03 janeiro 2026

Le moribond

Jacques Brel

Adieu l'Émile, je t'aimais bien

Adieu l'Émile, je t'aimais bien tu sais

On a chanté les mêmes vins

On a chanté les mêmes filles

On a chanté les mêmes chagrins

 

Adieu l'Émile, je vais mourir

C'est dur de mourir au printemps tu sais

Mais j'pars aux fleurs la paix dans l'âme

Car vu qu't'es bon comme du pain blanc

Je sais qu'tu prendras soin d'ma femme

 

Et j'veux qu'on rie, j'veux qu'on danse

J'veux qu'on s'amuse comme des fous

J'veux qu'on rie, j'veux qu'on danse

Quand c'est qu'on m'mettra dans l'trou

 

Adieu Curé, je t'aimais bien

Adieu Curé, je t'aimais bien tu sais

On n'était pas du même bord

On n'était pas du même chemin

Mais on cherchait le même port

 

Adieu Curé, je vais mourir

C'est dur de mourir au printemps tu sais

Mais j'pars aux fleurs la paix dans l'âme

Car vu qu't'étais son confident

Je sais qu'tu prendras soin d'ma femme

 

Et j'veux qu'on rie, j'veux qu'on danse

J'veux qu'on s'amuse comme des fous

J'veux qu'on rie, j'veux qu'on danse

Quand c'est qu'on m'mettra dans l'trou

 

Adieu l'Antoine, j't'aimais pas bien

Adieu l'Antoine j't'aimais pas bien tu sais

J'en crève de crever aujourd'hui

Alors que toi, tu es bien vivant

Et même plus solide que l'ennui

 

Adieu l'Antoine, je vais mourir

C'est dur de mourir au printemps tu sais

Mais j'pars aux fleurs la paix dans l'âme

Car vu qu't'étais son amant

Je sais qu'tu prendras soin d'ma femme

 

Et j'veux qu'on rie, j'veux qu'on danse

J'veux qu'on s'amuse comme des fous

J'veux qu'on rie, j'veux qu'on danse

Quand c'est qu'on m'mettra dans l'trou

 

Adieu ma femme je t'aimais bien

Adieu ma femme je t'aimais bien tu sais

Mais je prends l'train pour le Bon Dieu

Je prends le train qu'est avant l'tien

Mais on prend tous le train qu'on peut

 

Adieu ma femme je vais mourir

C'est dur de mourir au printemps tu sais

Mais j'pars aux fleurs les yeux fermés ma femme

Car vu qu'j'les ai fermés souvent

Je sais qu'tu prendras soin d'mon âme

 

Et j'veux qu'on rie, j'veux qu'on danse

J'veux qu'on s'amuse comme des fous

J'veux qu'on rie, j'veux qu'on danse

Quand c'est qu'on m'mettra dans l'trou

Um dia como os outros (200)

umdiacomoosoutros.jpeg

2026: Desejar não basta. É tempo de fazer

Maria Manuel Mota

(…)

Como cientista, acredito profundamente que a ciência nos oferece mais do que respostas técnicas. Oferece-nos um método para viver em sociedade. A ciência ensina-nos a duvidar sem destruir, a discordar sem deslegitimar, a mudar de opinião sem perder dignidade. Ensina-nos que o conhecimento é cumulativo, que nenhuma descoberta surge isolada e que o progresso raramente é imediato e quase sempre é coletivo.

A ciência fundamental, silenciosa e persistente, é talvez o melhor exemplo disso. Durante anos, décadas até, parece não produzir impacto visível. E depois, aparentemente do nada, transforma-se em vacinas, terapias, tecnologias, soluções que mudam vidas. Exigir resultados imediatos da ciência é como exigir frutos a uma árvore acabada de plantar. É desconhecer a natureza do conhecimento.

(…)

A ciência mostra-nos que cooperação supera competição quando o objetivo é comum. Que diversidade de perspetivas melhora decisões. Que sociedades mais justas, mais informadas e mais inclusivas são também mais resilientes.

