14 fevereiro 2015

Do abstencionismo à revolta

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As sondagens que vão aparecendo começam a deixar algum amargo de boca a quem, como eu, viu renascer a esperança numa verdadeira alternativa a este governo e ao marasmo que se apoderou do país aquando da mudança de líder do PS. António Costa corporizou, e bem, essa necessidade, criando uma verdadeira coligação de vontades, dentro e fora do PS.


 


No entanto o tempo vai passando e o vendaval transforma-se a largos passos numa brisa ou mesmo na quietude anterior. E a percentagem de abstenções a subir, que atinge já os 40,4%, é o mais importante dado que nos permite perceber que a desmobilização voltou e que a descrença se torna a instalar.


 


Será que o PS se contenta com uma vantagem tão magra em relação aos partidos da direita? Será que desistiu de cativar os abstencionistas, que é o grupo que pode dar a vitória ou a qualquer grupo ou movimento populista, dos que se vão desenhando e testando a desilusão dos cidadãos? Será que não precisa de seduzir a o eleitorado para a necessidade de uma maioria absoluta?


 


A afirmação de valores e de ideias não depende dos mercados nem das negociações europeias. Como já manifestei anteriormente, as posições cautelosas do PS no que diz respeito ao tratado orçamental e ao pagamento da dívida só demonstra a inteligência e seriedade da sua liderança. Mas falta o resto, falta tudo o que poderá criar a tal onda que nos leva a acreditar que há alternativas à apagada e vil tristeza com que nos resignamos a viver.


 


Queremos saber quais as reformas que o PS quer para os serviços públicos:



  1. Como vai remodelar o SNS? Investir nos cuidados primários? Como vai formar e incentivar Médicos de Família? Como vai organizar as Unidades de Saúde? Como vai organizar a referenciação dos cuidados? Como vai reorientar as prioridades de investimentos dado o tipo de patologias existentes e futuras, pelo envelhecimento populacional? Como vai rentabilizar e optimizar os os recursos humanos numa área com carências gritantes a nível médico e excedentes a nível técnico e de enfermagem?

  2. O que entende mudar em relação ao sistema de ensino? Como vai escolher os professores para o ensino público? Como vai avaliar as alterações curriculares que têm sido feitas, a concentração de escolas, a distribuição das ofertas a nível geográfico? O que vai fazer ao ensino de adultos? Quais os resultados dos reforços a Matemática e Português? Vai ou não alterar o acesso ao ensino superior?

  3. O que entende mudar nas carreiras da função pública? Vai manter a forma de remuneração ou vai alterá-la? Como pretende renovar os quadros? Ou quer esvaziá-los para continuar a fazer contratualização de serviços?

  4. Como entende dinamizar o mercado de emprego? Vai continuar a aumentar a idade da reforma e os horários de trabalho ou vai fazer o contrário? O que pensa dos empregos nas áreas de apoio social? O que entende fazer em relação à promoção da igualdade de oportunidades para homens e mulheres, combatendo a exclusão das últimas por causa da gravidez e apoio à família? O que pensa das creches e infantários nas empresas, dos horários parciais, do teletrabalho?


 


Posso lembrar-me de milhares de perguntas às quais ninguém sabe o que pensam aqueles que se vão apresentar a eleições. Mais do que gastar muito ou pouco dinheiro, as pessoas querem ver ideias exequíveis, que possam significar uma melhoria nas suas condições de vida.


 


António Costa terá que falar destes problemas e de outros que verdadeiramente interessam os cidadãos. A recuperação da ideia da regionalização (com a qual eu até concordo) diz quase nada a quase todos. Dá a sensação de que está a tentar ganhar tempo, como se estivesse a fazer sapateado enquanto espera pelo actor principal.


 


O PS tem que se esforçar por ganhar a confiança dos eleitores. De outra forma será mais um balão a esvaziar, numa festa que não chegou a começar.


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12 fevereiro 2015

Alguma coisa está a mudar

O governo português não percebe que alguma coisa está a mudar. E o Presidente da República também não. Fechados nas suas retóricas da contabilidade fundamentalista, estes dois fenómenos que nos aconteceram insistem em afundar o País e a Europa.


