11 julho 2019

A Saga de Selma Lagerlöf

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Cristina Carvalho


 


Ler é um dos grandes prazeres que tenho na vida. Quando estou de férias redescubro o que é devorar livros, passando os dias reclinada num cadeirão ou estendida na cama a ler.


Para isso também é preciso que haja livros que me prendam, o que é cada vez mais difícil. Ou porque eu própria estou já cansada dos temas, ou porque as personagens não me convencem, ou porque simplesmente não me cativam.


Tinha muita curiosidade de ler este livro de Cristina Carvalho - A Saga de Selma Lagerlöfuma escritora sueca, vencedora do prémio Nobel e a primeira mulher a ser eleita para a Academia Sueca, autora de (entre outros) A Maravilhosa Viagem de Nils Holgersson através da Suécia. Mas estava longe de imaginar o quanto gostei do livro.


Cristina Carvalho dá voz a Selma Lagerlöf e conta-nos, de uma forma simples e imaginativa, a sua fantástica vida, o seu amor pela terra e casa de família, as histórias que ouvia contar, as lendas, os bruxos, as videntes, a Natureza, toda ela diversa e omnipresente, os bichos, o lago, as florestas, as aves, o seu defeito físico, as suas relações com outros escritores e com as suas amantes, o seu combate pelas causas feministas, etc. Parece ter sido um livro escrito de rompante, quase como se Selma Lagerlöf tivesse suspendido a morte e escolhesse Cristina Carvalho como depositária das suas memórias.


Gostei imenso.

09 julho 2019

Estoril - um romance de guerra

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Estoril


 


Dejan Tiago-Stankovic escreveu um livro sobre Lisboa na II Guerra Mundial, uma Lisboa centrada no Hotel Palácio, onde inúmeros refugiados da nata europeia, fugidos da Guerra e das perseguições aos Judeus, aí aguardavam viagem para outro local, ou o fim das hostilidades.


 


Baseado em factos reais, é uma narrativa fluida e muito interessante, por vezes comovente, dos laços que se estreitam entre as mais diversas pessoas nas mais estranhas circunstâncias. O labiríntico marulhar da espionagem é também central no desenrolar dos acontecimentos.


 


Um livro surpreendente, que mistura Saint-Exupéry com Ian Fleming, jogadores de xadrez e espiões sérvios. Vale a pena ler e ouvir outras opiniões.

Na estrada

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Pablo Picasso


 


Há sentimentos que ficam pendentes, emoções embrulhadas em esquecimento, em prioritários matizes de vida a continuar, como se tivessem desaparecido. Mas basta um segundo de desatenção, uma fenda na muralha entretanto erguida e defendida, para que se instalem e avolumem sem perdão.


 


Na lista telefónica do telemóvel, que avançadas tecnologias nos colocam à disposição e à altura dos olhos, aparece o número de quem já não está. De repente a sua voz enche o carro e eu fico sem perceber se o tempo recuou ou se a realidade regressou por um momento, tudo eterno e ritual, como a batalha contra o tempo, que sempre nos vence.

06 julho 2019

Do levantar das pedras

Estamos perante um fenómeno de aparecimento de lacraus que resolveram sair dos buracos onde se escondiam. O cada vez maior número de pessoas que deixam de ter vergonha de assumir as suas ideias xenófobas e racistas, a arrogância da superioridade a que se guindam sem ninguém saber porquê, os privilégios que sentem como um direito, as tão famosas elites que se auto-proclamam meritórias sem se saber qual o mérito que as distingue.


 


Sou acérrima defensora da liberdade de expressão de pensamento sob todas as formas. E acho que ela é por demais importante precisamente quando se lêem posições e opiniões que nos são abjectas. Como é  caso do artigo de opinião de Fátima Bonifácio.


 


Não sei se o que expõe configura um crime de ódio, não tenho conhecimentos jurídicos para me pronunciar. Mas parece-me que a direcção editorial do Público, na sequência desta declaração, se deve informar e actuar em conformidade. Por muito que me custe, prefiro ler artigos destes e saber o que nos falta ainda fazer para combater quem os escreve. Mas nunca devemos esquecer que os limites da liberdade são os que a lei impõe.

Chega de Saudade


João Gilberto

Realidades

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José Manuel Castro Lopez


 


1.


Na verdade nem se importa


de se esconder dentro dos livros


de se fechar entre as palavras


para que não ouça nem fale


sem que os dedos da sua prisão


se libertem.


 


2.


A sua voz tornou-se grave e arranhada


como se as rugas se estendessem pela garganta


e o ar que expira fosse muitos tons abaixo


da verdadeira necessidade de respirar.


 


3.


E ainda não sabe de nada


como se vivesse através do mundo


sem que os olhos desenhassem a realidade.

04 julho 2019

Manter a compostura

É muito difícil manter a compostura ao ouvir tanto disparate e tanta manipulação da parte de Catarina Martins, onde se diz que as PPP enviam os casos complicados para os públicos, que manipulam indicadores, que roubam os dirigentes aos públicos, que não tiveram cortes no tempo da Troika, etc.


Ou Catarina Martins não faz a mínima ideia do que está a dizer, o que é grave, ou sabe e mente, o que é pior.


Já agora, os hospitais em regime de PPP são hospitais PÚBLICOS, geridos por privados. Todos os anos há uma contratualização com o Estado sobre os serviços que devem, podem e não podem oferecer, obrigações, etc., financiamento e penalizações caso as não cumpram. E a referenciação dos doentes para outros hospitais públicos dependem das valências que têm e podem assegurar, PPP ou outros.


Em relação às investigações existentes - e ainda bem - sobre a eventual falsificação de dados nas facturações e nos índices de case mix, convém não acreditar que apenas as PPP o podem fazer.


O problema é que ninguém quer saber a verdade - as pessoas só ouvem e acreditam no que querem: quem é a favor das PPP acha que são a panaceia para todos os males; quem é contra, acha que são culpadas de todas as atrocidades. Não vale a pena continuar a demonstrar que isto é tudo mentira.

Quebradiço

A voz do mar na boca O gume afiado do horizonte Na curva infinita do esquecimento   Reconheço nos ossos A aridez da vontade Queb...