10 agosto 2014

Boléro


Boléro - Maurice Ravel




Dos especialistas


 


Nestes dias, meses anos de grande confusão, em Portugal, ma Europa e no mundo, confesso-me cada vez menos especialista e cada vez mais consciente de que o que sabemos é apenas o que julgamos saber. Confesso-me ignorante no que diz respeito ao conflito Israelo-palestiniano, ao do Iraque, da Líbia e da Síria, dos separatismos ibéricos e da ex-URSS, das crises do sector financeiro, do BCE, do BP, do BES, do GES e da decisão de dividir o banco em bom e mau.


 


Ao contrário da enorme quantidade de especialistas que debitam palavras, audíveis e/ou legíveis, sobre todos os problemas do mundo, da queda dos aviões e dos seus desaparecimentos até ao aquecimento global e à epidemia do Ébola, a falta de confiança nas informações que se recebem e naqueles que as transmitem é tal que, se ouço que vai estar de chuva tiro o fato de banho do armário.


 


Marcelo Rebelo de Sousa não pertence ao grupo dos ignorantes: fala rápida e assertivamente sobre tudo. António josé Seguro fala lenta e assertivamente sobre nada. Estilos bem diferentes mas semelhantes para o ruído que paira sobre a nossa sociedade.


 


As sondagens sucedem-se e as evidências sobre o governo e a oposição continuam a aparecer. Não tenho receio de partidos que se dividem e de novos partidos que apareçam. Só tenho medo da total inércia e desinteresse da população pela causa pública. Não são só os partidos políticos que não respondem aos anseios dos cidadãos, são todas as suas organizações representativas que estão em colapso: partidos, associações patronais, sindicatos, ordens profissionais, igreja, justiça, informação, tudo se desmorona e se mostra pouco eficaz e pejado de processos e protagonistas duvidosos.


 


Somos mesmo assim. De tantas raivas e fogos fátuos, sem consistência, mergulhamos no imediato do momento, subservientes com os poderosos, cruéis quando caem do pedestal que lhes fazemos.

03 agosto 2014

A partir das 22:30h

Do arremedo democrático

A condução política dos assuntos mais sérios e delicados do país deixaram de ser da responsabilidade do governo, pois este demite-se de cumprir o mandato para o qual foi eleito. Só assim se pode compreender que seja o Governador do Banco de Portugal a apresentar a solução para o BES.


 


Há muitas semelhanças entre o BPN e o BES mas também há algumas diferenças. Uma das mais importantes é termos tido um governo à altura dos problemas que se nos colocavam - e essa é uma diferença determinante para uma sociedade que ainda se crê democrática.

Violação dos direitos humanos

O conflito Israelo-Palestiniano é de uma enorme complexidade. Basta tentarmos informar-nos do que se passou ao longo dos vários séculos, ou mesmo milénios, da história do povo judeu e daquela área do globo, para nos apercebermos das inúmeras razões de parte a parte e dos extremismos de todos os lados.


 


Independentemente dos motivos e das razões que a tantos assistem, nada pode justificar a sistemática violação dos direitos humanos por parte de Israel ao bombardear agrupamentos de cidadãos que estão sobre a protecção da ONU.


 


Em qualquer guerra e nesta em particular não há inocentes. Mas são sempre os inocentes que sofrem as consequências deste descalabro humanitário.


 


Nota: Há um dossier muito interessante sobre Israel e a Palestina no Observador, que vale a pena ler.

02 agosto 2014

Evidências

Vítor Constâncio foi insultado e vilipendiado por causa do falhanço da supervisão no caso BPN.


Carlos Costa fez o que pode.


 


A nacionalização do BPN foi um acto criminoso de José Sócrates e de Teixeira dos Santos.


A nacionalização do BES é inevitável.


 


Havia uma rede internacional de tráfico de crianças que incluía diplomatas, políticos, gente muito importante e muito influente.


José Sócrates era culpado de corrupção nos processos Freeport, Face Oculta e, mais recentemente, do Monte Branco.


O único sobrevivente da tragédia da praia do Meco era um estupor que obrigava os colegas às mais vis torturas de praxe.


Ricardo Espírito Santo é o pior mafioso que se passeou por Portugal, desde que há memória escrita.


 


João Duque é chamado pela TSF a comentar a hecatombe do GES e do BES.


Os comentadores económicos têm as suas opiniões modeladas apenas por critérios de competência, nunca são influenciados por nada nem por ninguém.

01 agosto 2014

Lisboa que amanhece


Sérgio Godinho &Caetano Veloso


 


 


Cansados vão os corpos para casa


Dos ritmos imitados doutra dança
A noite finge ser
Ainda uma criança de olhos na lua
Com a sua
Cegueira da razão e do desejo

A noite é cega, as sombras de Lisboa
São da cidade branca a escura face
Lisboa é mãe solteira
Amou como se fosse a mais indefesa
Princesa
Que as trevas algum dia coroaram

REFRÃO:


Não sei se dura sempre esse teu beijo
Ou apenas o que resta desta noite
O vento, enfim, parou
Já mal o vejo
Por sobre o Tejo
E já tudo pode ser
Tudo aquilo que parece
Na Lisboa que amanhece

O Tejo que reflecte o dia à solta
æ noite é prisioneiro dos olhares
Ao Cais dos Miradoiros
Vão chegando dos bares os navegantes
Amantes
Das teias que o amor e o fumo tecem

E o Necas que julgou que era cantora
Que as dádivas da noite são eternas
Mal chega a madrugada
Tem que rapar as pernas para que o dia
Não traia
Dietriches que não foram nem Marlénes

REFRÃO

Em sonhos, é sabido, não se morre
Aliás essa é a Única vantagem
De após o vão trabalho
O povo ir de viagem ao sono fundo
Fecundo
Em glórias e terrores e aventuras

E ai de quem acorda estremunhado
Espreitando pela fresta a ver se é dia
E as simples ansiedades
Ditam sentenças friamente ao ouvido
Ruído
Que a noite se acostuma e transfigura

REFRÃO

Na Lisboa que amanhece

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...