25 julho 2016

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Vacancy


Paul Hazelton 


 


 


Levanto pó quando desloco os olhos para o infinito.


Não há infinito que se mova sem pó


nem movimento sem olhos que o observem.


Nem eu.


 


Desato o ruído quando leio o pó que cobre o mundo.


Não há mundo que se escreva sem pó


nem ruído que se desate sem o sopro que o cobre.


Nem tu.


 


Amasso o barro quando arrumo o pó que molda o corpo.


Não há corpo que se molde sem pó


nem barro que se arrume sem o amasso das mãos.


Nem nós.

24 julho 2016

Solidão

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João Queiroz


 


Escorro pelas paredes e encaixo-me num canto


evito as janelas sedenta de ar e de nuvens


cerro todas as portas por onde anseio partir.


 


Lá fora pode parecer que a vida se mostra


e que os olhos se habituam à luz


quando a verdade descai dos ombros e evapora.


 


Aquilo a que chamamos alma é a culpa


concentrada e a mais antiga prova


da nossa eterna e inescapável solidão.

23 julho 2016

Anda tudo a brincar uma brincadeira de muito mau gosto

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Bruxelas propõe suspensão de 16 fundos estruturais como sanção contra défice excessivo


Expresso - 23/07/2016 às 16h17


 


Bruxelas propõe suspensão de 16 fundos estruturais como sanção


Diário de Notícias - 23/07/2016 às 15h03


 


Sanções: Bruxelas quer parar todos os Programas Operacionais Regionais. E outros


TSF - 23/07/2016 às 15h16


 


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Comissão Europeia desmente suspensão de 16 fundos estruturais em Portugal


Expresso - 23/07/2016 às 15h16


 


A dúvida. Bruxelas quer ou não cortar fundos?


Diário de Notícias - 23/07/2016 às 20h33


 


Sanções: proposta de corte de fundos estruturais não existe


Diário de Notícias - 23/07/2016 às 22h25

Empreendorismo caseiro

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A pouco e pouco vão aparecendo vários ingredientes para novos licores. O empreendedorismo em acção e a rede informal de alimentadores de empresários sazonais (que, no meu caso, já se estende do 4º trimestre para o 2º semestre), baseados na troca de géneros e de afectos, tão na moda após a tomada de posse do nosso irrequieto e hiperactivo Presidente.


 


Há já alguém que me traz fisálide ou alquequenge (Physalis) ou capucha (nos Açores), outra que me colhe as folhas da figueira, outra que me enche de mirtilos, para não falar de quem me supre de aguardente velha e caseira. Tudo completamente ecológico e biológico, aproveitando o que a natureza fornece, para reduzir o desperdício e proceder à indústria transformadora de água em vinho (com algumas passagens pelo meio, porque de Jesus Cristo não tenho rigorosamente nada).


 


Já descobri, entretanto, umas garrafas descomunais para poder guardar as litradas licorosas resultantes destas tardes a destilar calor, a mexer e a filtrar xaropes. Este Natal, para não variar, sofia&companhia.bebe (e também .come) voltam a atacar.


 


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A área de artesanato correspondente ao engarrafamento, elaboração, corte e colagem de rótulos é uma empresa gémea e necessariamente associada à primeira. Nesta casa todos os anos nascem e morrem empresas uninominais e pessoais, o que também contribui para a energia laboral, mesmo que a escassa legislação não diferencie o patronato das massas trabalhadoras.

21 julho 2016

Oceanário

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Quantas vezes nos acontece ficar desiludidos após a visita a um museu ou a uma exposição, depois de ver um filme ou ler um livro, talvez porque esperámos demais ou alimentámos fantasias perante histórias e imagens para além da realidade.


 


Pois com a minha visita ao Oceanário de Lisboa aconteceu precisamente o contrário.


 


Um aquário gigantesco, muito bem orientado, com bastante informação, observando-se um enorme cuidado com os espaços, as luzes, a forma como se fornecem pequenos conteúdos educacionais e ainda os pequenos fragmentos de poemas da Sophia de Mello Breyner, para que se possam ler em pequenos cantos de admiração e descanso.


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Falo da exposição permanente, pois foi a que visitei. Os vários tipos de ecossistemas marinhos, com a fauna e a flora típicas, e aquela enorme montra em que podemos observar inúmeros tipos de peixe, majestosamente nadando de um lado para o outro, num filtro de luz azulado e crua, mas que emite uma paz e uma serenidade que casam bem com a poesia.


 


Muitos miúdos, como era de esperar, e muito bem dispostos!


 


Gostei imenso e aconselho vivamente a quem ainda não conhece que não perca.


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Iremos juntos sozinhos pela areia


Embalados no dia


Colhendo as algas roxas e os corais


Que na praia deixou a maré cheia.


 


As palavras que disseres e que eu disser


Serão somente as palavras que há nas coisas


Virás comigo desumanamente


Como vêm as ondas com o vento.


 


O belo dia liso como um linho


Interminável será sem um defeito


Cheio de imagens e conhecimento.


 


Sophia de Mello Breyner Andresen (1954)

Começa a ser demasiado familiar


 


O que se está a passar na Turquia começa a ser demasiado familiar e óbvio quanto ao que move e qual o objectivo de Erdogan.


 


Tal como com Hitler, a comunidade internacional tenta não ver e desvalorizar. Ninguém sabe exactamente como actuar naquele barril de pólvora. Christine Lagarde é apenas um exemplo de quem tem as prioridades distorcidas.

Os (des)acordos (entre) parlamentares

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Causa-me muita perplexidade o que se passou ontem no Parlamento, em relação à eleição de António Correia de Campos para a presidência do Conselho Económico e Social.


 


Não está em causa o facto de cada deputado se pronunciar como quer, em sua consciência, e o voto ser secreto - ainda bem que o é. O que me espanta e não entendo é como foi possível que um acordo entre os dois partidos com maior representação parlamentar não se tenha traduzido na votação maioritária (por 2/3), o que seria o objectivo do dito acordo e o espectável.


 


Levantam-se várias questões:



  1. Qual a ligação entre os negociadores do acordo entre o PS e o PSD e os restantes deputados dos partidos?

  2. Para o referido acordo apenas se falou do PS e do PSD - foram só esses os partidos envolvidos nas negociações? Se sim, porque ficaram de fora os restantes partidos, nomeadamente aqueles que suportam o governo?


 


Gostaria de perceber o que se passou. Mas uma coisa é certa - os dois maiores partidos portugueses e o Parlamento não saíram dignificados deste episódio, tal como não tinham saído aquando da tentativa de escolha de Jorge Miranda para Provedor de Justiça, em 2009.


 


Nem Jorge Miranda nem Correia de Campos merecem este desrespeito e esta desconsideração. Não a eleição em si, pois quem vai a votos arrisca-se a perder e a ganhar, mas toda esta novela à volta de acordos que se usam para achincalhar as necessárias negociações parlamentares e, pior do que isso, personagens que tudo têm feito para elevar a política e servir os cidadãos.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...