24 março 2024

Le Chant des partisans


Le Chant de partisans


 


Ami, entends-tu le vol noir des corbeaux sur nos plaines?


Ami, entends-tu les cris sourds du pays qu’on enchaîne?


Ohé ! partisans, ouvriers et paysans, c’est l’alarme!


Ce soir l’ennemi connaîtra le prix du sang et des larmes…


 


Montez de la mine, descendez des collines, camarades


Sortez de la paille, les fusils, la mitraille, les grenades…


Ohé ! les tueurs, à la balle ou au couteau tuez vite!


Ohé ! saboteur, attention à ton fardeau… dynamite!


 


C’est nous qui brisons les barreaux des prisons pour nos frères,


La haine à nos trousses et la faim qui nous pousse, la misère…


Il y a des pays où les gens au creux du lit font des rêves


Ici, nous, vois-tu nous on marche et nous on tue, nous on crève…


 


Ici, chacun sait ce qu’il veut, ce qu’il fait quand il passe…


Ami, si tu tombes un ami sort de l’ombre à ta place.


Demain, du sang noir séchera au grand soleil sur les routes.


Sifflez compagnons, dans la nuit la liberté nous écoute…

Domingo de Ramos

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Giotto di Bondone


Cenas da vida de Cristo – Entrada em Jerusalém


Cappella degli Scrovegni


 


14.


 


Falareis da rosa como se soubésseis de espinhos


Cuidareis dos filhos para que morram sozinhos


Carregareis as pedras com que fareis os caminhos


Servireis a fome que alimentais de carinhos


 


Mas a cova que vos espera será de lama


Mas o templo que vos tenta será de vento


Mas o tempo que vos gasta será a chama


Que do espaço vos devora sem um lamento


 


Maria Sofia Magalhães


Prosas Bíblicas – Livro 3


Pág. 74

22 março 2024

Portugal e a Europa

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Depois de umas eleições resultantes da combinação de um golpe de estado judicial e de uma decisão pouco compreensível do nosso Presidente que, durante um ano, andou a ameaçar demitir o governo do PS, suportado numa maioria absoluta (para além de Mário Centeno, António Costa sugeriu 3 nomes do PS para formarem governo - António Vitorino, Carlos César e Augusto Santos Silva), temos uma constelação de instabilidade.


O Chega conseguiu 50 deputados. Não partilho do coro condescendente de quem justifica o voto no Chega com a zanga ou o protesto. Pode protestar-se de muitas formas. Mas quem vota escolhe e, para escolher, tem a obrigação de ouvir e ler. No caso do Chega basta ouvir o que dizem, principalmente André Ventura, mas não só. E o que dizem é assustador.


O PS teve uma derrota eleitoral, grande se olharmos aos resultados de 2022. Mas após o ano horribilis que teve, com tanto disparate, a governar desde 2015, o mais espantoso é não ter tido uma muito maior diferença para a AD.


A AD tem uma tarefa espinhosa pela frente. Ainda mais quando é torpedeada por gente que escreve cartas a pedir a Luís Montenegro que faça o contrário do que prometeu.


Mas o que mais me preocupa são as eleições americanas. Se Trump as ganha a Europa deixará de ter quem a defenda. Nada disso foi discutido.


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Estará Portugal preparado para as consequências dessa eventualidade? Com a extrema-direita cada vez mais poderosa em toda a Europa, para além de Trump, estaremos a chegar à beira da generalização da guerra?

17 março 2024

Bolo de limão........

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O meu regresso, cauteloso, vagaroso e aventuroso às lides culinárias, tem tido alguns sobressaltos. E da parte que menos se espera, como por exemplo dos utensílios.


Hoje de manhã, enquanto esperava pela entrega do supermercado, decidi repetir a receita de bolo de limão, com algumas modificações, nomeadamente um truque que me foi ensinado por alguém que, no trabalho, alia eficiência a atenção e simpatia.


Então qual é o truque? Para que o bolo não fique amargo, por causa da parte branca da casca, deve colocar-se os limões em água até ferver, apagar o lume e deixar arrefecer. Ou seja, cozer os limões. De seguida, cortam-se os pólos, dividem-se em 4, retiram-se os caroços e a parte central de pele branca.


De resto a receita foi mais ou menos a mesma: 2 limões sicilianos, 180 ml de óleo, 4 ovos, 280 gr de farinha de trigo integral, 300 gr de açúcar amarelo e uma colher de sobremesa bem cheia de fermento.


A preparação é idêntica: tudo para dentro do copo misturador, com excepção da farinha e do fermento. Depois mistura-se a papa resultante com a farinha e o fermento peneirados e põe-se a cozer, em forno pré-aquecido (180º), por 30 minutos.


