18 dezembro 2012

Quadras de Natal (3)

 



Stefano di Giovanni


 


Quero dar ao meu amor


um fio do meu cabelo


ternura branca de dor


rugas fundas em novelo.


 


Minha alma estendida


umas mãos cheias de nada


o resto da minha vida


a seu lado ancorada.


 


A doçura da romã


quero dar ao meu amado


o respirar da manhã


rumor do campo acordado.


 


Quando chegar o Natal


com a penúria enfeitada


em poeira de cristal


serei a noite encantada.


 


E enquanto o tempo quiser


serão meus braços seu manto


sempre que o céu mantiver


o tom cinzento de pranto.


 


E enquanto o tempo poisar


no ombro do nosso amor


nos dias que irão faltar


o mundo será melhor.


 

17 dezembro 2012

Dos vários tipos de marmelos

 


Há que ser divulgar as boas práticas festivas: os licores deste ano resultam da maceração apurada de amoras silvestres, cascas de laranja, sementes e cascas de marmelo em aguardente vínica, desde há 1 ano. Ou seja, os resultantes licores de Amora e de Laranja e Marmelo seguiram a preceito os receituários que já deram provas:



  • Filtrar a aguardente onde estiveram a macerar os frutos, sementes e casacas (guardar as amoras para as mergulhar no licor)

  • Medir o filtrado e fazer um xarope com 750g açúcar para 750ml de água (ferver por 10 a 15 minutos) por cada litro de filtrado

  • Juntar o xarope ao filtrado e levar ao lume até ferver

  • Engarrafar e deixar arrefecer antes de rolhar e rotular; no de amora juntar as ditas.


Todos estes passos requerem animação e bom humor, para os quais as variadas provas de degustação contribuem enormemente, principalmente se houver restos das colheitas anteriores para comparar.


 



 

16 dezembro 2012

Da desconstrução dos doces

 



 


A habilidade está na adaptação às contrariedades. Grandes descobertas se fizeram por acaso, ou porque alguma experiência correu mal.


 


É sempre com esse espírito que enfrento os meus preparados. Na verdade, o doce de abóbora ficou com ponto a mais, descoberto quando a colher de pau se recusou a mover-se presa do dito doce. Por outro lado, a geleia de marmelo ficou com ponto a menos. Eis se não quando a minha mente imaginou de imediato uma conjunção de vontades entre o pétreo doce de abóbora e a mole geleia de marmelo.


 


Pois este fim-de-semana, como já estamos quase no Natal, reuniram-se os membros da Grande Cozinha Semanal, armados de paciência e criatividade. As prioridades estavam bem definidas: sem o doce e os licores nem Jesus nasce. Portanto agarrou-se na panela maior cá de casa e misturaram-se o doce com a geleia. Deixou-se ferver com um bocadinho de água e transformou-se em Doce de Abóbora em cama de Geleia de marmelo, na consistência perfeita.


 


Os licores foram um de laranja e marmelo e outro de amora, que já estão engarrafados. As numerosas degustações afiançam a delicadeza e doçura dos mesmos. Aí não houve surpresas.


 


Enfim, mais um fim-de-semana de exaustão.


 

12 dezembro 2012

Oferta

 



Bonsai


 


Nem sempre sabemos distinguir as nítidas


superfícies a transparência das luzes o brilho


inamovível da memória. Nestas árduas fadigas


de hoje recuperamos a necessidade de sentir


na simples limpeza do olhar a oferta o conforto


do silêncio.


 

09 dezembro 2012

Azáfama pré-natalícia

 



Recuperação do tempo perdido - grande azáfama da Irmandade do Avental - foi a vez do doce de abóbora. Este ano não ficou a macerar de um dia para o outro. Só hoje houve tempo e paciência para atacar a abóbora, que rendeu 3 quilos para o doce e mais um saco dela para congelar. Juntei canela em pau (2/Kg), sumo de lima (não havia limões - 2/Kg) e cravinhos (2/Kg), para além do açúcar, claro. No fim - nozes partidas aos bocadinhos. Está maravilhosa.


