17:00h
05/07/2014
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
E agora mais este (desfio a colocar música e poesia no facebook - a mim calhou-me a letra P, a pedido de uma amiga):
Mariza
Fernando Pessoa
Mário Pacheco
Há uma música do povo,
Nem sei dizer se é um fado...
Que ouvindo-a há um ritmo novo
No ser que tenho guardado...
Ouvindo-a sou quem seria
Se desejar fosse ser...
É uma simples melodia
Das que se aprendem a viver...
E ouço-a embalado e sozinho.
E essa mesmo que eu quis...
Perdi a fé e o caminho...
Quem não fui é que é feliz.
Mas é tão consoladora
A vaga e triste canção...
Que a minha alma já não chora
Nem eu tenho coração...
Sou uma emoção estrangeira,
Um eco de sonho ido...
Canto de qualquer maneira
E acabo com um sentido!
A este desafio (colocar poesia e música no facebook - pediram-me a letra A), respondo com:
Amália
Alexandre O'Neil & Alain Oulman
Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.
Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.
Estes apoios crescentes a Seguro que conduzirão à grande vitória nas primárias soam-me estranhamente familiares, exactamente como a grande descolagem da candidatura de Mário Soares nas Presidenciais de 2006.
É mesmo a nossa única hipótese - que António Costa consiga mobilizar Portugal.
As movimentações da direcção do PS, afecta a António José Seguro, demonstram bem a falta de liderança e de visão política, para não falar da indesmentível preparação de umas eleições que são tudo menos a expressão livre de uma vontade. Avizinham-se regimentos de simpatizantes que o nunca foram e que apenas serão instrumentos de manipulação eleitoral.
António Costa tem que começar já a fazer a campanha para as legislativas, tem que falar para fora do PS. A sua única hipótese é que a mobilização popular seja de tal forma avassaladora que o próprio aparelho do PS perceba que, com António José Seguro, se arrisca a não ganhar o poder.
A candidatura de António Costa tem que manter o distanciamento em relação aos ataques pessoais e aos assassinatos de carácter. De certeza que irão aparecer notícias sobre perfídias de José Sócrates e sobre actos de corrupção, compadrio e tráfico de influências protagonizadas por António Costa, família e amigos. É a arma dos cobardes. É muito importante que quem deseja que o PS tenha uma vitória retumbante nas próximas legislativas e, mais importante que isso, alguém à frente do governo que relance a esperança e mude alguma coisa, deve participar nas primárias do PS. E temo bem que esse grupo anónimo de gente seja menos militante que os seguidores de António José Seguro.
Temos a oportunidade de fazer alguma coisa. É mesmo bom que a aproveitemos.
António José Seguro tentou sempre, durante todos estes anos, afastar-se de Sócrates e dos seus governos. Nunca assumiu que houve mais coisas boas que más, nos governos anteriores à Troika e, por omissão, deixou que se instalasse em toda a sociedade a explicação para o desastre na culpa dos socialistas, mas apenas os socráticos.
Agora que António Costa lhe disputa a liderança, António José Seguro volta ao assunto, colando António Costa a Sócrates e aos seus governos, para passar a mensagem que com António Costa voltará Sócrates, a bancarrota, o desperdício de dinheiros públicos e a corrupção.
António José Seguro alia-se tacitamente à direita e à esquerda mais reaccionária para ver se consegue manter-se, a todo o custo, como candidato a chefe do governo nas próximas eleições legislativas. Ainda não percebeu que, quanto mais tempo se arrastar na liderança, mais perde o PS e, muito mais grave que isso, mais aumentam as hipóteses de termos um próximo governo idêntico ao presente.
Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...