07 setembro 2013

Do condicionamento da vontade popular

 


É bom ter à volta gente com quem se conversa e se discutem ideias. Isto a propósito da lei da limitação dos mandatos autárquicos.


 


aqui me referi a esta trapalhada e ao facto de ser incompreensível haver uma lei que tem que ser clarificada pelo Tribunal Constitucional, pois a interpretação é dúbia tendo os deputados recusado o seu esclarecimento.


 


A minha interpretação do espírito da lei, tal como me parece ter sido ventilado por todos os actores políticos, era que, a bem da democracia, deveria ser impossível a eternização no poder de determinadas pessoas, pois facilitavam a formação de compadrios e tráfico de influências, numa corrupção encapotada e de difícil controlo. Nesse sentido uma lei que limitasse o número de mandatos seria benéfica para a saúde democrática e para a credibilização da política e dos políticos.


 


Só que aquilo que a lei acabou por limitar foi a eternização num determinado local, não de uma determinada função. Ou seja, os partidos, se é que o fizeram com esse objectivo e não por incompetência e iliteracia, ludibriaram os eleitores ao darem a entender uma intenção que não tencionavam cumprir (com excepção do PCP).


 


Mas será que esta limitação é mesmo uma medida democrática? É que, tal como me foi apontado com acerto, esta é uma medida de contornos eminentemente antidemocráticos visto que obriga a uma renovação de representantes à revelia da vontade popular. Ou seja, se o povo quiser eleger alguém, mesmo que por 30 anos seguidos, a vontade popular deveria ser acatada, porque ela é soberana.


 


O facto dos partidos políticos não conseguirem renovar as suas lideranças e os seus protagonistas é motivo de preocupação, claro, mas terão que ser os mesmos partidos, dentro das suas estruturas, a alterar procedimentos. Conduzir o voto do povo, mesmo que a razão pareça nobre e enriquecedora, nunca deixa de ser uma forma de condescendência de cariz totalitário. É aos eleitores que cabe, em última instância, a decisão de apear qualquer representante das suas funções políticas.


 


Penso que esta é uma discussão que vale a pena ter. Na nossa sociedade são imensas as tentações totalitárias de condicionar comportamentos e costumes. O combate à corrupção tem a ver com uma justiça a funcionar e com transparência, o que pressupõe leis perceptíveis e aplicadas com toda a celeridade. Ceder ao politicamente correcto, à demagogia e ao populismo tem sempre custos, mesmo que não nos apercebamos deles no imediato.

04 setembro 2013

Evitar e combater a cegueira

 



 


 


A Fundação Champalimaud premiou, este ano, quatro ONG que actuam no Nepal, informando as populações, formando médicos, operando doentes, numa intervenção sanitária, social e humanitária.


 


As cataratas são uma das afecções que mais contribuem para a enorme prevalência da cegueira no Nepal. É uma doença que se trata com uma cirurgia pouco complicada. O tracoma, uma infecção crónica causada por uma bactéria (Chlamydia trachomatis), que se pode tratar com higiene e antibióticos, é a 2ª causa de cegueira no Nepal.


 


Estas duas doenças são uma tragédia social naquele país e em muitos outros. Este prémio significa mais intervenção da parte de organizações que estão a contribuir para que milhões de pessoas tenham uma vida um pouco melhor.


 

01 setembro 2013

Vergonha



Já alguém perguntou aos mais de 900 mil desempregados do que lhes valeu a Constituição?


 


Este governo é mesmo perigoso. Não me espanta - envergonha-me.

29 agosto 2013

Notas dispersas

 


Vemos, ouvimos e lemos coisas de espantar, algumas dramáticas.



  1. As mortes dos bombeiros nos combates aos incêndios - é tempo de nos solidarizarmos com as famílias e os companheiros, de agarrar forças onde não as há e ajudar as populações. Terá que haver, no entanto, uma reflexão sobre o que se tem passado - onde está a prevenção? A formação é a adequada? Profissionalismo ou amadorismo? É indispensável que se façam balanços e se perceba bem o que deve ser feito para que não se repitam estes horrores.

  2. As inacreditáveis trapalhadas à volta da reorganização das urgências nocturnas na área metropolitana de Lisboa, com afirmações contraditórias, com todos os protagonistas a esgrimirem argumentos na praça pública lançando toda a população em grande confusão, sem saber o que se passa e como vai ser atendida. Também se ouviu esta semana o Bastonário da Ordem dos Médicos pronunciar-se sobre a triagem de Manchester nas urgências hospitalares, levantando a suspeita de falta de segurança dos doentes ao serem atendidos por profissionais menos qualificados do que deveriam. Onde estão os estudos de comparação entre as triagens e classificações de prioridades dos Enfermeiros e dos Médicos, desde a implementação do protocolo em Portugal?

  3. Os EUA preparam-se para invadir a Síria - sem o aval do Conselho de Segurança? E os gaseamentos de milhares de pessoas? São assuntos só deles? E a Europa, não tem nada a dizer? Fernanda Câncio tem razão - é tão fácil perorarmos sobre os nossos códigos de moralidade sem termos que decidir o que fazer.

  4. As eleições autárquicas preparam-se sob a indiferença e o encolher de ombros generalizados - a vergonha da lei de limitação de mandatos a ser resolvida em tribunais, a espera pelo Tribunal Constitucional, que depois é acusado de imobilista e conservador, como estou agora a ouvir alguém do PSD a defender, na SICN, em frente a Gabriela Canavilhas, enfim, o alheamento da sociedade dos rituais e dos formalismos da democracia - um julgá-la-á dispensável.


O melhor é voltar à Rádio Comercial.

18 agosto 2013

Da vida das Dondocas (3)

 



 


Nesta altura já estava bastante inclinada a deixar o peru para outras núpcias, mas a gula foi mais forte que a canseira.



