A nossa canção é milhares de vezes melhor que qualquer das outras!
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
A nossa canção é milhares de vezes melhor que qualquer das outras!
A propósito do artigo que Fenanda Câncio escreveu no DN, só posso republicar o que escrevi há 2 anos:
Respeito a coragem por publicar este artigo de opinião, sabendo a matilha de raiva que se atiçaria, mais uma vez, contra si. É muito triste e até assustador, assistir a explosões de tanto ódio.
Calculo que, como eu, muitos se sentem enganados e envergonhados por tudo o que, até agora, o próprio Sócrates já disse e desdisse sobre si próprio, e no que isso demonstra do seu carácter. Mas nada justifica nem desculpa os constantes atropelos à justiça, as fugas de informações cirúrgicas, as manchetes, o arrastar na lama do próprio e de todos os que com ele se relacionaram, tal como dos que criticam o justicialismo a que temos assistido. Também não devemos confundir o seu governo e as suas políticas com o facto, caso se prove, de ser um criminoso, ele ou outros.
Não sei a razão pela qual, repentinamente, o PS resolveu defrontar-se com o problema Sócrates. Mas era inevitável que acontecesse, e em qualquer momento iria ser duro e muito doloroso.
Mais uma vez, desta vez pela mão do Público, um título bombástico sugere que houve destruição intencional de provas e documentos sobre os focgos de Pedrógão Grande, tendo vindo já o Presidente da República acenar com a eventual matéria criminal. No entanto, se lermos o corpo da notícia:
(...) Esta é uma situação que decorre, dizem alguns comandantes ao PÚBLICO, da falta de meios para trabalho num posto de comando, uma vez que estes planos são desenhados e redesenhados conforme o evoluir da situação. Acrescentam os auditores que este caso mostra a necessidade de investimento "no plano informático" que guarde informação, o que não acontece actualmente. No terreno, as situações tácticas (SITAC) vão sendo desenhadas num plástico ou acrílico colocado por cima de uma carta militar, e quando se desenha a mais recente, a anterior é apagada. Alguns comandantes vão guardando fotografias desse trabalho, mas no incêndio de Pedrógão, de acordo com os auditores, isso não aconteceu.
Já os restantes planos e informações vão circulando entre os responsáveis, mas de acordo com o relatório da DNAF, que foi revelado em parte pela RTP em Novembro, os documentos em papel que os suportavam terão sido destruídos. Este é apenas um dos detalhes que a auditoria revela e que mostram que há vários pontos amadores no combate a incêndios em Portugal. (...)
... parece que a destruição das ditas provas é um procedimento decorrente da falta de meios informáticos, e não com a intenção deliberada de impedir qualquer investigação.
Também voltámos às acusações de ocultação de relatórios. O governo diz que está em segredo de justiça. Em que ficamos?
Tudo isto é muito triste.

Ontem fui ao Teatro Meridional ver esta peça de Federico García Lorca.
Mas entrar na melhor sala de espectáculos do Poço do Bispo é sempre uma experiência única, em que tudo se transforma para acolher os espectadores como se fossem velhos amigos. O café e o chá à nossa espera com uma fatia de bolo, cadeiras, mesas e luzes que convidam a uma intimidade simpática e não intrusiva, peças de mobília que nos colocam dentro de um cenário, fazendo dos presentes actores.
Por vezes acontecem revezes e inesperados contratempos, como foi o caso de ontem. Um problema na electricidade, devidamente explicado por Miguel Seabra, atrasou o início da representação, para quem não se importou de esperar, que foi a quase totalidade dos presentes. Entretanto, Natália Luíza distribuiu folhas com poemas de Federico García Lorca, no original e traduzidos por Ruy Belo e Eugénio de Andrade. A pouco e pouco, seguindo-se a ela, várias pessoas declamaram os poemas, criando um ambiente de partilha das palavras e da sua melodia, ecoando por dentro de nós a ressonância de sentimentos, que fizeram do tempo de espera um novo espectáculo.
A peça fala da espera, da esperança e do desespero, da resiliência e da fuga à realidade, de mulheres e dos homens que as cercam e enganam, das decisões e dos confinamentos a que nos condenamos, do arrastar da memória e do despojamento final. Fios que se esticam e partem, bordados que se desfiam e morrem, numa linguagem de flores.
Três mulheres, três épocas. As luzes, os movimentos, a música, o alternar da leveza e da crua realidade, Dona Rosinha a Solteira, ou a linguagem das flores, é uma peça do início do século XX que continua a ser actual.
Nunca é demais ir ao Meridional. Preparem-se já para a próxima, que estreia a 9 de Maio.

O mais impressionante, neste filme, é que é quase hiper realista. Muitos dos episódios, se não todos, mesmo que compactados e em épocas distintas, são verdadeiros. É uma comédia negra que, a partir de situações cruéis, vividas por seres humanos capazes de todos os horrores e sujeitos a tudo o que de grotesco acontece a todos, as mostra nas suas facetas ridículas e absurdas.
A maldade, a perfídia, a estupidez, a ambição, o medo, a cobardia, tudo está lá, enrolado numa comédia negra e aterradora. Excelente e muito didáctico, sobre Estaline e sobre a condição humana.
Para a mentira ser segura
e trazer profundidade
tem de trazer à mistura
qualquer coisa de verdade.
António Aleixo

O mais triste é que este tipo de pessoas, que usam muito bem as palavras e se socorrem da ciência, quando lhes interessa, para a acusarem de estar refém das indústrias e dos interesses económicos, mascarando os seus próprios interesses ou as suas crenças (gosto particularmente da Desintoxicação Plantar Electrolítica e da Hidrocolonoterapia - uma forma elegante e pseudocientífico de dizer clisteres, muito em voga no tempo de Molière) - não opiniões baseadas em estudos e factos - são capazes de arrebanhar seguidores. E são perigosíssimos, como podemos ver pelo exemplo da recusa da vacinação e pela adopção de padrões de consumo que não têm qualquer base para se afirmarem melhores que outros.
As tais confrarias e embustes da malévola indústria, a que os médicos, triste gente influenciável e pouco inteligente, que não vê a luz do colesterol nem a alcalinização do corpo, foram aquelas que, em menos de um século, permitiram um aumento da esperança e da qualidade de vida inigualáveis nos séculos anteriores, em que a leitura das entranhas do animais e dos desenhos das nuvens ditavam a medicina.
Em medicina, como noutras ciências, há muita coisa que já foi aceite como verdade e que agora não o é, porque a própria investigação científica assim o demonstrou, não porque os ventos do norte ou do sul tenham trazido a água do mar para nos hidratar de conhecimento. Confundir a abordagem completa dos doentes com mambojambo é má fé ou loucura.
Informemo-nos, estudemos e saibamos pensar e criticar. O conhecimento é o inimigo de todas as fraudes.
PS - Um dia, alguém que muito me ensinou na minha especialidade, a propósito da discussão do diagnóstico de um caso, em que havia várias pessoas que votavam num - o errado - e uma que votava noutro - o certo - disse que a medicina, e a ciência em geral, não era uma democracia. Ou seja, não há debates nem opiniões, há evidências e demonstrações.

Gente jovem a discursar, a dizer bem e alto o que cumpre dizer, em nome da Liberdade e da Democracia, comemorando o 25 de Abril.
Refrescante o discurso de Margarida Balseiro Lopes. Ainda bem.
Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...