Que 2026 seja, então, menos o ano das promessas e mais o ano do compromisso. Menos o ano das queixas e mais o ano da construção. Um ano em que escolhamos a racionalidade em vez do ruído, a união em vez da fragmentação e a ação em vez da resignação. A esperança, afinal, não é passiva. Constrói-se.

 

umdiacomoosoutros.jpeg

Quando os portugueses eram o “Bangladesh” para os franceses

José Pacheco Pereira

(…)

Quando os portugueses eram o “Bangladesh” para os franceses convém lembrarmo-nos das centenas de milhares de portugueses que de mala à cabeça atravessaram ilegalmente duas fronteiras para, no nosso exemplo escolhido, a França, chegar aos bidonvilles dos arredores de Paris e trabalhar no duro, principalmente no “batimento”, na construção civil. A inspiração para este artigo foi abrir uma mala, uma valise de carton, que pertence ao espólio de José Carlos Ferreira de Almeida que se encontra no Arquivo Ephemera, um pioneiro do estudo da emigração. Essa mala contém uma das fontes do seu trabalho, muitas centenas de recortes de jornais portugueses, do Algarve a Trás-os-Montes, sobre os anos mais duros da emigração para França, a primeira década dos anos 60.

(…)

a exploração dos emigrantes começava em Portugal com os engajadores e prolongava-se em França com as redes de habitação e emprego organizadas por franceses. Que passavam as fronteiras “vestidos com dois pares de calças e camisas”, a roupa que se levava. Que se podia ter como habitação “uma carrinha que é quarto de dormir de 17 pessoas”, que havia uma máfia luso-francesa na exploração das barracas, que a emigração clandestina é um terreno ideal para o crime. Que a situação era pior para as mulheres

(…)

Que a vida na emigração era de “sofrimentos, injustiças e andanças várias”, assentes na exploração do trabalho dos portugueses que ganhavam mais em França do que em Portugal, mas muito abaixo dos franceses para o mesmo trabalho, sem regras, nem horários. Que para obterem um documento esperavam sete horas (hoje é pior), tendo de se deslocar centenas de quilómetros, com a polícia francesa à perna. E que os franceses olhavam para os portugueses como os habituais feios, porcos e maus, que, para espanto dos franceses, assavam uma sardinha em papel de jornal, escreve o Jornal do Comércio. O livro de Nuno Rocha publicado em 1965 tem um título que diz tudo: França, A Emigração Dolorosa.
(…)

20 dezembro 2025

Quadras de Natal (11)

santa-dali.jpeg

Salvador Dalí

 

Quero um Natal sussurrado

Entre as folhas dos pinheiros

Quero um Natal partilhado

Entre prados e cordeiros

 

Quero um Natal luminoso

Repassado de amizade

Um Natal bem carinhoso

Num sopro de humanidade

 

Quero um Natal de acalmia

Como quem cura uma ferida

Quero um Natal de harmonia

Numa festa merecida

 

E se o Natal se atrasar

Na memória de outra vida

O vento o irá buscar

Com a saudade escondida

 

E assim que o Natal chegar

De sonhos bem enfeitado

Será como o teu olhar

Presente tão desejado

01 dezembro 2025

Vozes para o "Novo Cancioneiro"


novo cancioneiro.jpg


XV.



 

Faze que a tua vida seja o que te nega.

A luta é tua: fá-la.

Agora, os sonhos em farrapos,

melhor é a luta que pensá-la.

 

Ergue com o vigor do teu pulso;

solda-o em aço.

E da tua obra afirma:

– Sou o que faço.

 


 

 

Este e outros poemas do Novo Cancioneiro, ditos por Natália Luiza e Maria João Luís, numa tarde de domingo, após uma curtíssima palestra sobre os poetas neorrealistas.

 


"VOZES PARA O "NOVO CANCIONEIRO" - recital integrado na exposição (inaugurada a 29 de novembro) "Espelhos de Ver por Dentro: o Teatro no Neorrealismo português", no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira (Curadoria e Programação: Miguel Falcão).