  • Fui colocando o peru no wok, utensílio maravilhoso que descobri há pouco tempo, sem qualquer gordura, só assim, e deixei fritar o peru, mexendo sempre, reservando numa tigela, à medida que estava pronto.

  • Deitei a marinada que sobrava e o molho acumulado no wok, para fervilhar um pouco

  • e estava despachado.

  • Fiz arroz branco

  • e salada de alface para acompanhar.


Chegava a hora de jantar e eu estava mais ou menos exausta, mas com muita vontade de experimentar as iguarias – fan-tás-tic-as.


 


Claro que todas estas actividades culinárias foram intervaladas com colagens, envelopes, carimbos e moradas, pilhas de louça para lavar e bodeguice para limpar. Penso que o próximo fim-de-semana será ocupado a jejuar, porque muitos iguais a este farão despertar a irrevogabilidade da decisão de me converter à religião da inactividade – para meditar, claro.


 


Fim

Da vida das dondocas (2)

 



 


Pois foi hoje:


 


Logo de manhã (lá para as 10 e meia, onze), para ficar mais de 3 horas no frio:



  • Fiz 6 chávenas de café

  • e misturei com 2 cálices de vinho do Porto tinto.

  • Separei 5 gemas das respectivas 5 claras,

  • bati as gemas com 50g de açúcar, durante bastante tempo, até ficar um creme esbranquiçado,

  • depois juntei-lhe o mascarpone aos bocadinhos, batendo sempre, devagarinho, até ficar tudo bem homogéneo.

  • A seguir bati as claras em castelo bem firme

  • e juntei-lhe 150g de açúcar, batendo sempre, até ficarem brancas, firmes  sedosas.

  • Incorporei, aos bocados, as claras no creme de mascarpone (com o rapa-tachos), até ficar tudo uma só massa

  • (provei o creme que estava uma delícia).

  • Embebi os palitos de la reine no café com Porto (ficaram um pouco molhados de mais, quase que se desfaziam),

  • coloquei-os, lado a lado, no fundo de um tabuleiro (12),

  • cobri-os com uma camada de creme,

  • outra fila de palitos de la reine embebidos em café (com Porto),

  • outra camada de creme

  • e, finalmente, cacau em pó a polvilhar.

  • Foi para o frigorífico de onde só saiu para ser comido.


As (2) postas de bacalhau esperava por mim. Lá teve que ser:



  • Retirei-lhe a pele e as espinhas e desfiei-o,

  • parti uma cebola às rodelas finas,

  • 3 dentes de alho, aos quais dei uma pancada para os esmagar levemente,

  • folhas de louro

  • e azeite num tacho, até ficar tudo mole.

  • Lavei e escaldei uns espinafres que lá tinha e juntei-os ao refogado

  • temperei com sal e pimenta;

  • depois de reduzir o líquido foi a vez do bacalhau desfiado

  • seguido de 2 ovos cozidos aos bocados.

  • Deixei apurar um pouco,

  • e pronto.


(continua)

Da vida das Dondocas (1)

 



 


No epílogo de um dia fim-de-semana em grande azáfama, como uma assumida e orgulhosa Dondoca deve ter (depois de ver a definição não me parece que se me aplique...), e depois de me debruçar sobre o inigualável mundo da vida de Lorenzo Carvalho, estendo as pernas para me inteirar das novidades agora publicitadas sobre a misteriosa morte da Princesa do Povo, vindas à luz pelas mãos (ou voz?) dos sogros de um militar britânico – os ínvios caminhos da verdade na vida dos famosos.


 


Dediquei, portanto, o fim-de-semana a tarefas burocráticas que tenho que cumprir (na minha faceta de secretária), a fazer as compras da semana, a cozinhar e a encher e esvaziar a máquina de lavar louça.


 


O empadão de carne com puré de legumes, apesar de visualmente pouco apelativo (enfim, estou a ser bastante suave, porque a cor castanha esverdeada não era nada convidativa), estava uma especialidade – a melhor maneira que inventei para despachar uma jardineira de carne que se eternizava no frigorífico e um resto de guisado de legumes, que nunca mais libertava o tacho:



  • carne e rodelas de chouriço a moer, com um pouco de leite, por um lado,

  • ervilhas, cenoura e guisado de legumes a moer por outro,

  • camada de puré de legumes, camada de carne moída, queijo mozarela ralado

  • camadas repetidas pela mesma ordem

  • e forno…

  • comeu-se quase tudo,

  • com gosto.


Isto foi ontem. Ainda preparei o prato que queria fazer para hoje à noite: peru marinado em iogurte e especiarias, ideia do MasterChef Australia (sim, eu não sou assim tão imaginativa):



  • bifes de peru (1 kg) cortados à tirinhas

  • numa grande taça (comigo as taças, tachos, etc., são sempre grandes) com 6 iogurtes naturais (magro, marca continente),

  • com as especiarias que encontrei – açafrão, caril, cominhos, alho e sal (não sei precisar as quantidades),

  • tudo dentro do frigorífico, para ganhar sabor.


Além disso tinha cozido umas postas de bacalhau, um bocado escangalhadas, para o jantar, mas como comemos o empadão, ficaram para hoje. Os iogurtes de cacau também ficaram na iogurteira, para a semana que vem.


 


Hoje de manhã, o tiramissú, sobremesa que ambicionava experimentar já há algum tempo mas que, primeiro porque não encontrava o queijo mascarpone (há no continente, em embalagens de 250g, na zona dos queijos), depois porque não sabia onde comprar os palitos de la reine (também no continente, junto à s bolachas), finalmente porque ainda não tinha procurado a receita (basta procurar no google), estava adiada para melhores dias.


 


(continua)


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...