26 janeiro 2014

Um dia como os outros (137)

 



uma das coisas mais difíceis em crescer -- envelhecer talvez seja a expressão correcta -- é aprender que não sabemos o que sentimos. ou, melhor, que sentimos hoje uma coisa e amanhã outra e que qualquer delas é ou pode ser verdade. (...)


 


(...) mais: achamos que esquecemos e afinal não. ou que não e afinal sim. achamos que não queremos saber e afinal queremos. achamos que não desejamos e afinal. achamos que vamos dormir bem e dormimos mal ou não dormimos de todo. achamos que estávamos preparados e afinal não estávamos. que não ia doer e afinal doeu - ou ao contrário. achamos tanta coisa e enganamo-nos em tanta coisa. como podemos confiar em alguém se nós próprios não somos de confiança? (...)


 


Fernanda Câncio

25 janeiro 2014

O estado da Nação

 


 



 


Aximage - 25/01/2014


 


 

Jogos palacianos

 


Por muito que nos pareça incrível, a coligação PSD/CDS prepara-se para ganhar as próximas eleições legislativas. A premonição do desastre é tão grande, que Ferro Rodrigues já declara que SE o PS vencer CLARAMENTE as europeias, deverá pedir eleições antecipadas. SE... CLARAMENTE...


 


Todos já demonstram a maravilha que foi esta política, a redenção da economia e a credibilidade de Portugal face aos Mercados, às agências financeiras, à Europa, ao FMI. Com a direita no poder, o caminho da revolução consolidou-se e o governo pode continuar a delapidar o estado, destruindo os serviços públicos de saúde e educação, reduzindo as forças armadas a um grupo de soldadinhos de chumbo, transformando a segurança social na esmola para os desvalidos, rumo a um admirável mundo novo.


 


Sendo assim podem perfilar-se os candidatos presidenciais. E é tal a pesporrência que já descartaram um dos candidatos mais mediáticos. O mais interessante é que eu acho que Marcelo Rebelo de Sousa só estava à espera de encontrar um bom motivo para não ser candidato. Quanto a mim, lá no fundo Marcelo Rebelo de Sousa é capaz de suspeitar de que o povo, que tanto gosta de o ouvir e das suas brilhantes e divertidas prédicas dominicais, o olha como uma espécie de bobo da corte, negando-lhe as qualidades de postura e isenção consideradas importantes na Presidência da República. Marcelo Rebelo de Sousa é imprevisível e, depois, deixava de poder dar notas aos políticos, de comentar a bola, os concursos juvenis ou as vitórias do ténis, para além do despachar de livros à desfilada.


 


Por tudo isto nunca pensei que Marcelo Rebelo de Sousa fosse candidato a Belém. Será que Passos Coelho, mesmo sem querer, lhe fez um favor?


 


Mas outra questão se levanta - quem será o próximo candidato da direita? E da esquerda? Também nisso António José Seguro não tem opinião.


 

Das ofertas recebidas (3)

 



 



 


 


Este Natal cinéfilo continuou-se com a série de televisão da HBO - The Nº 1 Ladies Detective Agency - que, infelizmente, se ficou pela primeira série. O ritmo, as cores, o sentido de humor e a sensibilidade impregnadas estão de acordo com as histórias de Alexander McCall Smith. Esta série ganhou inúmeros prémios, não se percebendo a razão de não ter continuado. São 6 episódios deliciosos.


 


A protagonista Mma Ramotswe (Jill Scott) está perfeita. Mas a caracterização e interpretação que mais me maravilharam foi a de Mma Makutsi, encarnada por Anika Noni Rose. A dicção lenta e as legendas em inglês facilitam a compreensão e compensam a falta de legendas em português.


 


Uma oferta excelente e aconchegante para estes dias invernosos.


 


 


 

Sister - Miss Celie's blues

 


 



 Tata Vega


 


 



 Molly Johnson


 


 



 Chaka Khan


 


Sister, you've been on my mind
Sister, we're two of a kind
So, sister, I'm keepin' my eye on you.

