Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
09 outubro 2014
06 outubro 2014
Vertigem
A Cloudy Sky
A vertigem do desfiladeiro
em velocidade de nevoeiro
eu e o tempo em secreta intimidade
fragmento suspenso na eternidade.
05 outubro 2014
Hoje, como então
Hoje, como então, é da varanda da Câmara Municipal de Lisboa que se corporiza a esperança. Da solenidade dos discursos retiraremos apenas a linguagem secreta e universal dos olhares, comodidades e incomodidades de postura e sorrisos.
Hoje, como então, esperamos recomeços e continuidade - na liberdade, na democracia e na solidariedade de uma vida em comunidade.
04 outubro 2014
Dias despidos
Eyes as big as plates
Agnes 1
Eyes as big as plates
Agnes 2
Riitta Ikonen & Karoline HJorth
Ainda está bom tempo e os fins-de-semana são aproveitados para passear. De certa maneira fazemos voltas semelhantes, pois vamo-nos prendendo a hábitos, mesmo os hábitos do lazer: o café de manhã, o jornal que se folheia, a tv aberta em programas tontos, as ruas cheias de gente, o vagar das livrarias, os restaurantes ainda vazios à uma da tarde.
Passamos por muita gente velha, que atravessa a rua lentamente, sem olhar nem se assustar, curvados para o chão ou buscando o horizonte enevoado atrás dos óculos, com bengalas que não usam e eternos saquinhos de plástico com misteriosos conteúdos, outros com sandálias e calções, ipads assestados à paisagem urbana, não sei bem se gostam ou se apenas cumprem um ritual.
Vejo-me daqui a uns anos, igual em vagar e alheamento. No entretanto vou gozando os dias abertos e despidos de afazeres, tão poucos que se escoam rapidamente entre os dedos.
Da conglomeração da esquerda
António Costa precisa de aglomerar a esquerda. A sua presença no I Congresso do Livre é um bom sinal. E os seus opositores estão muito preocupados. O BE esfrangalha-se e o PCP teme o voto útil. Quanto a Marinho e Pinto talvez tenha subestimado a tolerância dos ses compatriotas. Havendo quem mobilize os votos com esperança na mudança, deixam de fazer sentido os vendedores de ilusões e semeadores de virtudes.
Agora António Costa e o PS têm que se voltar para o seu verdadeiro opositor - este governo e a sua base política. É urgente que se construa uma alternativa com uma sólida e alargada base de apoio. É urgente discutir a crise, a Europa, a dívida, os serviços públicos, a solidariedade, o desemprego, o investimento, a sociedade digna e decente em que queremos viver.
29 setembro 2014
Novo ciclo
Não é demais lembrar a forma como foram implementadas as chamadas primárias no PS – foi um expediente que António José Seguro usou para ganhar tempo e tentar arrastar a disputa pela liderança. Não só não concordava com a abertura da votação aos simpatizantes como não pensou nas implicações de uma tal decisão.
António Costa aceitou o repto até porque não havia outra solução. Mas parece-me que todo este assunto deveria ser repensado, pois há muitas pontas soltas e incongruências – a maior delas o facto de António Costa não ter existência em nenhum cargo formal no partido, visto que não existe a figura de candidato a Primeiro-ministro. Hipoteticamente é possível que o candidato derrotado se apresente às directas, o que não faz sentido. Portanto ouvirmos António José Seguro ufanar-se da brilhante e histórica ideia que teve é uma mistificação.
Independentemente de tudo isso, ontem começou um novo ciclo político. Está na altura de congregarmos ideias e esforços para vencer a crise, a crise de ânimo, de energia, de mobilização e de princípios. É altura de renovarmos o contrato de solidariedade entre todos os cidadãos, de relembrarmos o que de essencial é preciso preservar na vida comunitária.
Não deixa de ser interessante ouvir os comentadores criticarem António Costa por não se ter referido a António José Seguro, no seu discurso de vitória. António Costa disse que não havia derrotas e que a vitória era de todos. Se tivesse cumprimentado o seu adversário não faltariam quem o acusasse de hipocrisia, aliás com toda a razão.
Entretanto Jerónimo de Sousa continua igual a si próprio ao classificar as primárias do PS como uma farsa. Por aí não há novidades.
A mudez perante o indizível
Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...
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