03 fevereiro 2019

E mais não digo

Sou totalmente defensora do SNS, sempre trabalhei e trabalho para o SNS, primeiro no Hospital de Curry Cabral (ainda nos Hospitais Civis de Lisboa), depois no Hospital Garcia de Orta, depois no Hospital Fernando Fonseca, enquanto PPP e EPE, e agora no Hospital Vila Franca de Xira (em PPP), pelo que declaro já que posso não ser isenta na minha apreciação.


 


Li esta entrevista e sinto-me incomodada e revoltada com as palavras de Eduardo Barroso, que diz que pode haver perversões graves na gestão privada de hospitais públicos. É claro que pode, mas não haverá perversões graves na gestão pública de muitos hospitais públicos?


 


Eduardo Barroso não se explica - e mais não diz - deixando a insinuação de que as PPP só se preocupam com o fazer mais barato e só assumem procedimentos e tratamentos pouco onerosos. Convém esclarecer que todos os anos os hospitais celebram contratos com as respectivas ARS e estão obrigadas a cumpri-los, assegurando o atendimento e tratamento da população da sua área de influência e de quem, segundo a lei, a eles forem referenciados, sofrendo penalizações pesadas caso não consigam cumprir o contratualizado. Em relação à preocupação com certificação e acreditação de qualidade, são as PPP as mais dinâmicas e as que mais investem nessa área. Em termos comparativos com outros hospitais dos mesmos grupos, estão bem colocadas em todos os rankings, tanto nos custos como na qualidade dos serviços.


 


Já trabalhei em vários sistemas e regimes e não percebo muito bem aonde Eduardo Barroso quer chegar. Portanto gostaria que dissesse mais e mais claramente. A defesa do SNS não é bem servida por este tipo de entrevistas nem por preconceitos. Lembro-me bem das frequentes manifestações do BE na altura da PPP do Hospital Fernando Fonseca, onde "os Mellos" eram notícia diária pelas várias insuficiências do hospital, que miraculosamente deixou de aparecer nas TVs e nos jornais após a reversão da PPP, embora as insuficiências se tivessem mantido ou mesmo aumentado.


 


É essencial que estas parcerias sejam avaliadas e controladas, mas podem ser uma preciosa arma para melhor tratar os cidadãos, dentro do SNS. Se Eduardo Barroso tem alguma coisa a dizer, pois que o faça claramente.


 


E mais não digo.

02 fevereiro 2019

Ética e decência

Independentemente das razões que os enfermeiros possam ter, por muito que reconheça o direito às reivindicações do que acham justo, não posso concordar nem aceitar esta forma de luta. Não sei se é legal ou ilegal, sei apenas que não é ética nem decente.


 


Claro que todas as greves têm consequências e prejudicam, por isso é que são extremas formas de luta. Mas greves em que os únicos prejudicados são os doentes e, dentre estes, os que menos possibilidades económicas têm, é revoltante.


 


O SNS não pode ficar refém de uma corporação. Há enormes injustiças no Estado, nomeadamente no sector da saúde, em que há vários profissionais com habilitações idênticas às dos enfermeiros que, em termos de remuneração e de carreiras têm escalas bem inferiores. O governo não pode atender apenas a uma corporação, por muito poderosa que ela seja. É assim na saúde, como na educação, como em qualquer outras área profissional.


 


Quem está a financiar este tipo de luta que já ameaça estender-se até Outubro? António Costa e a Rui Rio dizem o óbvio. Rui Rio surpreende, mas ainda bem, pois habitualmente quem está na oposição critica sempre o governo, mesmo quando este tem razão.

20 janeiro 2019

Cenas da vida quotidiana

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(Cena matinal, no quarto, a um domingo)


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Acumulam-se os comprimidos, as dores nas cruzes, os quilos a mais e as teimosias. O novo esfigmomanómetro, devidamente certificado, é disputado por uma matrona estremunhada, já que o seu anafado marido teve que se render à necessidade imperiosa de monitorizar a tensão arterial, na tentativa de levar uma vida mais saudável e activa, submetendo-se às caminhadas na passadeira lá de casa, que estacionava pacífica e silenciosa, substituindo estantes e cabides.


 


Ao manusear o dito aparelho, colocando a manga por cima do casaco do pijama, deu-se conta de que os tubos e o mostrador estavam pegajosos. Comentando, espantada, tal facto, ouve a resposta pronta e cândida, com a espontaneidade que só da verdade desponta:


 


- Ah, é que caiu em cima do bolo.


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Assédio laboral

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Apercebi-me que, neste momento, e em muitos outros, para ser honesta, principalmente em vésperas de congressos, workshops e encontros, posso ser copiosamente acusada de assédio laboral.


 

19 janeiro 2019

A contabilização do riso

Não basta termos regras e horários para levantar, para deitar, para comer, para dormir, para trabalhar, para amar, para educar filhos, para ser empático, para ser civilizado, para beber, para  ser limpo, para ser saudável, para ser lindo, para ser magro, para andar, para correr, para falar, para cantar, agora também devemos ter aulas que nos ensinem a rir e temos que contabilizar a quantidade diária do mesmo.

Barco

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Amadeo de Souza Cardoso


 


 


No barco que procuro no silêncio das ondas


no desequilíbrio do fogo na água que me afoga


é frágil a raiz que me segura inteira


uma âncora perdida no turbilhão da viagem.


 

01 janeiro 2019

Para ver e rever

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Esta série passou há muitos anos na nossa televisão, num tempo em que esperávamos ansiosamente por cada episódio num determinado dia da semana. É da BBC (1974) e excelente. Conta os movimentos políticos nos impérios austríaco, alemão e russo, de 1853 a 1918, com a queda das três coroas - Habsburgo, Hohenzollern e Romanov.


 


Neste momento saboreio-a ao ritmo de um episódio por dia. Não perdeu nada com a idade.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...