10 outubro 2012

Ética

 


O recente parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV), em resposta à solicitação do Ministro da Saúde sobre a fundamentação ética para o financiamento de retrovirais (doentes HIV+), medicamentos oncológicos e alguns dos medicamentos para a artrite reumatóide, mostrou-nos, mais uma vez, a incapacidade de se ler, discutir e opiniar seriamente sobre qualquer assunto, nomeadamente aqueles que mais serenidade e seriedade precisam, pela sua delicadeza e repercussões na vida do indivíduo e da sociedade.


 


A forma como a comunicação social divulgou o parecer, as opiniões de alguns agentes políticos e a atitude do Bastonário da Ordem dos Médicos foram de um populismo e oportunismo político totalmente inaceitáveis. Sem sequer se ter o cuidado de tentar perceber o significado dos termos empregues, parece que o que mais interessava era lançar na opinião pública a ideia de que o Ministro Paulo Macedo queria este parecer para deixar de fornecer medicamentos como consequência da necessária redução de custos e desperdícios que possibilitem a sustentabilidade do SNS.


 


Que eu me tenha dado conta, apenas Ana Matos Pires se indignou com estas posições, nomeadamente com a intenção revelada pelo Bastonário de levantar um processo de averiguações aos médicos que assinaram o parecer.


 


Não sou suspeita de apoiar este governo, mas concordo com muitas das medidas que Paulo Macedo tem tomado. Acho que é imperioso e ético que este pedido tenha sido feito, como o é que estes assuntos sejam pensados e discutidos por toda a sociedade, tal como o foram a desciminalização da IVG e o testamento vital. Li o parecer que me pareceu bastante equilibrado, apoiando-se em experiências de outros países, chamando a atenção para que a equidade de acesso e a saúde precisam de medidas intersectoriais, salvaguardando a independência dos prescritores e apelando ao envolvimento da sociedade e dos doentes na discussão das decisões terapêuticas.


 


Melhor que eu Maria de Lurdes Rodrigues explicita exactmente o que penso no programa Pares da República de hoje. Vale a pena ouvir. E vale a pena ler o parecer e pensar. Mesmo que não se concorde com o que diz, é necessário e urgente abrir a discussão e ser-se transparente nas decisões.


 

5 comentários:

  1. Até eu, que não sou médico, fiquei espantado com as declarações do bastonário e de outros médicos que apareceram nas televisões!
    Beijinho

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  2. pink10:00

    O bastonário é um Senhor!
    Quanto aos médicos, ou muitos deles, arranjam sempre forma de os seus familiares e amigos serem bem tratados ( mesmo tendo seguros !)nos hospitais , mtas vzs com as equipas que desejam.etc.
    Os que não são famosos. importantes, ou ricos, sujeitam-se às sobras ou à fartura consoante as circunstâncias...

    O racionamento é para os pobres. Os restantes cidadãos têm com que o quebrar. Demagogia é esconder.

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    1. Cuco Transparente01:00

      Os posts da Sofia costumam ser de grande qualidade mas tendem a ser circunspectos; pelo contrário, o alcance dos comentários regulares que a pink aqui escreve parece ser ilimitado.

      Este blog corre o risco de se tornar menos famoso pelos posts da primeira do que pelos comentários da segunda...

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    2. ACÁCIO LIMA03:33

      Nesta rotina do "pi-pi" das três da manhã, dei pelo comentário, que me tinha escapado.

      Grudado ao "senso comum" populista e à imprensa demagógica e ávida de sensacionalismos, confundindo populismo com popular, opta pelo diapasão da alegada "negligencia dos médicos" equiparada a corrupção, que nos massacra no seu balofo.

      Boa Madrugada

      ACÁCIO LIMA

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  3. pink09:37

    Só tem medo de ser destronado quem não é verdadeiro ou não tem segurançana sua própria argumentação...não é o caso da Sofia certamente!
    Opiniões e experiências pessoais,amigo...

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