 


Não sei se ainda haverá Europa na altura das eleições legislativas e presidenciais. Mas a pouco e pouco parece começar a desenhar-se um acordo. António Costa tinha razão quando dizia que o tempo das propostas concretas ainda não tinha chegado. O que hoje é verdade amanhã talvez já o não seja.


 


Mesmo assim gostaria de ver mais explícitas as escolhas políticas de base em relação aos serviços públicos, à definição das funções do Estado, à escolha de prioridades nas áreas da saúde e da educação, da justiça e da segurança social.


 


E começa a ser tempo de se definir uma estratégia para as eleições presidenciais. É indispensável que o País se levante e tenha alguém em quem se reveja e que o represente, em vez de o apoucar. É de líderes que precisamos, não de subserviências ambulantes.

11 fevereiro 2015

Fado do ladrão enamorado


Rui Veloso & Carlos Tê


 



Pierre Aderne


 



Sandra Correia


 


Vê se pões a gargantilha
Porque amanhã é domingo
E eu quero que o povo note
A maneira como brilha
No bico do teu decote
E se alguém perguntar
Dizes que eu a comprei
Ninguém precisa saber
Que foi por ti que a roubei
E se alguém desconfiar
Porque não tenho um tostão
Dizes que é uma vulgar
Jóia de imitação
Nunca fui grande ladrão
Nunca dei golpe perfeito
Acho que foi a paixão
Que me aguçou o jeito
Por isso põe a gargantilha
Porque amanhã é domingo
E eu quero que o povo note
A maneira como brilha
No bico do teu decote

08 fevereiro 2015

2015 Prix de Lausanne


Miguel Pinheiro


Conservatorio Nacional


Desde Otello


Claudio Monteverdi


Goyo Montero

... se calhar é mesmo talvez...

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 O terceiro jurado pronunciou-se apenas 2 dias depois e fez desaparecer a dita tarte a alta velocidade. Pelos vistos deixa-se comer bastante bem. O que me animou bastante, pelo que vou disponibilizar (palavra bastante em voga) outra receita de doce, com a qual despachei a segunda abóbora que tentava passar despercebida entre os projectos (palavra também na moda) de licor, o que se tornava difícil pela magnitude da mesma.


 


Mais uma vez recorri a um blogue vizinho, cuja sobrevivência na culinária está mais assegurada que a minha, para me inspirar - misturar a abóbora com gengibre, mas em vez de gengibre cristalizado ou fresco (a minha primeira ideia), decidi utilizar em pó, como tinha visto noutra receita à solta na rede internáutica.


 


Portanto para cada quilo de abóbora (já descascada, sem pevides nem fios), 650 g de açúcar, 2 laranjas pequenas (ou uma grande, a raspa e o sumo), 2 paus de canela, 1 colher de sobremesa de gengibre em pó. Deixei tudo a cozinhar um bom bocado; quando a abóbora já estava mole reduzi a puré com a varinha mágica (retirando primeiro os paus de canela), e deixei mais um bocado até fazer ponto de estrada.


 


Devo confessar que não é fácil perceber se o ponto já está de estrada, se é só caminho e se já caramelizou, principalmente com a compota triturada. Mas enfim, não me tenho dado mal. Pode sempre colocar-se um termómetro ou um pesa-xaropes - utensílio de que muito ouvi falar mas que me é totalmente desconhecido.


 


O doce é bastante bom e já resta pouco enfrascado. Para a terceira abóbora ainda não sei o que arranjar. Devo dizer que também já utilizei o que sobrou da anterior para fazer tarte - eu adoro tartes. No fundo a ideia é a mesma - 500 g de abóbora descascada, 400 g de açúcar, 3 ovos, 100 g de farinha, casca de 2 limões, 1 vagem de baunilha e 2 colheres chá canela em pó: abóbora e açúcar ao lume com a vagem de baunilha (aberta ao meio e raspada, adicionando a vagem e o conteúdo raspado) e a casca de limão (também ralada); triturar e juntar a farinha que se bateu com os ovos e a canela; tudo para dentro da massa (das pré confeccionadas), que entretanto se colocou na forma e forno, durante 20 a 30 minutos. Pode polvilhar-se com açúcar e canela, mas não é preciso.


 


E pronto, com a auto-estima um pouco mais recomposta, vou manter estes domingos de grande azáfama entre tachos e panelas, em velocidade espampanante.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...