24 dezembro 2013

Continuar

 



Baemikkumi


 


Qualquer que fosse o esforço que fizesse


arrasar esta inquietação esta inamovível tristeza


qualquer que fosse a caminhada


a extensão da estrada que me esperasse


qualquer que fosse o longínquo obscuro lugar


que me quisesse talvez lá encontrasse


a força que me falta para continuar.


 

River

 




 


It's coming on Christmas


They're cutting down trees


They're putting up reindeer


And singing songs of joy and peace


Oh I wish I had a river I could skate away on


 


But it don't snow here


It stays pretty green


I'm going to make a lot of money


Then I'm going to quit this crazy scene


Oh I wish I had a river I could skate away on


 


I wish I had a river so long


I would teach my feet to fly


I wish I had a river I could skate away on


I made my baby cry


 


He tried hard to help me


You know, he put me at ease


And he loved me so naughty


Made me weak in the knees


Oh, I wish I had a river I could skate away on


 


I'm so hard to handle


I'm selfish and I'm sad


Now I've gone and lost the best baby


That I ever had


I wish I had a river I could skate away on


 


Oh, I wish I had a river so long


I would teach my feet to fly


I wish I had a river


I could skate away on


I made my baby say goodbye


 


It's coming on Christmas


They're cutting down trees


They're putting up reindeer


And singing songs of joy and peace


I wish I had a river I could skate away on


 

Da diáspora

 


É difícil falar do imensurável tédio e incontido asco que estas pseudo-iniciativas me causam. E da incompreensão relativamente à presença do inefável líder do PS, que não perde uma oportunidade de passear o vácuo do seu pensamento e a irrelevância da sua presença na irrealidade deste tempo de colaboracionistas.


 


E segue a quadra da obrigatoriedade do contentamento hipócrita.


 

23 dezembro 2013

Moda-crise réveillon 2013/2014

 



 


Há poucos dias, não sei bem em que estação de rádio, ouvi um designer perorar sobre a elegância e adequação de se mostrar regrado e contido nos gastos com o réveillon, repetindo toilettes e reciclando acessórios.


 


É chique fingir ser pobre - está na moda.


 

Da circularidade do tempo

 


O tempo é circular, pelo que os inícios e fins de ano são marcos totalmente artificiais num continuidade a várias dimensões.


 


E no entanto, quando chego ao Natal, comporto-me como se, de facto, alguma coisa fosse acabar, alguma coisa que nunca mais voltará. Daí a necessidade inconsciente que sinto em resolver assuntos pendentes, em comprar alimentos que cheguem para uma semana, em fornecer-me de aconchego como se aguardasse o fim de uma era, o início de uma guerra, qualquer inevitabilidade terrível que se abatesse ao soar o alarme das zero horas do novo ano.


 

Do pecado da gula (1)

 


Começou hoje a operação Natal 2013, com a confecção das filhós.


 


Desta vez decidi fazê-las, o que não é inédito, mas quase. A diferença é que em vez de ter uma consultadoria telefónica tenho-a presencial. É mais supervisão das quantidades dos ingredientes (a olho), do bater a massa e da consistência da dita, uma ciência oculta conhecida apenas pelos iniciados, neste caso as iniciadas.


 


Juntam-se 750g de farinha a 6 ovos; vai-se amassando e juntando um copo de água cheio com uma mistura de sumo de laranja, aguardente e azeite. As mãos são uma escolha mais avisada do que a máquina, porque a massa fica toda colada às pás da batedeira e temos que a tirar à força. Por outro lado também não é muito prático o uso de luvas culinárias, visto que se podem perder na própria massa, no afã do momento. Vai-se colocando mais um pouco de farinha, até a massa despegar do alguidar e das mãos. Faz-se depois uma bola, cobre-se com um pano limpo e deixa-se a levedar, num ambiente aquecido, outro processo misterioso que resulta no aumento do volume da massa.


 


Segue-se a fritura das filhós em óleo quente, depois de se estenderem com o rolo da massa untado de azeite, numa tábua também untada. Este processo é delicado e necessita de quatro mãos - duas estendem a massa, cortam as formas e colocam-nas no óleo de fritar; as outras duas de garfo empunhado, viram as filhós, mantém a temperatura do óleo e previnem a carbonização inadequada da iguaria, o que nem sempre é fácil.


 



 


Já estão numa taça funda, à espera de serem polvilhadas com açúcar e comidas.


 


No entretanto o grão está a demolhar e as pernas gigantescas de peru (4Kg - devem ser extraterrestres, estes perus) estão a hidratar-se e a amaciar, cobertas de água, com laranjas (2) e limões (2) às rodelas, sal e pimenta. Ficarão no frio até ao dia 25, altura em que irão para o forno. Até lá ainda terei que inventar o recheio que se come à parte.


 


Amanhã continuará a missão, com as rabanadas e a aletria, para além do episódio da compra das couves portuguesas, que demoram séculos a lavar e arranjar. Estou a congeminar a calda à moda do Norte, para regar as rabanadas e os sonhos, numa receita que foi partilhada por um colega lá de cima, e que inclui vinho do Porto. Várias inovações este ano.


 

21 dezembro 2013

Doces manhãs

 


 



Confeitaria Nacional, Lisboa


 


Lisboa, em Dezembro, fria e soalheira, apinhada de gente que olha, que distende os ombros e respira.


 


Do Largo Camões à Rua dos Fanqueiros, a minha mão na tua, vagueando por entre o ruído das conversas, dos passos vagarosos e dos eléctricos. As ruas estão enfeitadas, talvez menos que em outros natais mais desafogados, mas há muitos vermelhos e muitos verdes, algumas luzes e flores, estátuas de fadistas, pequenas feiras de livros, de licores, de pequenas lembranças artesanais que poderão aconchegar um pouco o natal de quem vende.


 


Os doces são uma tentação irresistível, como as manhãs na tua companhia.


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...