15 outubro 2012

Cerco à democracia

 


Considero totalmente inaceitável o programado cerco a S. Bento. O que estamos a cercar, de uma forma irracional e irresponsável, é o próprio regime democrático.


 

10 outubro 2012

Ética

 


O recente parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV), em resposta à solicitação do Ministro da Saúde sobre a fundamentação ética para o financiamento de retrovirais (doentes HIV+), medicamentos oncológicos e alguns dos medicamentos para a artrite reumatóide, mostrou-nos, mais uma vez, a incapacidade de se ler, discutir e opiniar seriamente sobre qualquer assunto, nomeadamente aqueles que mais serenidade e seriedade precisam, pela sua delicadeza e repercussões na vida do indivíduo e da sociedade.


 


A forma como a comunicação social divulgou o parecer, as opiniões de alguns agentes políticos e a atitude do Bastonário da Ordem dos Médicos foram de um populismo e oportunismo político totalmente inaceitáveis. Sem sequer se ter o cuidado de tentar perceber o significado dos termos empregues, parece que o que mais interessava era lançar na opinião pública a ideia de que o Ministro Paulo Macedo queria este parecer para deixar de fornecer medicamentos como consequência da necessária redução de custos e desperdícios que possibilitem a sustentabilidade do SNS.


 


Que eu me tenha dado conta, apenas Ana Matos Pires se indignou com estas posições, nomeadamente com a intenção revelada pelo Bastonário de levantar um processo de averiguações aos médicos que assinaram o parecer.


 


Não sou suspeita de apoiar este governo, mas concordo com muitas das medidas que Paulo Macedo tem tomado. Acho que é imperioso e ético que este pedido tenha sido feito, como o é que estes assuntos sejam pensados e discutidos por toda a sociedade, tal como o foram a desciminalização da IVG e o testamento vital. Li o parecer que me pareceu bastante equilibrado, apoiando-se em experiências de outros países, chamando a atenção para que a equidade de acesso e a saúde precisam de medidas intersectoriais, salvaguardando a independência dos prescritores e apelando ao envolvimento da sociedade e dos doentes na discussão das decisões terapêuticas.


 


Melhor que eu Maria de Lurdes Rodrigues explicita exactmente o que penso no programa Pares da República de hoje. Vale a pena ouvir. E vale a pena ler o parecer e pensar. Mesmo que não se concorde com o que diz, é necessário e urgente abrir a discussão e ser-se transparente nas decisões.


 

07 outubro 2012

Vertical

 


 



Steven Givler


 


1.


Ontem passei no cais por onde andámos


mãos atracadas sem âncoras olhares longínquos


atravessados de ventos marés e amor bravio.


Ontem a sombra dos navios que navegámos


desenhou as velas recolhidas que esperam o dia


em que juntos desataremos o que a vida nos enredou.


 


2.


Em Lisboa o sol é agudo


a calçada aquece os passos de quem chama


pelos mudos impérios desatados.


Em Lisboa a vida tem arestas


abruptas paredes pintadas de chumbo


e gente vertical na luz branca do desespero.


 

06 outubro 2012

Protestos

 



 


Nestes tempos revoltosos, em que todas as manifestações parecem estar gastas, tem aparecido um protesto que, por ser diferente e pacífico, por usar a música, os poemas, o poderoso instrumental de uma voz que canta por milhares, dignifica todos os que se sentem sem esperança, deixando o poder e os poderes sem resposta. Primeiro Acordai e depois Firmeza, aqui está a manifestação a que ninguém fica indiferente.


 



 

Inquietação

 

 


José Mário Branco

 

 

J P Simões

 

 

Camané

 

A contas com o bem que tu me fazes
A contas com o mal por que passei
Com tantas guerras que travei
Já não sei fazer as pazes

São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada que me ensinas
Oiro em pó que o vento espalha

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Ensinas-me fazer tantas perguntas
Na volta das respostas que eu trazia
Quantas promessas eu faria
Se as cumprisse todas juntas

Não largues esta mão no torvelinho
Pois falta sempre pouco para chegar
Eu não meti o barco ao mar
Pra ficar pelo caminho

Cá dentro inqueitação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Cá dentro inqueitação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Mas sei
É que não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda

 

... das alternativas?

 



 


Manuel Alegre - (...) Questionado sobre a renegociação da dívida, um dos temas do Congresso, o socialista reconheceu que esse é "um ponto que porventura mais dúvida levanta a muita gente" e no PS (...)


 


Francisco Louçã - (...) "O ponto de partida é denunciar o memorando" (...)


 


Garcia Pereira - Portugal “tem de suspender imediatamente o pagamento da dívida” e “expulsar” a troika. (...)


 


Vasco Lourenço - (...) "A democracia portuguesa está doente, diria mesmo moribunda, contaminada pela corrupção. É hoje uma ditadura mascarada de democracia” (...)


 


Ana Gomes - (...) Ana Gomes, subiu à tribuna para pedir que a expressão «denúncia» do memorando fosse substituída por «renegociação do memorando de entendimento» na declaração final do evento. (...)


 


Carvalho da Silva - (...) defendeu a necessidade de uma "renegociação da dívida com os credores e não com  a 'troika'" (...)


05 outubro 2012

Será azul

 



Luis Sanguino


 


O dia será azul e a terra redonda para nos lembrar


da inevitabilidade de nos reencontrarmos depois da caminhada


longas rotas pelo mundo que nos reserva a vida


diária e descarregada de desesperança.


 


O barco será um navio a vela transformada em lágrimas de saudade


antes da partida. O barco será o navio que nos embala a tristeza.


 


O dia será azul por dentro da enorme beleza do adeus ainda


não definitivo. O dia será mais para nos lembrar


deste país que não nos quer mas a quem queremos.


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...