O problema foi mesmo o forno. Liguei-o para o pré-aquecimento e, durante aí uns 4 minutos, ele trabalhou como de costume. Subitamente ouviu-se um estalo e a electricidade foi abaixo. Por momentos achei que tinha sido um problema geral, pois tem acontecido com alguma frequência.


Mas depois de se restaurar o quadro, de novo tentei ligar o forno e ouviu-se o mesmo estalo, com o mesmo resultado. Resumindo - tinha massa mas não tinha forno. Recorri, por isso, à ajuda materna, literalmente, indo a casa da dita com as formas cheias para cozerem no forno dela.


Pois o truque resultou e o bolo ficou bastante melhor que a tentativa anterior.


Não sei se este é o director's cut, mas é, pelo menos, o reloaded.

Au Revoir Les Enfants


A propósito do livro Village of Secrets que aqui referi, vi anteontem um filme - Au Revoir Les Enfants, de Louis Malle, que apenas conhecia de nome. É um filme de 1987 que recebeu, em 1988, 7 prémios César: melhor filme, melhor realização, melhor cenário original ou adaptado, melhor fotografia, melhor decoração, melhor som e melhor montagem.


O filme é baseado numa história verídica vivida pelo próprio Louis Malle. De uma simplicidade espantosa, sóbrio, silencioso, comovente, mostra mais um exemplo de como as comunidades religiosas, desta vez uma cristã, contribuíram para esconder e salvar crianças e adultos judeus, na França ocupada e colaboracionista.


O mais interessante do filme é o facto de não haver bons nem maus. Todos os personagens têm cambiantes e, por isso mesmo, faz-nos pensar na nossa própria ética, nos nossos próprios valores e de como estes podem ser postos à prova e serem, por nós, esquecidos.


Todos somos humanos, mas há heróis de todos os dias, que não precisam de caixas de ressonância nem de espelhos de aumentar. Porque são, eles mesmos, uma versão melhorada das nossas inquietudes e preocupações.


Num dia de trabalho intenso, como todos, em que as actividades domésticas na minha ausência também foram exuberantes, um jantarzinho a dois, numa bela cervejaria, seguida de uma noite de cinema.


A felicidade das pequenas coisas.



À la Clair Fontaine


Schubert

10 março 2024

O Povo é soberano

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A Democracia a funcionar. Gostemos ou não, o Povo pronunciou-se de forma inequívoca.


Esperemos que todos estejam à altura das suas responsabilidades.


A chegada de um partido de extrema direita à esfera do poder não é, infelizmente, uma surpresa. Não há maiorias nem à esquerda nem à direita. É possível um governo?


Que os líderes dos partidos democráticos defendam a Democracia. É o principal.

Hoje o bolo tem de ser de......

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BOLO DE LIMÃO


Como ninguém sabe a volta e a reviravolta destas eleições, o bolo hoje é de limão. Parece-me uma excelente alegoria para gostar e não gostar (do resultado das ditas, não do dito, claro).


Na minha casa não há bolos sem pré-aquecimento do forno. E sempre a 180º, pois não é de mais nem de menos.


Esta receita é uma espécie de adaptação de várias outras que encontrei na internet, fruto de estudo apurado e pensamento estruturado, claro. Como fiquei fã incondicional de bolos feitos no liquidificador, o que é rápido e fácil e não precisa de grandes elaborações culinárias, este também seguirá esse procedimento.


Cortei 2 limões amarelos (sicilianos) em 4, depois de lhes tirar as pontas; limpei-os de caroços e da película branca que os cobre, coloquei-os no copo misturador. Juntei 3 ovos (deveriam ser 4 mas só tinha 3), 300 gr de açúcar (mistura de amarelo com branco, porque o que tinha de amarelo não chegava) e 180 ml de óleo.


Liguei o botão e ficou tudo a liquidificar durante bastante tempo, até estar um líquido espesso e homogéneo. Deitei o líquido para uma taça grande e peneirei – verdade, já cheguei a esse ponto de perfeição – 300 gr de farinha de trigo integral e 1 colher de sobremesa de fermento em pó (peneirar a farinha serve para que não haja grumos no fim). Incorporei a farinha com o fermento no líquido, verti a massa para 2 formas de bolo inglês anti-aderentes (outra inovação que não dispenso) e lá foram para o forno, onde estiveram 30 minutos.


Nada mau. Mas precisa de melhorar – mais 1 ovo, 1 iogurte de baunilha, uma colher de sopa de fermento e todo o açúcar amarelo. Veremos se da próxima vez fica mais saboroso (espero que apenas o bolo.....).

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...