20 abril 2014

E quem fala assim...

 


(...) poderão ser equacionados contributos adicionais do lado da receita, designadamente na indústria farmacêutica, ou de tributação sobre produtos que têm efeitos nocivos para a saúde.


Ministra Maria Luís Albuquerque 


 


Não gostaríamos que estas medidas fossem olhadas apenas numa perspectiva orçamental. O nosso primeiro objectivo com este tipo de políticas é melhorar o estado de saúde da população.


Secretário de Estado Adjunto Leal da Costa


 


Não há taxa. É uma ficção, um fantasma que nunca foi discutido em Conselho de Ministros e cuja especulação só prejudica o funcionamento da economia.


Ministro Pires de Lima


 

Gloria

  



Vivaldi


Orquestra e Côro de Câmara Nacionais da Arménia
soprano M. Galoyan
soprano H. Harutyunova
mezzo-soprano N. Ananikyan
Maestro R. Mlkeyan


 

Enquanto não pagamos imposto...

 


 



 

Para uma celebração feliz - Traz outro amigo também

 


 



Zeca Afonso

 


 


Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também


 


Em terras
Em todas as fronteiras
Seja bem vindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também


 


Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também

19 abril 2014

Em modo preparatório (repasto pascal)

 


 


 


 


O pão-de-ló é um bolo de grande tradição na cozinha portuguesa e nesta particular época festiva. Sim, porque todas as celebrações religiosas acabam sempre em grandes banquetes e, por muito devotos que sejamos (e eu não sou rigorosamente nada), ninguém dispensa as iguarias que se preparam afanosamente, com mais ou menos imaginação.


 


Pois um dos segredos do bom pão-de-ló é o tempo durante o qual se deve bater o açúcar com os ovos, para que fique bem fofo. Esse é um segredo que todos conhecem. Um outro, mais bem guardado, é a forma de conseguir um pão-de-ló líquido no centro. Para além da enorme quantidade de gemas necessária, não percebo como se faz.


 


Sendo assim, atrevida mas ainda não o suficiente, deixo essa experiência para outra altura.


 


Hoje resolvi preparar o pão-de-ló como é hábito (50g de açúcar por cada ovo/ metade do peso do açúcar em farinha) - bater muito bem os ovos com o açúcar, até ficar um creme quase branco, juntar-lhe a farinha e misturar, cozer em forno médio (foram cerca de 15 minutos para 6 ovos) numa forma untada com margarina e polvilhada de farinha. Mas...


 


... não é em vão que se consomem várias horas de MasterChef (Austrália). Pão-de-ló, só assim, tão e é pouco para a minha mesa de Páscoa. E que tal uma calda, para molhar o dito? Raspei (com o inexcedível Microplane) 2 laranjas e espremi essas 2 e mais uma para dentro de um tacho, juntei 6 colheres de sopa de açúcar e um pouco de licor de café (a olho, confesso, umas boas goladas). Depois de fervilhar durante um bocado, até ficar com um pouco de ponto, dei a calda por terminada. Mas...


 


... faltava ainda a parte crocante. Toca de moer grosseiramente uns amendoins e de os torrar na frigideira antiaderente (foi um instante, ficaram ligeiramente torrados de mais). Mas...


 


... para a felicidade e a sofisticação serem supremas, a cereja no topo do bolo, ou seja, ainda precisava de ter natas batidas com açúcar, cremosas e sedosas, o que daria ao pão de ló a companhia ideal para ser mais que pão. O problema é que as natas que encontrei - mimosa - me mimosearam com a tristeza de nem serem de seda nem se transformarem em creme, apenas num líquido pastoso e desanimado.


 


Está no frigorífico. Pode ser que amanhã ressuscite, para condizer com o dia.


 

Penitência contínua

 


A tragicomédia desta governação continua a bom ritmo. Infelizmente é um espectáculo moderno, em que os espectadores também são parte activa da peça.


 


A Portaria n.º 82/2014, de 10 de Abril, pretende clarificar as valências dos hospitais, segundo critérios de base populacional e de referenciação, estabelecendo 4 grupos de hospitais, dos menos (grupo I) para os especializados (grupo IV).


 


Começo por me espantar com a forma como se decidiu quais os hospitais pertencentes a cada grupo, vendo o Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, EPE (HFF) no grupo I e o Hospital Garcia de Orta, EPE (HGO) no grupo II. Continua o espanto ao ver que a especialidade de Anatomia Patológica vem referenciada apenas no grupo II - será que o HFF vai deixar de ter serviço de Anatomia Patológica? Para onde irão enviar os milhares de biopsias, peças cirúrgicas e citologias que recebe anualmente? Isto para não falar do Centro Hospitalar Cova da Beira (CHCB), também do grupo I, que é um Hospital universitário - Universidade da Beira Interior.


 


Acabo a espantar-me porque, imediatamente após a publicação da Portaria já há muitos a dizer que não será para cumprir.


 


Muitos pecados tem este País a expiar, que isto nunca mais acaba.


 

18 abril 2014

Em modo revolucionário - Trova do vento que passa

 



Manuel Alegre


Carlos Paredes


Amália Rodrigues


 


Pergunto ao vento que passa

notícias do meu país

e o vento cala a desgraça

o vento nada me diz.


Pergunto aos rios que levam

tanto sonho à flor das águas

e os rios não me sossegam

levam sonhos deixam mágoas.


Levam sonhos deixam mágoas

ai rios do meu país

minha pátria à flor das águas

para onde vais? Ninguém me diz.


Se o verde trevo desfolhas

pede notícias e diz

ao trevo de quatro folhas

que eu morro por meu país.


Pergunto à gente que passa

por que vai de olhos no chão.

Silêncio - é tudo o que tem

quem vive na servidão.


Vi florir os verdes ramos

direitos e ao céu voltados.

E a quem gosta de ter amos

vi sempre os ombros curvados.


E o vento não me diz nada

ninguém diz nada de novo.

Vi minha pátria pregada

nos braços em cruz do povo.


Vi minha pátria na margem

dos rios que vão pró mar

como quem ama a viagem

mas tem sempre de ficar.


Vi navios a partir

(minha pátria à flor das águas)

vi minha pátria florir

(verdes folhas verdes mágoas).


Há quem te queira ignorada

e fale pátria em teu nome.

Eu vi-te crucificada

nos braços negros da fome.


E o vento não me diz nada

só o silêncio persiste.

Vi minha pátria parada

à beira dum rio triste.


Ninguém diz nada de novo

se notícias vou pedindo

nas mãos vazias do povo

vi minha pátria florindo.


E a noite cresce por dentro

dos homens do meu país.

Peço notícias ao vento

e o vento nada me diz.


Quatro folhas tem o trevo

liberdade quatro sílabas.

Não sabem ler é verdade

aqueles pra quem eu escrevo.


Mas há sempre uma candeia

dentro da própria desgraça

há sempre alguém que semeia

canções no vento que passa.


Mesmo na noite mais triste

em tempo de servidão

há sempre alguém que resiste

há sempre alguém que diz não.

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...