Barbara Furtuna & L'Arpeggiata
Sem palavras. Via Jugular.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Na berma da estrada correm flores roxas e amarelas, numa exuberância de vegetação bêbeda de água. O céu grita de azul e a mornidão do dia desabriga os passeantes.
A quietude e a cíclica renovação da natureza, ontem chuvosa, cinzenta e meditabunda, hoje indisciplinada e adolescente. Nada é eterno, nada é inamovível, nada é inevitável. Nasce-se, cresce-se e morre-se; sexta-feira da paixão, sábado de aleluia, domingo de ressurreição - Cristo como metáfora do que sabemos desde tempos imemoriais, desde o início da vida.
É esta a certeza que devemos ter sempre presente, por muito longínqua que a esperança esteja. Estamos apenas em gestação.
Não encontrei nenhum trabalho, teoria ou reflexão filosófica que explicasse a razão de haver uma associação entre a literatura policial culinária. Dos autores que conheço, bem sei que poucos dos milhões que devem existir, o que desvaloriza totalmente a amostragem, três, e todos pertencentes à Europa mediterrânica, têm detectives gourmet: Comissaire Maigret, de Georges Simenon, Pepe Carvalho, de Manuel Vázquez Montalbán, e o Inspector Jaime Ramos, de Francisco José Viegas.
Haverá alguma conexão especial entre o gosto e o raciocínio lógico, ou entre o gosto e a pulsão para a violência, para o crime? As sensações despertadas pelos odores das ervas e das carnes, pelas texturas e pelas cores dos alimentos, pelos paladares dos doces e dos ácidos, serão semelhantes às do encontro de padrões de comportamento, dos elos perdidos nas cadeias de acontecimentos, das motivações escondidas da superfície, da incapacidade de não esgravatar à procura do tesouro, da resposta a um enigma?
Cozinhar ocupa as mãos, que se desdobram em afazeres de esmagar, cortar, mexer, misturar, libertando a mente para o raciocínio e a contemplação. Por outro lado, as memórias evocadas pelos cheiros e pelos sabores, poderão estimular miríades de outras memórias e de saberes aprendidos sem nos darmos conta, que ligam factos e levantam mais perguntas.
Há dias ouvi Francisco José Viegas contar que lhe faziam, por vezes, perguntas, como se Jaime Ramos fosse real. Pois o Inspector Jaime Ramos é real, tem uma casa onde mora, ruas por onde caminha, mercados onde escolhe os ingredientes que cozinha devagar, enquanto saboreia um bom vinho, um clube pelo qual torce, um trabalho que lhe revela a sua própria humanidade. Poderá até ser mais real do que o próprio criador. E este é um dos maiores elogios que se pode fazer a um escritor.
Subscrevo muito do que Porfírio Silva diz, principalmente a sua última frase:
(...) Dito tudo isto, tomara Portugal poder contar com muitos políticos com a preparação, a força e o patriotismo de José Sócrates. Fazem-nos tanta falta políticos desses como não nos fazem falta nenhuma quaisquer excessos de sebastianismo positivo ou negativo.
Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...