19 dezembro 2015

Moura - O meu amor foi para o Brasil

Era difícil suceder a si própria, depois do sucesso merecido que foi o Desfado. Mas Ana Moura volta a surpreender pela excelência da voz, pela qualidade das músicas e das letras, pela inovação na interpretação do que é o fado.


 


O novo disco é muitíssimo bom. Do melhor que há.


 



Carlos Tê & Ana Moura


 


O meu amor foi para o Brasil nesse vapor


Gravou a fumo o seu adeus no azul do céu


Quando chegou ao Rio de Janeiro


Nem uma linha escreveu


Já passou um ano inteiro


 


Deixou promessa de carta de chamada


Nesta barriga deixou uma semente


A flor nasceu e ficou espigada


Quer saber do pai ausente


E eu não lhe sei dizer nada


 


Anda perdido no meio das caboclas


Mulheres que não sabem o que é pecado


Os santos delas são mais fortes do que os meus


Fazem orelhas moucas do peditório dos céus


Já deve estar por lá amarrado


Num rosário de búzios que o deixou enfeitiçado


 


O meu amor foi seringueiro no Pará


Foi recoveiro nos sertões do Piauí


Foi funileiro em terras do Maranhão


Alguém me disse que o viu


Num domingo a fazer pão


 


O meu amor já tem jeitinho brasileiro


Meteu açúcar com canela nas vogais


Já dança forró e arrisca no pandeiro


Quem sabe um dia vem


Arriscar outros carnavais


 


Anda perdido no meio das mulatas


Já deve estar noutros braços derretido


Já sei que os santos delas são milagreiros


Dançam com alegria no batuque dos terreiros


Mas tenho esperança de que um dia a saudade bata


E ele volte para os meus braços caseiros


 


Está em São Paulo e trabalha em telecom


Já deve ter “doutor” escrito num cartão


À noite samba no “Ó do Borogodó”


Esqueceu o Solidó, já não chora a ouvir Fado


Não sei que diga, era tão desengonçado


Se o vir já não quero, deve estar um enjoado

Da governança comprometida e descomprimida

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Bons sinais os deste governo. O clima vai descomprimindo e respira-se de alívio. António Costa está a justificar a fama de fazedor e de conseguir atingir compromissos.


 


O que se vai ouvindo da parte do Ministério da Saúde é de aplaudir de pé. Tenho falado várias vezes daquilo que, a meu ver, é urgente para uma verdadeira reforma do SNS, indispensável aos desafios que se colocam a uma sociedade que tem de acomodar o envelhecimento populacional e o consequente aumento de doenças crónicas e onerosas, o desenvolvimento tecnológico e o aumento exponencial dos custos, a crescente especialização e as alterações de gestão dos recursos humanos escassos, mal distribuídos e desmotivados.


 


Por isso vejo com muita esperança estes sinais de projectos de verdadeira mudança e vontade de resolução de problemas, com a saúde mais próximo dos cidadãos.


 


Gostaria de estar tão optimista em relação à Educação, mas o fim dos exames do 4º ano do ensino básico, assim como a suspensão da prova de avaliação dos professores contratados, deixam-me muitas dúvidas. Os exames aos alunos, principalmente em fins de ciclos, não me parecem nada mal e não comungo da opinião dos traumas e dos sustos das crianças. Acho que se deve encontrar um modelo que seja eficaz na avaliação das aprendizagens, responsabilização dos professores, das escolas e dos alunos. Por outro lado sempre defendi que o Estado deve escolher os profissionais mais capazes e mais competentes para seus servidores e a educação é um dos serviços públicos por excelência em que essa escolha se reveste de enorme importância. Aguardo qual a forma e modalidade de escolha definida por este governo. Entretanto o regresso do até-há-pouco-tempo-eclipsado Mário Nogueira não augura nada de bom.


 


Mas não há dúvida de que o governo tem merecido a nossa confiança. A tentativa de anulação da privatização da TAP, a reversão da concessão dos transportes colectivos de Lisboa e Porto e a forma como está a tentar resolver o problema do BANIF são provas de que tem um bom senso que nos permite ter alguma fé no futuro.


 


A ver vamos!

14 dezembro 2015

Não nos escapamos...

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... ao Natal.


 


Preparemo-nos para sujar as mãos, dobrar papéis, enrolar fitas e usar a imaginação.


 


Este ano, só de licores, há algumas novidades - de caroços de nêsperas(!!!), ideia do Chef Avillez, nas manhãs da comercial, de cereja e de mirtilos (o de romãs só estará pronto lá para Fevereiro). Entretanto, depois da compota de abóbora que é já um clássico tradicional nos nossos Natais, resolvi inovar - bombons de abóbora com amêndoa e cobertura de chocolate. Ficaram muito bons!


 


Receitas:


 



  • os licores são todos feitos mais ou menos da mesma forma: o de caroços de nêsperas é mesmo com os ditos, em aguardente (quanto mais caroços, melhor) durante bastante tempo. Acho que os meus estiveram cerca de 3 meses. Depois é só mistura o xarope de água com açúcar e deixar repousar uns dias antes de consumir. Os de cerejas e mirtilos são iguais, substituindo os caroços pelos frutos.

  • Quanto aos bombons, usa-se a doce de abóbora com gengibre misturada com amêndoa ralada até ficar com consistência própria para moldar umas bolinhas. Depois derrete-se chocolate (culinário, 70% de cacau) no microondas, mexe-se bem e mergulham-se as bolinhas, depositando-as em cima de papel vegetal de cozinha, para secarem. Quando estiverem secas, estão prontos os bombons.


 


Ainda pensei em fazer abóbora cristalizada mas, para já, ainda não fiz e temo que não o farei tão cedo. É que é mais fácil projectar do que realizar.

10 dezembro 2015

Cada um tem as suas leituras

A propósito das últimas sondagens da Universidade Católica, é interessante verificar a leitura que delas fazem os vários media:



 


A minha leitura é diferente:



  • Se as eleições fossem hoje, a maioria que suporta este governo seria maior do que a que resultou dos votos em 4 de Outubro (em 1%)


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Ou seja, nada mudou de então para cá.


 


Por isso, a tese defendida por Luís Montenegro, em São Bento - Fizeram tudo isto um pouco às escondidas e não disseram antes das eleições o que congeminaram entre si sabe-se lá desde quando. - ou por Carlos Blanco de Morais, em Belém - Outros eleitores não compreenderiam que o seu voto tivesse sido convolado na formação de uma aliança que não fora preanunciada e para muitos, contranatura. - é, ela própria, um embuste (mais um) da PAF, a que os media (ainda) dão cobertura.

07 dezembro 2015

Os Patologistas

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(...) Significa que há uma noção de que no mundo a patologia precisa de ser posta em relevo, somos nós que fazemos os diagnósticos e os patologistas sofrem muito do complexo da invisibilidade. (...)


 


(...) Eu faço é exame de fragmentos tirados de pessoas ou citologias e faço o diagnóstico - se é benigno ou maligno, como deve ser tratado. Nós somos importantíssimos para o tratamento adequado dos doentes e no entanto o doente nem sabe que nós existimos. (...)


 


(...) Há uma outra professora nomeada, que é a professora Fátima Carneiro do São João. É notável que em 100 patologistas de todo o mundo, Portugal tenha dois entre os melhores, que são nomeados e e eu ganhei a eleição. Isto significa que a patologia portuguesa tem muita qualidade. (...)


 


Manuel Sobrinho Simões

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...