I betcha think I don't know nothin'
But singin' the blues, oh, sister,


Have I got news for you, I'm something,
I hope you think that you're something too

Scufflin', I been up that lonesome road
And I seen alot of suns going down
Oh, but trust me,
No-o low life's gonna run me around.

So let me tell you something Sister,
Remember your name, No twister
Gonna steal your stuff away, my sister,
We sho' ain't got a whole lot of time,
So-o-o shake your shimmy Sister,
'Cause honey the 'shug' is feelin' fine.


 


Quincy Jones


 

Das múltiplas tragédias

 


Todos temos necessidade de encontrar justificações para as tragédias. Podemos culpar os deuses, a natureza, ou a incapacidade humana, seja ela de que tipo for, mas é-nos quase impossível aceitar o acaso ou o fortuito, o imprevisível, ou o previsível mas imparável, como a morte. Por isso é perfeitamente compreensível que as famílias dos jovens que morreram se questionem e exijam respostas, na tentativa de tentar compreender o incompreensível – a morte súbita, violenta e prematura de 6 jovens universitários. Como também é compreensível a tentativa da família do único sobrevivente em protege-lo e em preservar o mais possível a sua privacidade e recuperação.


 


Não consigo imaginar a dor e a revoltas das famílias dos que morreram, como não consigo imaginar a dor e os sentimentos de culpa do sobrevivente, tenha ou não tido responsabilidade na tragédia. Por isso tudo me arrepiam as notícias, as especulações e os julgamentos na praça pública que se estão a fazer em relação a tudo o que aconteceu. A comunicação social vai mantendo à tona o assunto, dando notícias a conta-gotas, de forma a alimentar na opinião pública a revolta e a condenação do sobrevivente, no pressuposto de que terá obrigado a qualquer coisa que tenha levado os colegas a afogarem-se. Não sei é verdade ou mentira, mas ninguém sabe e, no entanto, as opiniões chovem e as declarações multiplicam-se, com os familiares da vítima a serem arrastados a alimentar o festival.


 


Sou e sempre fui totalmente contra as praxes académicas, ou outras. Algumas das coisas a que chamam praxes não são mais do que actos de vandalismo e de violência que deveriam ser tratados como tal. É possível que tenha havida horríveis praxes, mas convém não especular, sem factos e sem provas, que terá sido esses actos que levaram à morte dos jovens. E é exactamente isso que todos, de uma forma mais ou menos velada, dizem.


 


Os familiares das vítimas têm direito a saber a verdade, o sobrevivente tem direito a ser respeitado, ouvido e, se for caso disso, julgado e condenado, mas em tribunais e por juízes, não nos jornais e nas televisões, sem direito a qualquer defesa, tal como tem direito a recuperar e a ser tratado do trauma provavelmente permanente que sofreu.


 


Podia ser qualquer um de nós nesta situação ou, pior ainda, qualquer dos nossos filhos. Convém que não tornemos a situação ainda mais horrível do que ela já é.


 

18 janeiro 2014

Dos pseudomoralismos ditatoriais

 


A aprovação parlamentar da proposta de referendo para a adopção e co-adopção de crianças por casais homossexuais é mais um passo na escalada do populismo pseudo moralista e ditatorial da direita que nos governa.


 


A vergonha maior, e o mais dramático, é que nem sequer será porque a maioria dos deputados assim pensa, mas porque o oportunismo político e a falta de coluna vertebral de muitos permite que se subvertam desta forma os valores democráticos e se implementem os costumes como o referencial do que é lei e do que se permite em sociedade.


 


Como em poucos anos se consegue destruir o que tantos anos demorou a construir. Disso esta maioria se pode gabar. E disso são responsáveis todos os que, por omissão, se não indignaram. Felizmente ainda há algumas almas que preferem o compromisso de consciência.


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...