09 novembro 2014

Da persistência de muros em certas cabeças

Vale a pena ler este post, que afortunadamente vai lembrando, sem complexos de pseudoesquerda pseudointelectual, aquilo que muitos têm pudor de afirmar - a continuidade de defensores de regimes totalitários e que se autoproclamam de democráticos, os nostálgicos da Guerra Fria e dos grandes feitos em prole do povo, das grandes liberdades praticadas na antiga União Soviética.


 


É preciso dizer com toda a frontalidade que o PCP continua a defender um regime em tudo contrário à liberdade e à democracia. Chamar anticomunismo primário a tudo e a todos os que o afirmam é mais uma forma de combate manipulativo e ultrapassado. O PCP foi ultrapassado pelos acontecimentos e ainda não percebeu.


 


O texto do Avante é quase inexcedível de embuste e tacanhez. É com este partido que se procura uma convergência de esquerda para governar o País?

Em busca da Legionella

legionella.jpg


Legionella pneumophila


 


Legionella (mais precisamente a Legionella pneumophila) é uma bactéria que vive na água e infecta as pessoas através da inalação de gotículas de água. Podem habitar os chuveiros, termoacumuladores e ares condicionados. A infecção causada pode ser leve e autolimitada, com dores musculares, febre e mal estar, ou mais grave, como a pneumonia. Quem tem doenças crónicas do aparelho respiratório ou outras patologias debilitantes está em maior risco.


 


Uma epidemia é o aparecimento súbito de muitos casos de uma determinada doença. É o caso deste surto em que, em 3 dias, surgiram 90 casos confirmados, todos numa região mais ou menos limitada.


 


Freguesias VFX.jpg


 


Com vem sendo veiculado pelas entidades oficiais, as medidas de prevenção são a melhor arma: desinfectar as cabeças dos chuveiros e, aumentar as temperaturas dos termoacumuladores. Segundo o Presidente da Associação de Médicos de Saúde Pública, pelo número e concentração geográfica dos atingidos, a fonte da Legionella pode ser um local público.


 


Sobretudo, o mais importante de tudo, é evitar o pânico e o alarmismo. As autoridades sanitárias estão a actuar, os Hospitais estão alerta, a receber e a tratar os doentes. É uma investigação digna de um Hercule Poirot - a bactéria não escapará!

05 novembro 2014

... a laborar há 9 anos...

dq.png


Nesta casa serve-se tudo a quente.


As cadeiras são de pau e têm as costas direitas.


Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação.


A porta está sempre aberta...


... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado.


Esta casa tem nas janelas a bandeira do desafio.


Espalhadas pelas mesas as palavras que não lhe faltam.


Serve silêncios de cumplicidade.


Regista o tempo que passa nas paredes da memória.


Esta casa é varrida por tempestades cíclicas com elevado grau de intensidade.


O equilíbrio das ideias é periclitante.


De luz permanece uma lâmpada acesa...


... mesmo que escondida entre as brumas do desconcerto.


A renovação vai abrindo fendas e reconstruindo o remendo das incertezas.


 


Sejam bem-vindos.

03 novembro 2014

Intervalo

alcains.jpg


Um dos motivos porque adoro viajar é a felicidade que sinto ao regressar a casa.


 


Em volta da mesa a conversa acalma e estimula, o apelo primitivo ao alimento do corpo e da mente, à intimidade de quem se ama, respeita e quer.


 


Pão fatiado a preceito, uma prova de queijos, um mestiço (ovelha e cabra) outro de cabra, um chouriço bem curado, vinho tinto Couteiro-Mor escolha 2010, requeijão acabado de fazer com doce de abóbora de outros natais, a chuva forte nas janelas e uma luz que se espalha, discreta, pela sombra da noite.

Largo de Sto. António

pombos.png


E pronto, já chegámos ao Outono, portanto ao Inverno. Não há ano em que o início de Novembro, com a habitual peregrinação a terras beirãs, não seja o princípio do frio e da chuva. Por muito bom tempo que esteja antes, no dia da feira arrefece e chove.


 


Muita gente mas pouca feira. Encolheu e especializou-se: castanhas foram mais que muitas, queijos e enchidos (maravilhosos) menos, muitíssimas tendas com roupa e sapatos; jeropiga para vários gostos, castanhas mais ou menos assadas e farturas, obviamente, quentes e polvilhadas de açúcar e canela.


 


Este ano houve um extra: como de costume as ruas onde montam as tendas ficam interditas ao trânsito e ao estacionamento. O largo de Sto. António é uma boa alternativa e costumo lá deixar o carro, todos os anos. Desta vez havia um lugarzito bem bom encostado ao passeio e lá deixei o reluzente carro, acabadinho de lavar no dia anterior.


 


Na manhã seguinte, quando o fui buscar, pensei que tinha havido uma limpeza de esgotos na cidade dos pombos, imediatamente acima do tejadilho do meu maravilhoso veículo, numa frondosa árvore. Era tanta porcaria, nos vidros, nas portas, misturada com penas, que parecia o resultado de uma guerra intestina (literalmente) da passarada.


 


Quando comentei, entre o ultrajada e ofendida, o facto com familiares, a frase - Onde o deixaste? No largo de Sto. António? - vinha acompanhada de um imparável sorriso de gozo misturado com pena, de quem já sofreu ou viu sofrer agruras semelhantes.


 


Antes de me vir embora a primeira coisa que fiz foi procurar um local onde pudesse lavar aquela bodeguice. Ao chegar à oficina o senhor que lá estava, com o mesmo imparável sorriso de gozo misturado com pena comentou - Ah, foi no largo de Sto. António...


 


Fiquei a saber que o Largo de Sto. António deve ser conhecido como o cagatório público dos pombos alcainenses.

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...