A primeira vez que votei foi na secção 7. Hoje já votei na 3.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Votar é a maior e melhor manifestação da democracia, uma espéce de sacramento, um dever ciclicamente renovado, uma prática de cidadania, um direito e uma responsabilidade individual.
Serve esta laudatória introdução para lembrar que as urnas estão abertas até às 19:00h.
Vá a correr comprar as cervejolas, as bifanas e faça uma mousse de chocolate, para poder assistir, na primeira fila, ao espectáculo da liberdade e da democracia, do qual somos todos figuras de cartaz. E se ainda não votou, não perca essa experiência que é sempre nova, em todas as catedrais do poder soberano do povo.
É do melhor que há!
Não tenho opinião sobre a independência da Catalunha. Mas tenho opinião sobre o extremar de posições, nomeadamente a do governo central de Madrid, que está a tentar resolver um problema muito sério e complicado com a força bruta. Apenas consegue um recrudescimento do sentimento separatista e que a revolta se instale.
A Espanha franquista permanece na memória de muitos saudosos de uma Nação que nunca foi una.
Amanhã é dia de renovar a festa, o hábito, o vício da democracia. Votar, escolher, ter voz.
Que ninguém fique em casa. As assembleias de voto estão abertas muitas horas, ninguém precisa de faltar ao supermercado, à caminhada, ao futebol, ao almoço de família, ao café com os amigos, à missa, à meditação. Há tempo para tudo.
Se estiver frio vistam casacos, se estiver sol ponham chapéu, se chover levem guarda-chuva, se estiver calor vão de calções. Não razões nem desculpas.
Amanhã é dia de votar.
Custa e preocupa muito apercebermo-nos de que a extrema direita alemã é a terceira força mais votada na Alemanha, regressando ao Parlamento donde estava afastada desde o fim da II Guerra Mundial.
Até hoje, e apesar dos diversos avisos, a liderança da Europa não tem ligado aos sinais de descontentamento dos cidadãos, nomeadamente em relação à União Europeia. A prolongada crise, as desigualdades e o voluntarismo dos partidos defensores da presente orientação política, empurrou todos os eurocépticos para a direita, pois não se sentem representados por nenhum partido tradicional. O último discurso de Juncker, com a proposta de um Ministro das Finanças comum, é mais uma fuga em frente na suposta necessidade de integração política, sem haja o cuidado de ter a explícita aprovação dos povos.
É claro que esta não é a única razão, mas parece-me uma razão muito importante. Para além disso o desaparecimento das gerações que viveram a II Grande Guerra, o terrorismo, a crise económica e a insegurança sentida dentro do espaço europeu, para além dos fluxos de refugiados, são mais razões para o aumento do racismo e da xenofobia.
É urgente o repensar da construção europeia, o respeito pelas democracias e pelas diferenças entre os vários Estados. São precisas novas políticas sociais, de emprego e de promoção da igualdade. Caminhamos a passos largos para um ciclo que acorda todos os nossos medos.
Mais uma vez a agenda política é marcada pelo jornalismo do Expresso, que divulga um suposto relatório das "Secretas Militares" sobre Tancos, em que o ministro da Defesa e o General Rovisco Duarte seriam arrasados.
Passos Coelho e Assunção Cristas, tal como o Presidente da Comissão de Defesa, Marco António Costa, sem terem aprendido nada com o caso das listas de mortos de Pedrógão Grande, apressaram-se a criticar o governo e o Primeiro-ministro.
Já todos os supostos envolvidos na autoria de tal relatório desmentiram a sua existência. Mas isso não interessa. Em plena semana de campanha eleitoral para as autárquicas, mais uma vez tudo vale.
O Expresso é um actor activo, consciente ou não, do enterramento da credibilidade informativa. Se é que ainda alguém acredita nela, o Expresso apressa-se a desfazer todas as ilusões.
É um dia de real grandeza, tudo azul
Um mar turquesa à la Istambul enchendo os olhos
E um sol de torrar os miolos
Quando pinta em Copacabana
A caravana do Arará - do Caxangá, da Chatuba
A caravana do Irajá, o comboio da Penha
Não há barreira que retenha esses estranhos
Suburbanos tipo muçulmanos do Jacarezinho
A caminho do Jardim de Alá - é o bicho, é o buchicho, é a charanga
Diz que malocam seus facões e adagas
Em sungas estufadas e calções disformes
Diz que eles têm picas enormes
E seus sacos são granadas
Lá das quebradas da Maré
Com negros torsos nus deixam em polvorosa
A gente ordeira e virtuosa que apela
Pra polícia despachar de volta
O populacho pra favela
Ou pra Benguela, ou pra Guiné
Sol, a culpa deve ser do sol
Que bate na moleira, o sol
Que estoura as veias, o suor
Que embaça os olhos e a razão
E essa zoeira dentro da prisão
Crioulos empilhados no porão
De caravelas no alto mar
Tem que bater, tem que matar, engrossa a gritaria
Filha do medo, a raiva é mãe da covardia
Ou doido sou eu que escuto vozes
Não há gente tão insana
Nem caravana do Arará
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...