29 dezembro 2016

Ladaínha

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Quero e peço


pinto e meço


dedos e língua


canto à míngua


vozes que levo


letras que escrevo


mundo que entrego


pés que carrego


vida que ensaio


salto e caio.

Dos vazios concursais

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A abertura de vagas para o SNS que, sistematicamente, ficam praticamente vazias, deveria levar-nos a repensar muitos dos mitos que pululam pelo espaço da discussão pública.


 


O SNS deixou de ser atractivo para os médicos. A sensação de que não há qualquer vantagem em o integrar, devido ao desinvestimento em equipamentos, à desadequação em recursos humanos, à desorganização dos serviços, nomeadamente dos de urgência, à inexistência, na prática, de carreiras médicas e ao facto das remunerações não serem competitivas com as do sector privado, talvez expliquem uma parte desta situação.


 


Por outro lado demonstra-se, ao contrário do que muito se afirma, que não há médicos a mais. Se fosse esse o caso, os lugares a concurso seriam todos preenchidos. Compreendo que um médico que fez a sua formação em Lisboa ou no Porto tenha dificuldade em mudar a sua vida para outro local, mas só não o faz porque tem outras alternativas.


 


Concordo com a criação de incentivos mas, pelos vistos, esta não está a resultar. Além disso também podemos perguntar-nos porque não se dão incentivos a outras profissões para que fosse possível desacelerar a desertificação do País. Porque não ponderar a possibilidade de tornar uma obrigação contratual dos médicos, após a formação específica, terem um determinado número de anos para servirem o SNS? Na realidade o Estado investe na formação de especialistas, pelo que deveria ter como contrapartida a prestação de serviço onde ele é necessário, com as devidas condições, como é óbvio.


 


Após o 25 de Abril instituiu-se o serviço médico à periferia, o que permitiu melhorar as condições de saúde e de acessibilidade da população a cuidados médicos, contribuindo para a fixação de muitos dos deslocados nessas localidades.


 


Aguarda-se que os responsáveis políticos reponderem a organização e a forma como devem ser geridos os recursos do País. O SNS precisa de gente e de reformas que não se prendem apenas com a melhor aplicação dos orçamentos disponíveis. Sob pena de desaparecer, o que seria um retrocesso sem perdão.

Do combate aos excessos

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Vamos combater os excessos de Natal - menos sorrisos, menos generosidade, menos boas-intenções. Afivelemos pois as nossas caras rígidas e de poucos amigos, pois quem precisa de contar as calorias que come e bebe nunca está bem-disposto.


 


A nova moda saudável transforma a população num conjunto de pessoas inadaptadas aos inúmeros alergénios do meio – agora todos somos alérgicos à lactose e ao glúten. Além disso passámos todos a comer sementes em quantidades industriais, acompanhadas de garrafas de litro e meio de água, que bebericamos a toda a hora e momento, com a consequente permanente ocupação da casa de banho.


 


Drenemos pois as toxinas com sumos detox, chá verde e de gengibre. Nada de cacau quente com torradas – a manteiga e as proteínas animais são dos maiores inimigos de um corpo e de uma mente ágeis, leves, inodoras, jovens e elegantes.


 


Os doces são tanto melhores quanto menos doces forem. Aliás também devemos ser alérgicos ao açúcar, tolerando apenas parquíssimas quantidades de mel ou açúcar mascavado (ou amarelo), em doses milimétricas e só quando o rei faz anos. Acabemos com as vacas e os porcos e transformemo-nos em aves, com tanto peru e frango que deglutimos. Também nos podemos permitir peixinhos grelhados ou cozidos, apenas com um fiozinho de azeite, e muitos, muitos legumes, crus e cozidos, grelhados ou assados, crocantes ou cremosos, tudo o que for erva pode ser comido.


 


Portanto vamos combater os excessos de Natal. À falta de silícios podemos tentar a modalidade dos ginásios, às 7 da manhã ou às 8 da noite, ou ainda o PM (personal trainer), que nos faz emagrecer predominantemente na conta bancária. E entraremos em 2017 sem retenção de líquidos, redimidos e saudáveis, brindando com água aromatizada em vez de champanhe.


 

27 dezembro 2016

Geringoncinhas

Ninguém pode negar o sentido de humor do nosso Primeiro-ministro. Adoraria ver todas as ofertas e saber a distribuição exacta destas geringoncinhas.


 


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Capicua

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Alison Saar


 


 


Olho para o pergaminho da pele


o espelho de uma vida a passar.


Olho para o engelhamento do corpo


com a surpresa de uma adolescência maravilhada


ou com a surda e pesada sapiência dos anciãos


sem saber por onde fugiram os rios


para onde deixei escapar as viagens


onde terei guardado os socalcos e as obrigatórias estações


ancorada em tantas e tão movediças e íngremes margens.

25 dezembro 2016

All I want for Christmas...

... is you...


 



Carpool Karaoke


 



 Olivia Olson


 



Mariah Carey


 


 


 


I don't want a lot for Christmas


There is just one thing I need


I don't care about the presents


Underneath the Christmas tree


I just want you for my own


More than you could ever know


Make my wish come true oh


All I want for Christmas is you


 


I don't want a lot for Christmas


There is just one thing I need, and I


Don't care about the presents


Underneath the Christmas tree


I don't need to hang my stocking


There upon the fireplace


Santa Claus won't make me happy


With a toy on Christmas day


 


I just want you for my own


More than you could ever know


Make my wish come true


All I want for Christmas is you


 


I won't ask for much this Christmas


I won't even wish for snow, and I


I just wanna keep on waiting


Underneath the mistletoe


 


I won't make a list and send it


To the North Pole for Saint Nick


I won't even stay awake


To hear those magic reindeer click


 


'Cause I just want you here tonight


Holding on to me so tight


What more can I do


Oh, Baby all I want for Christmas is you


 


All the lights are shining


So brightly everywhere


And the sound of children's


Laughter fills the air


 


And everyone is singing


I hear those sleigh bells ringing


Santa won't you bring me


The one I really need


Won't you please bring my baby to me quickly


 


I don't want a lot for Christmas


This is all I'm asking for


I just wanna see my baby


Standing right outside my door


 


I just want you for my own


More than you could ever know


Make my wish come true


Baby all I want for Christmas is you


 


All I want for Christmas is you, baby

24 dezembro 2016

Antes do desencadear das festividades

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Isabel Catarrilhas Pires


 


 


Antes da tempestade (ainda) está a bonança. Reúno as forças para me levantar da cama, compondo mentalmente as listas de tarefas que me aguardam. Os rituais da preparação da Consoada, com os seus cheiros, burburinhos e sabores, já começaram há algum tempo e vão prolongar-se por todo o dia.


 


Mas antes um pequeno-almoço pausado e revigorante, aqueles minutos de preguiça e aconchego, para que depois se levante a tempestade de aletria, rabanadas, embrulhos, couves, bacalhau, grão...


 


E o melhor do mundo é dar as boas-vindas a quem quer vir.


 


Por todos os lugares, vários duendes, Pais-natal e Meninos Jesus fazem o Natal de quem sofre, silenciosa e discretamente, abdicando das suas casas e das suas famílias, lutando contra o sono, o medo e o cansaço. Tantos e tantos seres invisíveis que transformam a loucura da tristeza em pequenos intervalos de alguma serenidade.


 


A todos os que vão acompanhando os meus dias, mais ou menos irregulares, o desejo de que passem umas boas festas.


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...