05 fevereiro 2017

Da relativização dos tempos

 


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Dorothy Vaughan & Kathryn Johnson & Mary Winston Jackson


 


Temos grande tendência a considerar as gerações mais novas ignorantes e irresponsáveis, sem interesse naquilo que achamos ser o essencial de conhecimentos, sentimentos, educação e cultura.


 


Outro dia, depois de assistir ao filme Elementos Secretos (Secret Figures), bastante agradável e leve, pus-me a pensar na estranheza com que nos apercebemos de que apenas há cerca de 50 anos havia segregação racial nos EUA, e o que isso significava no dia a dia das pessoas segregadas, para além da discriminação de género. O filme passa-se à volta do ano em que nasci. Como é possível para nós, hoje em dia, acreditarmos que havia uma sociedade compartimentada pela cor da pele? Talvez daqui a 50 anos a reacção dos nossos netos ou bisnetos seja a mesma quando virem as histórias contadas à volta de outros grupos e outras minorias, desencadeando incredulidades idênticas às que me assaltaram durante o filme.


 


Num salto de raciocínio apercebi-me de que, na altura em que assisti pela primeira vez ao documentário The World at War, nos anos setenta do século passado, tinham passado apenas 30 anos do fim da II Guerra Mundial. Que sabia eu do assunto? O que tinha aprendido no liceu? Eram matérias versadas nos currículos? Hitler, Mussolini, Estaline, o Holocausto, o anti-semitismo, a Guerra Civil Espanhola?


 


Por isso mesmo, quando nos espantamos com o desconhecimento dos jovens sobre o 25 de Abril de 1974, que aconteceu já há mais de 40 anos, é melhor percebermos que eles são tão ignorantes como nós éramos e o seu interesse ou desinteresse é semelhante ao que era o nosso.


 


As memórias têm que ser também construídas, activadas e reactivadas, para que os novos entendam o que se passou antes da sua geração, antes daquilo que lhes parece óbvio, permanente, eterno, e que é apenas uma fracção de segundo num tempo circular, que pode desaparecer, retroceder ou perecer.


 

04 fevereiro 2017

The New Yorker

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Liberty's Flameout

Der Spiegel

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America first

A Arte d(n)a Resistência

 


MoMA Takes a Stand: Art From Banned Countries Comes Center Stage


 


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Zaha Hadid


 


This work is by an artist from a nation whose citizens are being denied entry into the United States, according to a presidential executive order issued on January 27, 2017. This is one of several such artworks from the Museum’s collection installed throughout the fifth-floor galleries to affirm the ideals of welcome and freedom as vital to this Museum, as they are to the United States.


 


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Marcos Grigorian


 


This work is by an artist from a nation whose citizens are being denied entry into the United States, according to a presidential executive order issued on January 27, 2017. This is one of several such artworks from the Museum’s collection installed throughout the fifth-floor galleries to affirm the ideals of welcome and freedom as vital to this Museum, as they are to the United States.


 


 


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Parviz Tanavoli


 


This work is by an artist from a nation whose citizens are being denied entry into the United States, according to a presidential executive order issued on January 27, 2017. This is one of several such artworks from the Museum’s collection installed throughout the fifth-floor galleries to affirm the ideals of welcome and freedom as vital to this Museum, as they are to the United States.


 


 


A partir de Yvette Centeno


 

29 janeiro 2017

Manual de despedida para mulheres sensíveis

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Filipa Leal


 


 


Ser digna na partida, na despedida, dizer adeus com jeito,


não chorar para não enfraquecer o emigrante, 


mesmo que o emigrante seja o nosso irmão mais novo,


dobrar-lhe as camisas, limpar-lhe as sapatilhas


com um pano húmido, ajudá-lo a pesar a mala


que não pode levar mais de vinte quilos


(quanto pesará o coração dele? e o meu?),


três pares de sapatos, um jogo de lençóis, o corta-vento,


oferecer-lhe a medalha que a Mãe usava sempre que partia


e que talvez não tenha usado quando partiu para sempre,


ter passado o dia à procura da medalha pela casa toda


(ninguém sai mais daqui sem a medalha, ninguém sai mais daqui),


pensar que a data escolhida para partir é a da morte da Mãe,


pensar que a Mãe não está comigo para lhe dobrar as camisas


e mesmo assim não chorar, nunca chorar, 


mesmo que o Pai esteja a chorar, mesmo que estejam todos a chorar,


tomar umas merdas, se for preciso: uns calmantes, uns relaxantes,


uns antioxidantes para não chorar; andar a pé para não chorar,


apanhar sol para não chorar, jantar fora para não chorar, conhecer gente,


mas gente animada, pintar o cabelo e esconder as brancas, 


que os grisalhos são mais chorões, dizer graças para não pôr também


os amigos a chorar, os amigos gostam é de nós a rir, ver séries cómicas 


até cair, acordar mais cedo para lhe fazer torradas antes da viagem,


com manteiga, com doce de mirtilo, com tudo o que houver no frigorífico,


e não pensar que nunca mais seremos pequenos outra vez,


cheios de Mãe e de Pai no quarto ao lado,


cheios de emprego no quarto ao lado quando ainda existia Portugal.


 


É tanto o que se pede a um ser humano do século vinte e um.


Que morra de medo e de saudade no aeroporto Francisco Sá Carneiro.


Mas que não chore. 

28 janeiro 2017

Sessenta horas de trabalho por semana

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Se dividirmos 60 horas por 7 dias (1 semana, incluindo sábado e domingo), verificamos que dá 8,5 horas por dia. Ou seja, o que Nuno Carvalho explica é que as leis laborais deveriam permitir que um colaborador pudesse trabalhar 8,5 horas por dia, sem sábados nem domingos, para a Padaria Portuguesa.


 


Se quisesse folgar ao sábado, poderia trabalhar 10 horas por dia, caso quisesse folgar sábado e domingo, poderia colaborar 12 horas em cada dia útil da semana. Claro que tudo isto sem pensar em horas extraordinárias.


 


Tudo isto é mesmo muito extraordinário.

A escalada do inimaginável, de novo

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Trump assina decreto para impedir entrada no país de "terroristas islâmicos radicais"


Proibição de Trump afeta até muçulmanos com autorização de residência


Irão reage a decisão "insultuosa" de Trump e proíbe entrada de norte-americanos


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...