Quero e peço
pinto e meço
dedos e língua
canto à míngua
vozes que levo
letras que escrevo
mundo que entrego
pés que carrego
vida que ensaio
salto e caio.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Quero e peço
pinto e meço
dedos e língua
canto à míngua
vozes que levo
letras que escrevo
mundo que entrego
pés que carrego
vida que ensaio
salto e caio.
A abertura de vagas para o SNS que, sistematicamente, ficam praticamente vazias, deveria levar-nos a repensar muitos dos mitos que pululam pelo espaço da discussão pública.
O SNS deixou de ser atractivo para os médicos. A sensação de que não há qualquer vantagem em o integrar, devido ao desinvestimento em equipamentos, à desadequação em recursos humanos, à desorganização dos serviços, nomeadamente dos de urgência, à inexistência, na prática, de carreiras médicas e ao facto das remunerações não serem competitivas com as do sector privado, talvez expliquem uma parte desta situação.
Por outro lado demonstra-se, ao contrário do que muito se afirma, que não há médicos a mais. Se fosse esse o caso, os lugares a concurso seriam todos preenchidos. Compreendo que um médico que fez a sua formação em Lisboa ou no Porto tenha dificuldade em mudar a sua vida para outro local, mas só não o faz porque tem outras alternativas.
Concordo com a criação de incentivos mas, pelos vistos, esta não está a resultar. Além disso também podemos perguntar-nos porque não se dão incentivos a outras profissões para que fosse possível desacelerar a desertificação do País. Porque não ponderar a possibilidade de tornar uma obrigação contratual dos médicos, após a formação específica, terem um determinado número de anos para servirem o SNS? Na realidade o Estado investe na formação de especialistas, pelo que deveria ter como contrapartida a prestação de serviço onde ele é necessário, com as devidas condições, como é óbvio.
Após o 25 de Abril instituiu-se o serviço médico à periferia, o que permitiu melhorar as condições de saúde e de acessibilidade da população a cuidados médicos, contribuindo para a fixação de muitos dos deslocados nessas localidades.
Aguarda-se que os responsáveis políticos reponderem a organização e a forma como devem ser geridos os recursos do País. O SNS precisa de gente e de reformas que não se prendem apenas com a melhor aplicação dos orçamentos disponíveis. Sob pena de desaparecer, o que seria um retrocesso sem perdão.
Vamos combater os excessos de Natal - menos sorrisos, menos generosidade, menos boas-intenções. Afivelemos pois as nossas caras rígidas e de poucos amigos, pois quem precisa de contar as calorias que come e bebe nunca está bem-disposto.
A nova moda saudável transforma a população num conjunto de pessoas inadaptadas aos inúmeros alergénios do meio – agora todos somos alérgicos à lactose e ao glúten. Além disso passámos todos a comer sementes em quantidades industriais, acompanhadas de garrafas de litro e meio de água, que bebericamos a toda a hora e momento, com a consequente permanente ocupação da casa de banho.
Drenemos pois as toxinas com sumos detox, chá verde e de gengibre. Nada de cacau quente com torradas – a manteiga e as proteínas animais são dos maiores inimigos de um corpo e de uma mente ágeis, leves, inodoras, jovens e elegantes.
Os doces são tanto melhores quanto menos doces forem. Aliás também devemos ser alérgicos ao açúcar, tolerando apenas parquíssimas quantidades de mel ou açúcar mascavado (ou amarelo), em doses milimétricas e só quando o rei faz anos. Acabemos com as vacas e os porcos e transformemo-nos em aves, com tanto peru e frango que deglutimos. Também nos podemos permitir peixinhos grelhados ou cozidos, apenas com um fiozinho de azeite, e muitos, muitos legumes, crus e cozidos, grelhados ou assados, crocantes ou cremosos, tudo o que for erva pode ser comido.
Portanto vamos combater os excessos de Natal. À falta de silícios podemos tentar a modalidade dos ginásios, às 7 da manhã ou às 8 da noite, ou ainda o PM (personal trainer), que nos faz emagrecer predominantemente na conta bancária. E entraremos em 2017 sem retenção de líquidos, redimidos e saudáveis, brindando com água aromatizada em vez de champanhe.
Ninguém pode negar o sentido de humor do nosso Primeiro-ministro. Adoraria ver todas as ofertas e saber a distribuição exacta destas geringoncinhas.
Olho para o pergaminho da pele
o espelho de uma vida a passar.
Olho para o engelhamento do corpo
com a surpresa de uma adolescência maravilhada
ou com a surda e pesada sapiência dos anciãos
sem saber por onde fugiram os rios
para onde deixei escapar as viagens
onde terei guardado os socalcos e as obrigatórias estações
ancorada em tantas e tão movediças e íngremes margens.
... is you...
Carpool Karaoke
Olivia Olson
Mariah Carey
I don't want a lot for Christmas
There is just one thing I need
I don't care about the presents
Underneath the Christmas tree
I just want you for my own
More than you could ever know
Make my wish come true oh
All I want for Christmas is you
I don't want a lot for Christmas
There is just one thing I need, and I
Don't care about the presents
Underneath the Christmas tree
I don't need to hang my stocking
There upon the fireplace
Santa Claus won't make me happy
With a toy on Christmas day
I just want you for my own
More than you could ever know
Make my wish come true
All I want for Christmas is you
I won't ask for much this Christmas
I won't even wish for snow, and I
I just wanna keep on waiting
Underneath the mistletoe
I won't make a list and send it
To the North Pole for Saint Nick
I won't even stay awake
To hear those magic reindeer click
'Cause I just want you here tonight
Holding on to me so tight
What more can I do
Oh, Baby all I want for Christmas is you
All the lights are shining
So brightly everywhere
And the sound of children's
Laughter fills the air
And everyone is singing
I hear those sleigh bells ringing
Santa won't you bring me
The one I really need
Won't you please bring my baby to me quickly
I don't want a lot for Christmas
This is all I'm asking for
I just wanna see my baby
Standing right outside my door
I just want you for my own
More than you could ever know
Make my wish come true
Baby all I want for Christmas is you
All I want for Christmas is you, baby
Isabel Catarrilhas Pires
Antes da tempestade (ainda) está a bonança. Reúno as forças para me levantar da cama, compondo mentalmente as listas de tarefas que me aguardam. Os rituais da preparação da Consoada, com os seus cheiros, burburinhos e sabores, já começaram há algum tempo e vão prolongar-se por todo o dia.
Mas antes um pequeno-almoço pausado e revigorante, aqueles minutos de preguiça e aconchego, para que depois se levante a tempestade de aletria, rabanadas, embrulhos, couves, bacalhau, grão...
E o melhor do mundo é dar as boas-vindas a quem quer vir.
Por todos os lugares, vários duendes, Pais-natal e Meninos Jesus fazem o Natal de quem sofre, silenciosa e discretamente, abdicando das suas casas e das suas famílias, lutando contra o sono, o medo e o cansaço. Tantos e tantos seres invisíveis que transformam a loucura da tristeza em pequenos intervalos de alguma serenidade.
A todos os que vão acompanhando os meus dias, mais ou menos irregulares, o desejo de que passem umas boas festas.
Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...