura, mesmo com as inquietações e as dúvidas, porque também tem certezas.

Esta ideia de que vale a pena manter os nossos sentimentos, os nossos pensamentos, e como são indispensáveis estes momentos em que ouvimos e aprendemos.

Alfazema para Lídia Jorge. Sim, totalmente adequado.

(Os Vencidos)

05 janeiro 2026

Da loucura dos ditadores e do apaziguamento dos fracos

"Precisamos da Gronelândia do ponto de vista da segurança nacional, e a Dinamarca não vai conseguir fazê-lo", disse em resposta à pergunta de um repórter, a bordo do Air Force One, a caminho de Washington, depois de mais um fim de semana em Mar-a-lago, estância de luxo na Florida onde acompanhou a invasão do Palácio Presidencial de Miraflores, em Caracas. "Vamos preocupar-nos com a Gronelândia daqui a dois meses... vamos falar da Gronelândia daqui a 20 dias", reforçou, colocando pela primeira vez prazos concretos, ainda que confusos, para avançar contra um território de um país aliado da NATO.

Jornal de Notícias

Desde a eleição de Donald Trump que todos os dias são dias de caminhada tresloucada em direção ao abismo.

Não vale a pena convencermo-nos de que, se não o provocarmos, se formos suficientemente subservientes e bajuladores, se continuarmos a tentar encontrar racionalidade onde apenas existe o posso, quero e mando e o mundo é de quem grita mais e violenta mais, estamos a evitar um conflito aberto e armado.

Ele soará quando Trump quiser, ou quando as forças que ele libertou e que saíram por debaixo das pedras o entenderem.

Não desistamos dos valores que distinguem a Humanidade e o Humanismo. A loucura dos ditadores não se apazigua, como bem se viu antes da II Guerra Mundial.

Haja dignidade e solidariedade. No mínimo.

03 janeiro 2026

Botas cardadas

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Trump diz que não vai deixar a Venezuela nas mãos do regime atual e que assistiu à captura de Maduro "como se fosse uma série de TV"

 

Ouvimos o Presidente Trump, que se ufana de uma operação militar que o mundo não via desde a II Guerra Mundial, que assume que pode vir a tomar conta da Venuzuela, ele, e que as companhias americanas irão tomar conta do petróleo venezuelano.

Isto após ter aparecido uma informação em rodapé de que o mesmo Trump iria avaliar a capacidade de Corina Machado liderar a Venezuela.

Pelos vistos já decidiu.

Sim, desde a II Guerra Mundial que não víamos este nível de loucura.

Botas cardadas.

"Hoje foi a Venezuela, amanhã quem será?" Dos candidatos presidenciais só Ventura não critica ataque de Trump, mas há tons muito diferentes

 

Le moribond

Jacques Brel

Adieu l'Émile, je t'aimais bien

Adieu l'Émile, je t'aimais bien tu sais

On a chanté les mêmes vins

On a chanté les mêmes filles

On a chanté les mêmes chagrins

 

Adieu l'Émile, je vais mourir

C'est dur de mourir au printemps tu sais

Mais j'pars aux fleurs la paix dans l'âme

Car vu qu't'es bon comme du pain blanc

Je sais qu'tu prendras soin d'ma femme

 

Et j'veux qu'on rie, j'veux qu'on danse

J'veux qu'on s'amuse comme des fous

J'veux qu'on rie, j'veux qu'on danse

Quand c'est qu'on m'mettra dans l'trou

 

Adieu Curé, je t'aimais bien

Adieu Curé, je t'aimais bien tu sais

On n'était pas du même bord

On n'était pas du même chemin

Mais on cherchait le même port

 

Adieu Curé, je vais mourir

C'est dur de mourir au printemps tu sais

Mais j'pars aux fleurs la paix dans l'âme

Car vu qu't'étais son confident

Je sais qu'tu prendras soin d'ma femme

 

Et j'veux qu'on rie, j'veux qu'on danse

J'veux qu'on s'amuse comme des fous

J'veux qu'on rie, j'veux qu'on danse

Quand c'est qu'on m'mettra dans l'trou

 

Adieu l'Antoine, j't'aimais pas bien

Adieu l'Antoine j't'aimais pas bien tu sais

J'en crève de crever aujourd'hui

Alors que toi, tu es bien vivant

Et même plus solide que l'ennui

 

Adieu l'Antoine, je vais mourir

C'est dur de mourir au printemps tu sais

Mais j'pars aux fleurs la paix dans l'âme

Car vu qu't'étais son amant

Je sais qu'tu prendras soin d'ma femme

 

Et j'veux qu'on rie, j'veux qu'on danse

J'veux qu'on s'amuse comme des fous

J'veux qu'on rie, j'veux qu'on danse

Quand c'est qu'on m'mettra dans l'trou

 

Adieu ma femme je t'aimais bien

Adieu ma femme je t'aimais bien tu sais

Mais je prends l'train pour le Bon Dieu

Je prends le train qu'est avant l'tien

Mais on prend tous le train qu'on peut

 

Adieu ma femme je vais mourir

C'est dur de mourir au printemps tu sais

Mais j'pars aux fleurs les yeux fermés ma femme

Car vu qu'j'les ai fermés souvent

Je sais qu'tu prendras soin d'mon âme

 

Et j'veux qu'on rie, j'veux qu'on danse

J'veux qu'on s'amuse comme des fous

J'veux qu'on rie, j'veux qu'on danse

Quand c'est qu'on m'mettra dans l'trou

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...