12 setembro 2014

Um dia como os outros (145)


(...) o secretário-geral do PS terá decidido esconder quem é e o que pensa para evitar cisões nas hostes do PS, escondendo-se portanto do País do qual quereria ser primeiro-ministro. (...)


 


(...) ele aventa que sabe coisas terríveis, às quais terá assistido bem caladinho e das quais nem depois de eleito chefe falou, para não chatear ninguém - sendo que nem agora, que finalmente se soltou, diz que coisas são. (...)


 


(...) Percebe-se que alguém que achou que ser falso era a forma certa de manter o partido e chegar ao Governo não entenda que raio fez de errado; que quem acusa de traição aquele que o desafia não tenha capacidade ética para vislumbrar que a maior das traições - aos outros e a si - é fingir ser-se o que se não é. (...)


 


(...) Quem se confessa capaz de ser nada para chegar onde quer é bem capaz de tudo.


 


Fernanda Câncio

11 setembro 2014

Um dia como os outros (144)


(...) Nota final: a diferença entre o debate moderado por Clara de Sousa, sobre política e os problemas do país, e o debate moderado por Judite de Sousa, sobre zangas de comadres, é da noite para o dia. Ontem, não houve interrupções inúteis e perguntas vazias. Firme, sóbria e eficaz. O que se quer de quem modera um debate. Uma raridade no jornalismo televisivo português.


 


Daniel Oliveira

Das reformas inadiáveis

Vários governos falaram, sempre com carácter de urgência, da indispensável reforma do SNS para que se garantisse a sua sustentabilidade e, consequentemente, a sua existência.


 


Trinca e cinco anos depois da sua fundação, essa urgência ainda não foi implementada. Temos um sistema pesado, assimétrico, com enormes falhas de acessibilidade, com recursos humanos desajustados às actuais necessidades. O país mudou, a distribuição etária, demográfica e de patologias é muito diferente, a oferta tecnológica de meios complementares é infinitamente superior, as terapêuticas também se modificaram, resultantes dos diferentes métodos de diagnóstico e os custos subiram astronomicamente.


 


Neste momento o SNS está centrado nos hospitais. As urgências transformaram-se na porta de entrada dos cuidados de saúde e as consultas externas enchem os gabinetes, as salas de espera e os corredores hospitalares, esticando os tempos de espera para marcações não consentâneos com um correcto e eficaz atendimento. Neste grupo de consultas externas estão as 1ª consultas que resultam da referenciação efectuada nos CS e as de follow-up de situações anteriormente tratadas no hospital.


 


Porque não se deslocam as consultas para os CS? Porque não existem médicos especialistas a fazer consultas de especialidade nos CS? Ginecologia, Pediatria, Gastrenterologia, Endocrinologia, …? Porque não podem ser efectuados alguns pequenos actos cirúrgicos em gabinetes devidamente equipados nos CS? Porque não se oferecem consultas de Oftalmologia, ORL e Odontologia no SNS, nos CS? Porque não se formam Enfermeiros e outros técnicos de saúde para, nos próprios CS ou nos domicílios, fazerem atendimento e acompanhamento de doentes crónicos, diabéticos, insuficientes cardíacos ou oncológicos, com grandes ganhos de conforto e qualidade para os doentes e redução de custos para o Estado?


 


Os hospitais deveriam ser locais de passagem para as fases agudas e graves, que não pudessem ser tratadas em casa e/ ou nos CS. Para isso é preciso que haja vontade política e que as várias corporações ligadas à saúde compreendam que ou se altera a cultura instalada ou se desmantela o SNS, um dos maiores factores de promoção de efectiva igualdade numa sociedade que se pretende solidária e democrática.


 


Era este o género de discussão a que eu gostava de assistir entre os candidatos a líderes no PS. Ou noutro partido qualquer. Estes são os assuntos importantes, não os estados de alma, ofensas ou juras de lealdade.


 


Nota: Esta entrevista a Marta Temido, Presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, é muito interessante.

10 setembro 2014

Dos resultados dos (tristes) debates

A votação em qualquer dos candidatos a líder está já decidida e estes debates não servem para ninguém, simpatizante ou militante do PS, optar por qualquer deles. Quem é militante já escolheu e quem se inscreveu como simpatizante também.


 


Estes debates servem para o eleitorado, no geral, dependendo do líder do PS, ponderar votar ou não no PS. Por isso é tão importante que António Costa fale para fora.

Dos (tristes) debates (2)

O problema dos debates políticos é também de quem modera. Se o moderador fizer perguntas do tipo daquelas que ocuparam ontem mais de metade do tempo do debate entre António Costa e António José Seguro, teremos meia hora de uma telenovela. Aliás os programas de informação estão transformados em dramas romanescos, cheios de desculpas, deslealdades e traições, olhos nos olhos e mão na mão, frases angustiadas e grandes declarações de paixão.


 


O debate de hoje foi menos envergonhante. Ou seja, quem o viu, como eu, sentiu menos vergonha do que ouvia.


 


Penso que correu bem para António Costa. Mas tem que falar mais para o país, falar do que é preciso fazer, de como mobilizar as pessoas, de como combater na Europa. Percebo e concordo que as especificidades são prematuras, mas tem que haver um discurso sobe as grandes linhas que defende.

09 setembro 2014

Da deslealdade

O combate democrático dentro do partido Socialista, a crença de que o PS não poderia ganhar as próximas eleições legislativas, ou seja, destronar a coligação PSD/CDS, isso não interessa a António José Seguro e a quem continua a discutir a deslealdade de António Costa.


 


Para António José Seguro o que interessa é ele ir a eleições, não o PS ganhar as eleições. Isto é alucinante.

Dos (tristes) debates (1)

Estamos a ouvir agora os comentadores a explicar-nos porque foi que António José Seguro ganhou o debate.


 


Estivemos mais de 15 minutos a ouvir as queixas de António José Seguro em relação à deslealdade e à traição de António Costa. Sobre o país pouco sabemos. Acho que António Costa deveria ter dito mais sobre as suas ideias e as suas propostas. Não é que fosse fácil, até porque não era isso que Judite de Sousa perguntava. Mas António Costa tem que ser mais inteligente.


 


De resto foi constrangedor. Tudo. Muito.

Horizontes

Horizons Neil Dawson Hoje o dia não se repete no intenso azul das almas livres. A prisão da felicidade a que não chega nem se entrega a que ...