06 junho 2015

Do estado turístico


Hoje é sábado, amanhã é domingo.


(...)


O dia é sábado.


(...)*



turista.png


 


É o melhor dia da semana. Então quando solarengo e quente, à beira rio, nada melhor para nos apaziguarmos com o mundo. Além disso, para além de não haver nada como o tempo para passar*, há sempre a apreciação das regatas, do sol coado pelas lentes escuras, do brilho reflectido no Tejo e dos passeantes.


 


E se há gente nestes dias, uma classe de gente que se multiplica e prolifera por todas as cidades turísticas – os turistas. De todas as etnias, de todos os continentes, de todas as idades, em comum a ser e estar-se turista.


 


Essa comunhão no ser e no estar forma uma espécie de irmandade com os seus códigos de conduta. Desde o aspecto vincadamente despreocupado e alegre à estudada indumentária para passear, usufruindo das delícias indígenas e documentando aplicadamente momentos para publicar nas redes sociais, os turistas cumprem a sua função com um profissionalismo empenhado.


 


E assim podemos distinguir aqueles que se passeiam obrigatoriamente vestidos de calções, blusas fluidas de cores berrantes, preferencialmente com motivos florais, óculos escuros coloridos de verde, rosa choque, azul ou preto, sempre espelhados, chapéus que se evidenciam pela enormidade das abas (mesmo a ausência das copas) e nos pés as globalizadas havaianas, sandálias rasas de sola fina, totalmente incómodas, fazendo com que cada pedra da calçada seja sentida pelos doridos pés (a modalidade sandálias-com-meias reduz este problema); em alternativa há ténis com as cores o mais diferentes possível das flores das blusas. Não esquecer as mochilas, as garrafas de água e os telemóveis para as selfies. Há uma minoria mais sofisticada que se passeia com máquinas fotográficas (retro) a tiracolo.


 


Importantíssima a atitude de boca escancaradamente aberta em sorrisos admirativos, a voz suficientemente alta para se ouvirem as arrebatadas exclamações de felicidade. Podemos imaginar qualquer pacata e discreta criatura, no seu dia-a-dia de trabalhadora, comedida no falar e no vestir, transfigurada neste estado turístico passageiro e cíclico, tal qual as estações do ano.


 


*Dia da Criação

24 maio 2015

Não há fome que não dê em fartura (3)

gandalata.png


 Obviamente que é apenas porque nos portámos todos muito bem e já podemos ter um prémio:


Governo admite acelerar eliminação da sobretaxa de IRS


gandalata.png

Não há fome que não dê em fartura (2)

gandalata.png


 Passos Coelho em relação à reposição salarial da Função Pública:


"Parece-nos fazível"


gandalata.png


Parece-lhe fazível.


 

Do tempo dos gelados

gelados.png


Aqui há umas semanas, por motivos que não vêm ao caso, fiquei em casa com um caixote de belos e perfumados morangos. Incapazes de os comermos a tempo de não se estragarem, resolvi congelá-los.


 


Resolvi experimentar fazer um gelado de morango. Descongelei-os (ficaram um pouco mirrados e a nadar na água que largaram), triturei-os com a varinha mágica (com a respectiva água), tudo junto com o peso de 1 kg; juntei 500 g de açúcar e, à parte, bati 600 ml de natas até ficarem espessas. Incorporei as natas batidas na papa de morangos açucarados, distribuí por caixas e congelei. Para regar o gelado, derreti chocolate negro (70% de cacau) com um pouco de leite e umas colheres de açúcar (uma 3, de sopa).


 


Ficou maravilhoso. Só faltou o crocante. Ainda tenho mais uns tantos congelados, talvez me atreva a outra coisa qualquer.


 


Entretanto alguns dos frascos de compota de abóbora que tardam em ser deglutidos também foram reciclados em gelado. No fundo o princípio é o mesmo. Juntei o doce às natas batidas (na mesma proporção) e congelei. Ainda ficou melhor, mesmo sem molho e sem crocante. Fica mais cremoso que o de morango.


 


Enfim, um estrondo.

Não há fome que não dê em fartura (1)

grande lata.png


Ministro da Defesa anuncia 6088 promoções


 


Uma decisão deste governo, diz Aguiar Branco, datada de 2011. Por acaso só agora vai ser concretizada.

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...