Se todos os nossos líderes ou candidatos a tal ouvissem mais poesia e mais música, visitassem mais exposições, assistissem a mais peças de teatro e vissem mais cinema, tivessem mais conhecimento de como se constrói uma cultura e se consolida uma comunidade, a nossa sociedade seria muito mais decente.


25 novembro 2025

Os 50 anos do 25 de novembro de 1975

25 novembro 1975.jpg


25/novembro/1975


fonte liminosa 1975.png


19/julho/1975


 


A 25 de novembro de 1975 houve um movimento de rotura nas Forças Armadas, entre os militares moderados e os de extrema esquerda, que não chegou a um enfrentamento militar e civil devido ao importantíssimo papel de Ramalho Eanes, de Melo Antunes, dos restantes oficiais que lhe estavam agregados e do, evidentemente, Presidente da República Costa Gomes. A partir daí foi possível retomar o rumo da consolidação da Democracia, inaugurada a 25 de abril de 1974.


Tudo isto é conhecido, há documentos, há ainda protagonistas vivos, de ambos os lados ideológicos - os que defendiam uma democracia liberal e os que defendiam um totalitarismo socialista, cuja referência (e apoio) era a União Soviética.


Se os militares tiveram um papel crucial nesta evolução democrática, também a sociedade civil o teve, com a mobilização de todos os que acreditavam nas promessas de abril. E dentre os movimentos da sociedade civil destacaram-se o Partido Socialista e o seu Secretário-geral Mário Soares.


Não posso entender, nem aceitar, que o Partido Socialista se deixe arrastar e confundir com a narrativa de quem, em 25 de novembro, tenha falhado na sua ânsia de voltar ao 24 de abril de 1974 e a um país onde se podiam proibir partidos políticos, nomeadamente o PCP.


Não posso entender, nem aceitar, que as devidas comemorações do 25 de novembro, uma das datas símbolo que fizeram o caminho democrático em Portugal, nos últimos 50 anos, esteja a ser apropriada pela direita revanchista, que foi uma das perdedoras do 25 de novembro.


Não posso entender, nem aceitar, que dirigentes e militantes socialistas não ergam bem alto a bandeira que por direito lhes cabe, de terem sido centrais na defesa do Portugal onde vivemos, deixando que outros, assumindo um papel que não tiveram, tentem transformar o 25 de novembro na data primordial do regime.


No 25 de abril, após um golpe militar, a liberdade foi restaurada. No 25 de novembro, após o levantamento dos moderados do MFA, com o apoio da população liderada pelo Partido Socialista, voltou-se ao projeto delineado a 25 de abril - liberdade, democracia, descolonização e desenvolvimento.

14 outubro 2025

Ao décimo terceiro dia do mês de outubro

o coro dos animais.jpeg


 


Isabel cresce feliz
Treina palavras e voz
Trabalha como aprendiz
Refaz laços cria nós


Isabel mora comigo
Na memória que me resta
Nos seus olhos um abrigo
No seu abraço uma festa


Isabel conta-me um conto
De uma vida de encantar
Cose os fios que desmonto
Para depois remontar


Isabel ensina às flores
O voo das borboletas
Desenha risos e cores
Vai na cauda dos cometas


Isabel acende a esperança
Deste mundo que entristece
Pelos sonhos em que dança
Com o destino que acontece

11 outubro 2025

Ao voto!


 


Nada de encolher os ombros.


Nada de vociferar.


É a festa da democracia.


É a nossa vez.


Decida, escolha, vote.


Não se resigne.


Nunca desista.


 



SMS grátis para 3838 (escrevendo RE espaço nº de BI ou CC espaço Data de Nascimento no molde AAAAMMDD). No estrangeiro pode enviar um SMS para +351962171000 (escrevendo RE espaço nº de BI ou CC espaço Data de Nascimento no molde AAAAMMDD).

eleicoes autarquicas 2025.jpg

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...