22 abril 2017

Manhã

Banker_Mexico_clean_right_Jason-deCaires-Taylor_Sc


Jason deCaires Taylor


 


Resta-me gostar


não sei bem se da vida se das pessoas que contém


não sei bem se de ti se da vida que nos tem.


Resta-me tocar


a noite com a certeza de acordar


nem que seja no outro lado da vida


com que renovo os dias por te amar.

21 abril 2017

Das cautelosas cautelas do PCP

pcp chechenia.jpg


 


 


O PCP só tem certezas quando se trata dos desmandos dos EUA, dos seus aliados capitalistas e opressores do povo trabalhador. Quanto à Rússia e aos seus amigos e protegidos, tudo são dúvidas existenciais e cautelas adicionais.


 


Será que há uma perseguição contra os LGBT na Chechénia? Será que estão a colocar pessoas em campos de concentração devido à sua orientação sexual? Será que a Coreia do Norte é uma democracia? Será que o regime Sírio tem armas químicas e as pode usar contra o seu povo? Será?

20 abril 2017

Da manipulação participativa

russia un votacao.jpg


 


 


Vivemos tempos perigosos, se calhar como sempre, mas quanto mais dentro deles estamos mais perigosos os sentimos. O que mais mudou, pelo menos para mim, é a credibilidade das notícias que circulam pelos media, multiplicados e amplificados pelas redes sociais. Nunca se sabe o que é verdade, o que foi truncado, o que foi escondido, o que foi manipulado.


 


Por isso mesmo a cautela deve ser cada vez maior, quando pretendemos formar uma opinião e partilhar as nossas conclusões, pois os factos são cada vez mais alternativos. Tenho assistido estupefacta à divulgação e partilha de artigos, excertos de reportagens, declarações inflamadas sobre o ataque com armas sírias a 4 de Abril, correspondentes a 2013, 2014 e 2016, mas nunca a este ataque específico. Aliás a única notícia do Conselho de Segurança das Nações Unidas que encontrei em relação ao assunto, realça a impossibilidade de ter sido aprovada uma resolução que condenava o ataque e pedia ao governo sírio que cooperasse numa investigação ao incidente, pelo veto da Rússia (e da Bolívia), que foi consentânea com a do PCP em Portugal, ao recusar-se a votar favoravelmente a condenação parlamentar desse crime de guerra, redireccionando as suas críticas aos EUA por terem retaliado de imediato.


 


É tal a cegueira que muitos não se dão sequer ao trabalho de ler os artigos que linkam, pois se o fizessem aperceber-se-iam de imediato do logro. Há de tudo: repórteres a falarem de um ataque químico de 2013, excertos de um relatório das Nações Unidas, de 2013, sobre o facto dos "Rebeldes" terem acesso armas químicas, documentários de uma televisão de extrema direita sobre os sírio, enfim, um manancial de desinformação que conta com a activa participação da nossa negligência.


 


Não sei quem perpretou o ataque com armas químicas. Fosse quem fosse que o fez, é um crime e deve ser unanimemente condenado. Quanto à Administração Trump, ela é uma ameaça à estabilidade e à paz mundial, antes e depois do ataque à Síria.

19 abril 2017

18 abril 2017

O verdadeiro problema...

... não é a existência de um referendo ou de referendos em democracias, mas sim a inexistência da democracia onde se fazem referendos, como parece ser o caso do votado na Turquia, há 2 dias.


 


Os referendos são instrumentos de democracia directa utilizados em casos específicos, regulados pela lei dos países democráticos. O resultado desses referendos, por muito que nos penalizem, devem ser respeitados, como é o caso do referendo relativo ao BREXIT. Percebe-se agora que os defensores do BREXIT não faziam a mínima ideia do que fariam caso o ganhassem, que não antecipavam, mas o resultado não pode ser escamoteado - a maioria dos cidadãos do Reino Unido quer sair da União Europeia.


 


O mesmo não se pode afirmar confiadamente sobre o referendo turco que pedia autorização para o reforço dos poderes de Erdogan. A Turquia não é uma democracia - perseguições políticas a intelectuais, professores, juízes, queima de livros, censura, prisões, manipulação da informação antes e durante o período de propaganda. Não é o resultado do referendo (que não é fidedigno) que reduz ou pode terminar a democracia quando ela já não existia.

16 abril 2017

Preciso me encontrar


Cartola


 



 Zeca Pagodinho & Marisa Monte


 


 


Deixe-me ir


Preciso andar


Vou por aí a procurar


Rir pra não chorar


Deixe-me ir


Preciso andar


Vou por aí a procurar


Sorrir pra não chorar


 


Quero assistir ao sol nascer


Ver as águas dos rios correr


Ouvir os pássaros cantar


Eu quero nascer


Quero viver


 


Deixe-me ir


Preciso andar


Vou por aí a procurar


Rir pra não chorar


Se alguém por mim perguntar


Diga que eu só vou voltar


Depois que me encontrar


 


Quero assistir ao sol nascer


Ver as águas dos rios correr


Ouvir os pássaros cantar


Eu quero nascer


Quero viver


 


Deixe-me ir


Preciso andar


Vou por aí a procurar


Sorrir pra não chorar


 


(Deixe-me ir preciso andar


Vou por aí a procurar


Sorrir pra não chorar)


 


Deixe-me ir preciso andar


Vou por aí a procurar


Sorrir pra não chorar


 


(Deixe-me ir preciso andar


Vou por aí a procurar


Sorrir pra não chorar)

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...