20 março 2016

Dos golpes muito democráticos

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Como já vai sendo hábito vou degustando lentamente as ofertas cinematográficas do Natal. Este ano uma das séries que aterrou cá em casa, pela mão de alguém muito atento e conhecedor, foi A Very British Coup.


 


Não podia ter sido mais oportuna. Esta série tem 28 anos e parece ter sido realizada hoje. Podemos fazer algumas comparações directas, não só com o que se está a passar no Brasil mas também com o que se passa na Europa.


 


Dilma e Lula cometeram um erro colossal - a primeira por nomear o segundo por aceitar a nomeação. Independentemente do envolvimento real ou manipulado de Lula e/ ou Dilma em corrupção, esta foi a pior forma de contornar o assunto. Nunca se livrarão da suspeita de tentativa de encobrimento político e de fuga à justiça.


 


Não conheço o sistema político nem a Constituição brasileira, mas não duvido da tentativa e da manipulação das forças mais retrógradas e revanchistas da direita brasileira para apear a esquerda vencedora das últimas eleições. Infelizmente a esquerda está a ajudar. 

O caminho faz-se caminhando

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16/ Março/ 2016


 


O orçamento de Estado, contra todas as opiniões mediáticas, jornalistas muito imparciais e comentadores competentíssimos, foi aprovado com o voto e o aplauso dos partidos que suportam o governo, como tinha sido assumido pelos mesmos.


 


António Costa tem-se revelado muito melhor Primeiro-ministro em funções que candidato à função, felizmente para todos nós. A pouco e pouco vão-se delineando as políticas do novo ciclo.



  • O Ministro da Educação arrepiou caminho em relação às obrigatórias provas de aferição para este ano, e fez muito bem. Esperemos que ainda apure o novo modelo e que comece a pensar numa verdadeira modificação tranquila de todo o sistema, adaptando-o aos novos tempos, aproveitando experiências noutros países e não cedendo às pressões de quem nada quer que mude. A coragem política é indispensável e as notícias do aproveitamento das escolas públicas para celebrações religiosas, independentemente das opiniões das associações de pais, é uma péssima notícia. O Estado é laico pelo que é absurdo que se mantenham essas práticas, seja aonde for. A religião tem o seu espaço fora da Escola Pública.

  • O Ministro da Saúde vai fazendo o seu caminho, até agora mais prometido que concretizado. Mas as orientações que expressa são um refrescamento daqueles conceitos que parecia termos esquecido - o SNS não é um serviço para pobres, deve ser pago por todos de igual forma, pois a discriminação é feita através de impostos, é preciso investir nos cuidados primários e no atendimento comunitário e domiciliário. Embora considere importante e necessário o conhecimento e definição dos centros de referenciação, há o perigo de desinvestimento nas restantes unidades de saúde, o que levará a um círculo vicioso e a um depauperamento da confiança dos doentes nos hospitais que os servem e uma degradação dos próprios centros de referência pela exaustão de meios.

  • Outra notícia interessante é a do investimento na modernização do sector dos táxis, com a hipótese de regulamentação dos UBER. Já rufam os tambores da revolta, pois a modernização é avessa ao imobilismo e as Associações dos profissionais apenas parecem apostadas em impedir a concorrência.


Parece que as agências de rating não estão a colaborar com a direita, o que também é uma novidade. Veremos se Bruxelas aprende a respeitar a vontade dos eleitores em Portugal.


 

19 março 2016

Todos os dias

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Derek Wernher


 


Tantas palavras e juras


tantos beijos enviados


tantas virtuais canduras


tantos desejos cantados


 


nos dias das mães dos pais


dos avós tios e tias


e de todos os demais


membros de tantas famílias.


 


E eu aqui escondida


parca de braços e gestos


sem oferta derretida


nem abraços de afetos


 


lembrando tantas viagens


amor a quem tanto devo


apagado das mensagens


vivo nos versos que escrevo.

Sob medida


Chico Buarque & Simone


 


 


Se você crê em Deus


Erga as mãos para os céus


E agradeça


Quando me cobiçou


Sem querer acertou


Na cabeça


Eu sou sua alma gêmea


Sou sua fêmea


Seu par, sua irmã


Eu sou seu incesto


Sou perfeita porque


Igualzinha a você


Eu não presto


Eu não presto


 


Traiçoeira e vulgar


Sou sem nome e sem lar


Sou aquela


Eu sou filha da rua


Eu sou cria da sua


Costela


Sou bandida


Sou solta na vida


E sob medida


Pros carinhos seus


Meu amigo


Se ajeite comigo


E dê graças a Deus


 


Se você crê em Deus


Encaminhe pros céus


Uma prece


E agradeça ao Senhor


Você tem o amor


Que merece


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13 março 2016

Da Primavera Presidencial

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Temos dúvidas quanto a Marcelo Rebelo de Sousa? Sim, muitas, começando até pela estridência dos afectos e dos banhos de multidão.


 


Há, no entanto, uma refrescante descompressão na sociedade, que vê virar-se uma página que não sonhava possível há uns meses. Começou pela surpresa governamental para continuar na despedida de um Presidente totalmente alheado do sentir de quem mais sacrificado foi ao altar da austeridade e da crise, esquecendo o seu papel agregador, o poder da empatia e do conforto dos valores humanistas e de solidariedade.


 


Por isso não me caem os pergaminhos de esquerda se disser que gostei do discurso e dos folguedos da tomada de posse, que duraram 3 dias. Gostei do convite ao Presidente moçambicano e da ausência do angolano, gostei da cerimónia na mesquita, percebi bem a euforia no concerto da noite e do bairro do Cerco.


 


Na Assembleia Ferro Rodrigues foi excelente. Quanto às palmas dos deputados, o facto de se pertencer a um determinado partido não deveria levar a contradições: a ovação pela direita de um Presidente que deu voz a muito do que a esquerda defendeu, estando esta concentrada em demonstrar que, por ser a esquerda, não pode aplaudir alguém apoiado pela direita.


 


São este tipo de entendimentos do que é fazer política que afasta os cidadãos dos seus representantes. Tal como o prometido chumbo ao apoios financeiros à Turquia e à Grécia por parte daqueles que assumiram esse compromisso no governo anterior. Não é menos verdade que o BE e o PCP devem ponderar votar favoravelmente esses apoios precisamente por serem compromisso que Portugal, como um Estado soberano, assumiu perante os restantes países europeus.


 


A tomada de posse de um novo Presidente deve ser um momento solene da nossa democracia, ainda mais numa altura em que a mudança de protagonista pode ser muito importante para a estabilidade e a melhoria da confiança e da esperança no futuro.


 


Desejo muita sorte a Marcelo Rebelo de Sousa. Ela significará a felicidade de todos nós.

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...