 


Ainda produzimos 2 tortas (foi tudo aos pares) com recheio de geleia de marmelo e iogurtes magros de café e canela. A torta fez-se batendo 3 ovos com 150g de açúcar até duplicar o volume da massa; juntámos 75g de farinha e foi a cozer num tabuleiro previamente untado com margarina e polvilhado com farinha, durante 10 minutos, em forno médio.


 


Os iogurtes de café resultaram de uma ideia que me deram outro dia. Segui os passos destas receitas:




  • 1l leite magro (do dia)


  • 2 colheres sopa leite em pó, magro

  • 200g de iogurte natural, magro, sem açúcar (o do Continente é o melhor)

  • 2 saquetas de café instantâneo

  • 1 pau de canela


Fervi 1/2 l do leite com o café e o pau de canela; misturei depois o leite frio e juntei aos iogurtes e ao leite em pó. Deitei tudo nos copinhos da iogurteira que liguei durante 12 horas - vou consumir amanhã, depois de gelarem no frigorífico.


 


Para o próximo fim-de-semana estão programados os licores. Depois do engarrafamento, impressão e colagem de rótulos, tudo estará pronto para as festividades da época.


 



 

08 dezembro 2012

Clima totalitário

 


O que mais impressiona é o clima de perseguição que se instalou na sociedade portuguesa. As notícias dos milhões que alguns ganham e gastam, o apelo à inveja mais mesquinha, o incentivo ao espionar os vícios, pecadilhos e inconsistências de cada um, o insulto permanente aos servidores públicos, a tentativa de criminalização de opções políticas, tudo são razões para destruir pessoas, instituições, ideias.


 


O gozo com que se fala do fato de Guterres ter assumido a responsabilidade por erros durante a sua governação, convidando anteriores governantes a expiarem em público os seus pecados, é assustador e faz lembrar as reeducações dos cidadãos nos antigos países comunistas. A voragem com que se julgam as políticas que olham para o estado como garante de serviços públicos é assustadora.


 


Ainda ontem ouvi um responsável político dizer, com uma voz de evidência absoluta, que não se pode investir em mais linhas de metro no Porto porque a empresa é deficitária. Tudo o que significou em termos de qualidade de vida da população, que tem melhor serviço de transporte, a requalificação urbana a que se assistiu, nada disso é tido em conta. Tal como a destruição do que foi a política de requalificação das escolas, verdadeiramente deprimente.


 


Todos os motivos servem para fazer crer às pessoas que não têm direito a transportes rápidos e de qualidade, a estradas seguras que permitam rápidas ligações terrestres, escolas confortáveis, seguras, agradáveis e estimulantes, centros de saúde e hospitais onde se tratem os doentes com qualidade e dignidade, reformas que permitam uma vida acima do limiar de pobreza.


 


O que mais impressiona é termos governantes que consideram óbvia a necessidade de não se responsabilizarem, enquanto representantes eleitos, pelo bem-estar dos seus concidadãos.


 

02 dezembro 2012

Marmelada com jeropiga

 



 


Com tanto atraso, já só sobrou quilo e meio de marmelos, depois de devidamente lavados, descascados e dessementados. Cozidos em jeropiga, transformados em puré e misturados com o mesmo peso em açúcar, assim se degustou a marmelada resultante, depois de fervilhar por meia horita no tacho, afanosamente mexido com a colher de pau, para não deixar queimar. Está vermelha escura, como convém, com uma textura granulosa e consistência suficiente para não babar o pão ou as bolachas (ou o queijo, ou simplesmente e só a ela própria).


 


As cascas e as sementes, já devidamente amolecidas durante horas em água a ferver, aguardam a filtração e ponto com açúcar (1l de líquido/1kg de açúcar), para a famosa geleia de marmelo.


 


A abóbora, ou deverei dizer as abóboras, espreitam o próximo feriado de 8 de Dezembro (que não sei se é feriado ou se já foi e nunca mais será, mas sei que é sábado). São enormes e prometem um fim-de-semana em cheio. Vou dar tratos à imaginação para inventar um doce de abóbora diferente para este ano.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...